CAPITULO 17

1370 Words
LOUISE BIANCHI Depois daquele banho de água fria que Caio jogou em mim, não nos vimos mais. Duas semanas inteiras se passaram em um piscar de olhos. Tenho olheiras profundas marcando meu rosto e minha ansiedade está completamente atacada, fazendo meu estômago dar nós. Meu casamento é daqui a exatamente dois dias; minha família chega hoje à Itália e Helena chega amanhã. Levanto-me da cama com o corpo pesado, faço minha higiene matinal no banheiro e coloco um conjunto confortável de academia. Depois do café, pretendo treinar bastante para ver se coloco os pensamentos no lugar. Ao chegar na sala de jantar, dou de cara com Caio e Enzo sentados conversando. — Bom dia... AMÉLIA: Bom dia, minha querida! Como você dormiu? Hoje temos poucas coisas para resolver, graças a Deus. Só faltam definir as flores da decoração e os doces finos. Depois disso, você estará totalmente liberada para descansar. — Ah, que ótimo. Qual o horário que vamos sair? AMÉLIA: Logo após o almoço, meu bem. — Tudo bem. Qualquer coisa, se precisarem de mim antes, estarei na academia da casa. Vou para a academia e perco totalmente a noção das horas treinando na esteira e nos aparelhos. Quando finalmente me dou conta do tempo, já passa das onze da manhã. Tomo um banho rápido no quarto, visto um vestidinho solto e fresco, calço meu tênis e sigo para o almoço. À tarde, andamos tanto pelo centro e pelas lojas que m*l sinto meus próprios pés. Ao chegar em casa, subo direto para me arrumar para buscar meus pais no aeroporto. Agora, à noite, o frio na Itália aperta bastante; agasalho-me muito bem com um sobretudo elegante. Quando saio pela porta principal da casa, o motorista já me espera ao lado do carro. ANTÔNIO: Boa noite, senhorita Louise. O senhor Santoro já a espera dentro do veículo. — O quê? — Fico paralisada na calçada. Como assim? O que ele veio fazer aqui? ANTÔNIO: Algum problema, senhorita? — Não, Tony... nenhum problema. Obrigada. Entro no carro devagar, mantendo a postura ereta, e evito ao máximo o contato visual com ele. — Boa noite, Caio. CAIO: Boa noite, Louise. Achei mais apropriado vir junto com você para buscar seus pais. É o correto a se fazer. Espero que não se importe com a minha presença. — Certo... sem problemas. Fizemos o trajeto todo até o aeroporto em um silêncio absoluto e sufocante. Agradeci mentalmente por isso, mas o olhar constante de Caio sobre mim, queimando minha pele, já estava me incomodando profundamente. Chegamos à área de pouso reservada exatamente no momento em que o jato particular parava na pista. Saio do carro pressurosa para esperá-los. Quando meus pais aparecem na porta da aeronave, as lágrimas brotam instantaneamente nos meus olhos. Logo atrás deles, meu irmão Lucca surge sorrindo. Corro ao encontro deles sem pensar duas vezes e o abraço apertado de Lucca me traz um alívio imenso, fazendo todo o peso das últimas semanas evaporar por um segundo. — Que saudade de vocês, meu Deus! Quando nos viramos para sair da pista e caminhar até os carros, vejo mais alguém descer os degraus do avião. Eu não sabia o quanto sentia falta de Helena até colocá-los olhos nela! Minha melhor amiga corre na minha direção e me dá um abraço tão forte e apertado que me traz uma paz indescritível. — Você me enganou, sua safada! Disse que não daria para vir hoje por causa do trabalho! HELENA: Surpresa! Pedi à sua mãe para não contar nada porque sabia que você ia surtar! E aí, gostou? — Foi a melhor surpresa que você poderia me fazer na vida! Fomos todos para a casa dos meus sogros, que fizeram questão absoluta de que toda a minha família ficasse hospedada lá. O jantar foi harmonioso e acolhedor. Caio observava cada passo meu à mesa, quase sem interagir com os outros, o que já é de costume dele. Mas, hoje, a felicidade de ter as pessoas que mais amo aqui perto foi absurdamente maior do que qualquer desconforto provocado por