CAPITULO 18

1101 Words
CAIO SANTORO Depois de afastar Louise de mim naquele balcão, passei a evitar a casa dos meus pais a todo custo. Pensei comigo: se eu realmente não pretendo ter um casamento de verdade com ela, não vou dar margem para que crie expectativas. Faltam apenas dois dias para a cerimônia, e os pais dela chegam hoje à Itália. Meus pais fizeram questão absoluta de que toda a família dela ficasse hospedada na nossa casa, inclusive a melhor amiga, Helena — cuja chegada antecipada era uma surpresa preparada para a Louise. Estava no meu apartamento quando meu celular tocou. AMÉLIA: Bom dia, meu filho. Seu pai quer que você venha tomar café da manhã com ele aqui em casa hoje. — Mãe, hoje estou atarefado demais com a operação. Pode ser em outro dia? AMÉLIA: Não, Caio. Absolutamente não. Você tem exatamente vinte minutos para aparecer aqui. Ela simplesmente desliga na minha cara. Solto um palavrão, pego as chaves e vou direto para a casa dos meus pais. Chegando lá, encontro meu pai no escritório. ALFREDO: Achei que recusaria o convite mais uma vez, como vem fazendo. — A mamãe não aceitou desculpas desta vez, pai. Fomos juntos para a sala de jantar. Percebo que quase todos já estão acomodados à mesa, até o Enzo veio, menos a Louise. Cinco minutos depois, ouço os passos dela na escada. Ela desce usando um conjunto de academia mínimo que desenha todo o seu corpo e se limita a dar um "bom dia" coletivo e seco. Ela passa o café visivelmente aérea, quase não toca na comida. Quando minha mãe avisa que hoje não há muito o que resolver, ela apenas concorda com a cabeça e se retira para a academia. Sinto uma vontade enorme de questionar aquela roupa curta na frente de todo mundo, mas me controlo. Despeço-me e saio com Enzo. ENZO: E aí, empolgado para o casamento? O Conselho da máfia está eufórico com a união oficial das duas famílias. — São só um bando de velhos conservadores, Enzo. Eles também ficarão eufóricos quando chegar a sua vez de amarrar o jegue. ENZO: Deus me livre! — O sorriso dele morre instantaneamente e eu dou risada. Passamos o dia inteiro no galpão e no porto resolvendo pendências. Quando me dou conta da hora, já são onze da noite. Meu celular apita com uma mensagem de Lucca, irmão de Louise. Ela não faz ideia, mas o irmão é um assassino nato da máfia russa; executa os trabalhos mais sujos e sangrentos com uma facilidade impressionante. LUCCA: Vou para a sua boate agora. Beber na sua conta. Me encontre lá. Abusado demais. Saio do barracão e vou direto para a boate. Quando chego ao camarote reservado, encontro Lucca, Enzo e Claus reunidos. CLAUS: Olha só quem resolveu dar ar da graça... o todo-poderoso Don Caio Santoro! — O sarcasmo na voz dele ao me ver é nítido. — Já te falei, Claus: o fato de você não ser o primogênito não vai te fazer fugir de um casamento arranjado. Tome cuidado, porque o seu pode estar muito mais perto do que você imagina. ENZO: Chega de conversa fiada! Vamos beber, que o dia hoje foi pesado e pede! Começamos a virar doses de whisky. Pouco tempo depois, Maresa passa por mim no camarote usando um vestido tão curto que dá para ver quase tudo. Sem pedir licença ou esperar convite, ela se senta direto no meu colo. MARESA: Você está tão sumido, Caio... Estou morrendo de saudade de você. Vejo o exato momento em que Lucca me observa de canto de olho e disfarça, bebendo seu copo. Mas eu fui treinado desde garoto para ser Don; nada passa despercebido por mim. Respondo a ela com frieza, sem dar moral. No entanto, ela começa a passar a mão devagar pela minha calça, e meu corpo, traidor pelo álcool e pelo estresse acumulado, reage instantaneamente. Levanto-me e vou com ela para um dos quartos reservados da boate. O ato em si não me traz prazer algum, serve apenas como uma descarga violenta de estresse. Quando finalizo e me afasto, percebo a tragédia: a camisinha rasgou. — p***a! Você toma algum método contraceptivo? Remédio, anticoncepcional, qualquer coisa? MARESA: Não... não tomo nada. Droga! Praguejo alto. Se essa mulher engravidar agora, no meio do meu casamento, terei problemas gigantescos com o Conselho e com a família dela. Saio dali completamente desorientado e com raiva de mim mesmo. Dirijo como um louco pelas ruas até meu apartamento e tomo um banho gelado, tentando de todas as formas lavar o erro imundo daquela noite. Acordo às seis e meia da manhã do dia seguinte, destruído e exausto. Chego cedo à casa dos meus pais e vou tomar café com meu pai para alinhar os últimos detalhes da segurança do evento. Depois de um tempo, subo para o quarto que costumava ser meu para vestir o terno. No caminho pelo corredor, ouço vozes femininas e me escondo no recuo da parede. Vejo Louise passar rindo junto com Beatrice e Helena. Passo o resto do dia trancado naquele quarto, bebendo whisky puro e esperando o momento exato de descer para o altar. De repente, a porta se abre e Lucca entra sem bater. LUCCA: Sabe, Caio... eu não sou a favor disso. De verdade. A minha irmã merece alguém que a valorize de fato. Eu não vou te ameaçar aqui, sei que você é poderoso demais para isso, mas deixo um conselho de homem para homem: não vale a pena levar um casamento ao fracasso por pura birra ou orgulho. E saiba de uma coisa: se ela cansar e desistir de você, nada nem ninguém neste mundo fará a Louise mudar de ideia. Ele me encara por alguns segundos e sai. Logo em seguida, minha mãe entra no quarto e me chama com os olhos marejados. AMÉLIA: Está na hora, meu filho. Caminho pelo corredor de pétalas lilases montado no jardim e me posiciono no altar ao lado do juiz. Cinco minutos depois, a marcha nupcial começa e ela entra de braços dados com o pai. Por um momento, meu ar falta e eu perco totalmente o fôlego. O vestido de cetim branco molda perfeitamente cada curva do seu corpo; ela está simplesmente PERFEITA. Divina. O juiz dá início à cerimônia, mas estou completamente absorto, admirando os detalhes da minha futura esposa. Quando chega a hora dos votos, ela me acompanha, hipnotizada e trêmula. O juiz encerra a celebração e autoriza o beijo. Finalmente me aproximo, seguro sua cintura e puxo seu corpo para bem perto do meu. — Enfim, Senhora Santoro...
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