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547 Words
Eu não conseguia respirar direito. Nem pensar. As palavras dela se repetiam na minha cabeça como uma maldita sirene: "Eu beijei o Theo." Theo. A p***a do Theo. A raiva queimava sob minha pele, pulsando em cada veia como ácido. Não era só o beijo. Era o fato de ela ter me olhado nos olhos e jogado aquilo como se não fosse nada. Como se eu fosse nada. Peguei o carro emprestado do pai dela e saí sem rumo, mas meu corpo já sabia pra onde ir. Não precisava pensar. Eu só precisava vê-lo. Precisava entender o que estava por trás daquilo. O campus estava mais vazio do que o normal, mas a sala de estudos no bloco B ainda tinha luzes acesas. E ele estava lá, claro. Como sempre, com aquela postura reta, aquele ar superior de quem nunca se deixa afetar. Theo. Entrei sem bater. Ele levantou o olhar devagar, como se minha presença fosse só um incômodo passageiro. — Jace? — O que você quer com a Ellie? Ele arqueou a sobrancelha, fechando o livro com calma exagerada. — Ela não te contou? Achei que tivesse. — Ela me contou do beijo. Mas não do motivo. — Precisa de motivo pra beijar alguém como ela? Meu punho cerrou. Os músculos do braço tensionaram antes mesmo de eu me dar conta. Me aproximei dele em dois passos rápidos. — Você fez isso pra provocar? Por causa da Kayle? Ele inclinou a cabeça. — Interessante. Então isso ainda te incomoda, né? O fato de eu ter sido namorado da Kayle. Você nunca superou isso. — Responde, p***a! Você beijou ela pra me atingir? Porque sabia o que ela significava pra mim? Theo se levantou, agora com os olhos estreitos. — Ellie é inteligente. Linda. Intensa. Eu não precisei forçar nada. Ela quis. E talvez... só talvez... ela estivesse cansada de esperar você resolver sua bagunça emocional. Aquilo me atingiu como um soco. Mas eu não deixei transparecer. Não ali. — Você não a conhece como eu conheço. — Talvez eu conheça a versão dela que você rejeitou. A que decidiu seguir em frente. — Você não viu o jeito que ela me olhava. Você não escutou ela me dizer que queria ficar. — Não. — ele disse firme. — Mas eu vi o jeito que ela me beijou. E não foi pensando em você. Meu punho fechou de novo, mas eu respirei. Respirei como se fosse a única coisa me impedindo de quebrar a cara dele ali mesmo. — Ela é diferente. E você vai estragar isso, como estragou tudo com a Kayle. Theo se aproximou, o rosto a centímetros do meu. — E você acha que não vai? Com essa instabilidade? Esse drama todo? Ellie merece paz. Não tempestades. Ficamos ali por segundos que pareceram eternos. A tensão entre nós era cortante. Cada palavra era uma faca jogada sobre a mesa. — Você não merece ela. — eu disse por fim, baixo, mas firme. — Talvez. — ele respondeu. — Mas eu tô aqui. E você... tá sempre fugindo. Saí dali com o coração martelando no peito, os pensamentos em turbilhão. Dessa vez, eu não estava bravo só com ele. Estava bravo comigo. Porque no fundo, uma parte de mim sabia... que ele estava certo.
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