ele. Após o jantar, levei Helena para o meu quarto para conversarmos em paz. HELENA: Uau, amiga! Esse lugar é um verdadeiro luxo! Olha o tamanho desse quarto! — Pois é... tem cômodos nesta casa que eu nem sei para que servem! HELENA: Mas me fala, como está o seu relacionamento de verdade com o "senhor gostosão"? Me conta tudo! — Na mesma, amiga. Exatamente na mesma... Mas quer saber? Decidi não me martirizar mais por causa disso. É óbvio que tudo isso me afeta, ainda mais depois que descobri que o casamento dos meus próprios pais é uma farsa e vendo o Caio deixar claro que o nosso será apenas de aparência. Isso me desmotiva demais, mas eu vou viver a minha vida da melhor forma. HELENA: Eu não consigo nem imaginar tudo o que você está sentindo, Lou, mas estou aqui para tudo. Sempre será eu e você contra o mundo, aconteça o que acontecer nessa vida. — Eu te amo tanto, Lena... obrigada por existir e estar aqui comigo. Adormecemos abraçadas na cama, chorando de emoção e cansaço. No dia seguinte, Beatrice nos acorda como um verdadeiro furacão logo cedo, nos arrastando para um dia inteiro em um spa luxuoso. Voltamos para a casa apenas duas horas antes do horário marcado para a cerimônia. Entre cabeleireiros, maquiadores e estilistas correndo de um lado para o outro, o quarto vira uma confusão organizada. De repente, a porta se abre e meu irmão Lucca entra, impecável e deslumbrante em seu terno. LUCCA: Então é aqui que se encontra a segunda mulher mais linda de todo este mundo? — Ah é? E quem seria a primeira, senhor Lucca? LUCCA: A mamãe, né? Está lá embaixo, super emocionada, doida para te ver vestida de noiva. Ele sorri, mas logo sua expressão muda para algo mais denso e compenetrado. LUCCA: Lou... passei aqui para te desejar boa sorte de verdade. Desde pequena você dizia que queria casar com alguém que amasse absolutamente tudo em você. Eu espero do fundo do coração que o Caio te valorize como você merece, mas, se ele não o fizer, nunca se esqueça: você é uma Bianchi. Nunca abaixe a cabeça para homem nenhum. Senti uma tensão estranha nas entrelinhas da fala de Lucca, algo pesado, mas decidi ignorar naquele momento. Minha mãe, maravilhosa e radiante, e meu pai, que pela primeira vez na vida eu vi chorar de emoção, despediram-se de mim com abraços apertados que guardarei para sempre na memória. Quando a marcha nupcial começa a tocar pelo jardim, meu pai segura meu braço e me conduz devagar pelo caminho forrado de pétalas lilases. Ao olhar para a frente, vejo o homem mais lindo que meus olhos já contemplaram. Caio está usando um terno vermelho feito sob medida, impecável, com a barba perfeitamente desenhada. Sinto uma pontada no peito ao perceber o quanto eu o quero, e dói demais lembrar que talvez eu nunca vá ter o seu amor de verdade. Ao chegar no altar, Caio pega minha mão e entrelaça seus dedos nos meus, enviando uma descarga elétrica por todo o meu corpo instantaneamente. Meu pai se aproxima dele e pede firme que ele me proteja com a própria vida. O juiz de paz inicia a cerimônia, mas estou completamente absorta em meus pensamentos, encarando os detalhes do rosto de Caio, até ouvir sua voz grave chamando meu nome baixo. CAIO: Louise... — Sim? Ah, desculpa! CAIO: É a sua vez de fazer os votos. Respiro fundo, olho bem no fundo dos olhos intensos dele e recito as palavras com a voz trêmula: — Eu, Louise Roza Bianchi, aceito você, Caio Santoro, como meu legítimo marido. Prometo amá-lo e respeitá-lo na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe. JUIZ: Pelo poder a mim investido, eu os declaro oficialmente marido e mulher. Pode beijar a noiva. Caio aproxima seu corpo do meu, segura delicadamente a minha cintura, cola seus lábios nos meus em um beijo suave que faz meu mundo balançar, e sussurra no meu ouvido com uma voz aveludada: CAIO: Enfim, Senhora Santoro...
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