LOUISE SANTORO
Eu não estava acreditando no que meus olhos viam. Era ela, ali na minha frente, com o sorriso mais lindo que iluminaria uma galáxia inteira.
— Helena...
HELENA: — Estava com saudade. — É tudo o que ela fala antes de me abraçar como se não quisesse me perder, e eu a abraço da mesma forma.
— Não acredito que estou te vendo de novo. Eu estava com tanta saudade de tudo, amiga, até das suas maluquices.
HELENA: — Você não tem noção do quanto me fez falta, mas, graças ao seu marido, estou aqui de volta. — Ela sorri para mim e meu coração dá cambalhotas.
— Mas me fala, como você está?
HELENA: — Bem, amiga, um pouco cansada por causa da viagem. Mas me fala de você, como vão as coisas com o "gostosão"? — Helena está mentindo para mim, ela quer saber de mim...
— Vamos bem, estamos um pouco distantes. Ele não sabe o que quer, fica preso nesse mundo de indecisões dele, e eu não sou obrigada a viver nisso. Por isso, estou ignorando-o e me mantendo afastada; assim, não corro o risco de me apaixonar mais.
Ficamos conversando por horas sobre tudo. Helena me contou como se sentiu quando soube da morte do pai e do irmão. Confesso que, nessa parte, fiquei com medo de ela ficar triste, já que foi meu pai quem encomendou a morte deles, mas ela pareceu aliviada com a notícia.
Voltamos para a mesa e Caio não parava de me olhar. Ter os olhos dele sobre mim me causava uma sensação de eletricidade. A intensidade com que ele me encara traz pensamentos que estou lutando para não ter, mas é quase impossível não imaginar aquela boca passeando pelo meu corpo, beijando lugares estratégicos. Ele sabe me dar prazer; já conhece meu corpo. Mesmo tendo transado apenas algumas vezes, foi o suficiente para ele desvendar todos os meus pontos fracos.
HELENA: — Louise, está me ouvindo? Estamos te chamando há tempos.
Droga, fiquei tempo demais pensando, a ponto de esquecer onde estava.
BEATRICE: — Sabe que pode tê-lo quando quiser, né? Meu irmão está de quatro por você, Lou. Só você não vê isso. Fica aí babando por algo que já pode ter, para que se torturar assim?
HELENA: — Pelo jeito que ele estava olhando para ela, tenho certeza de que os pensamentos eram os mais sujos possíveis.
As horas parecem ter voado. Sempre é assim quando estou com a Lena; todo lugar que ela está fica agradável, leve. Minha amiga não merecia ter passado por nada disso.
CAIO: — Louise...
— Obrigada. Eu não sei o que você fez, mas obrigada. Sei que você não poderia se meter em assuntos que não pertencem à sua máfia, mas mesmo assim o fez. Eu nunca vou encontrar palavras para te agradecer. — Acho que ele não esperava essa minha reação, já que ficou me olhando com uma expressão de surpresa.
CAIO: — Louise, eu faria quase tudo para te ver feliz, e a Helena é uma pessoa incrível, não merecia o que o Henry fez com ela.
Dou um abraço nele que, de início, não corresponde, mas logo me aperta de volta. O coração dele está batendo rápido.
— Está tudo bem? — Pergunto olhando nos olhos dele e recebo como resposta um beijo. Mas não é um beijo qualquer, é o beijo.
Caio me beija devagar, um beijo lento e torturador. Ele me pega no colo e eu entrelaço minhas pernas em sua cintura. Ele anda comigo assim e entra na primeira porta que vê. Ele me coloca em cima da pia do banheiro e encosta a testa na minha. Os únicos sons que se ouvem são os da nossa respiração descompassada.
CAIO: — Louise, eu não consigo pensar em mais nada. Penso em você o dia todo e, quando acordo, é em você que penso de novo. A sua indiferença está me matando, então, por favor, Louise, vamos esquecer esse acordo. Ele nunca deveria ter existido. Vamos tentar fazer nosso casamento dar certo. Era para ter sido assim desde o início, mas eu estava preso a uma loucura e não quero mais permanecer nela. Se você quiser ainda tentar, eu quero. Eu quero demais...
Ele fala tudo com a testa colada na minha e eu dou graças a Deus por isso. Meus olhos estão pesados, não consigo segurar as lágrimas e elas caem.
— Caio... eu não quero me magoar, por isso a indiferença. Eu cresci em meio a uma fantasia que só acabou porque descobri, sem querer, da pior forma possível. Cresci acreditando que existia casamento por amor, amor igual ao que via nos meus pais, e descobri que era tudo uma mentira... Eu não quero passar pelo que minha mãe passou. Se não for para ter algo real, eu prefiro não ter. Então, irei perguntar só uma vez: você tem certeza do que está me propondo?
CAIO: — Tenho, Lou. Eu quero e quero muito acordar com seus cabelos pelo meu rosto e com você quase em cima de mim todos os dias.
Dou um tapa de leve no braço dele, que faz um drama como se doesse muito. Olho para ele, analisando-o antes de dar minha resposta, mesmo tendo o "sim" estampado na cara. Abro um sorriso para a cara de cachorro abandonado que ele faz. Lindo!
CAIO: — Esse sorriso lindo é um "sim"?
— Se você me trair, eu nunca vou te perdoar. Tenha isso em mente.
CAIO: — Já tenho o que preciso em você, Louise.
Ele me puxa para mais um beijo, e esse não tem nada de carinhoso; é um beijo agressivo e pecaminoso. Estamos com necessidade um do outro e vamos aplacar essa necessidade.
— Vamos para o meu quarto, esse lugar está apertado demais para nós...
Eu quero, oh meu Deus, eu quero e quero muito, mas tenho medo. Muito medo de me entregar e me decepcionar com tudo. Eu sinto verdade nas palavras dele, mas, mesmo assim, o medo persiste.