Modoru / Regresso
Nossa última memória, eu tinha água nos meus olhos
– Deixe-me ir com você.
– Talvez na próxima. – respondeu.
Eu morro todos os dias esperando por ele.
Estava saindo do hospital quando entrevi um rapaz familiar se aproximar, alto de cabelos louros fortemente dourados, observei como Naruto estava crescido, seus olhos azuis exibia um perfeito traço para seu rosto, que apesar de ter 18 anos, não apontava aparição de barba. Estava vestindo sua frequente jaqueta de cor preta com o zíper alaranjado, em seu braço esquerdo evidenciava uma faixa vermelha com o brasão da Vila Oculta da Folha e por fim uma calça alaranjada, era simplesmente o estilo Naruto Uzumaki.
Se passaram dois anos após o fim da Quarta Guerra Ninja, desde então, temos passado por um período de paz e a Vila da Folha tem agora Kakashi como sexto Hokage, contudo, sempre temos missões.
– Sakura-chan, Kakashi-sensei pediu para encontrarmos ele no seu escritório daqui uma hora.
– Está bem, mas ele falou do que se trata? – Perguntei, curiosa.
– Hum... – fez uma breve pausa – Não!
Ele estava agitado, concluí que estava escondendo algo, e Kakashi estava envolvido, mas não me sentia disposta para as suas idiotices, mesmo sabendo que eram falhas tentativas de me manter animada.
– Bom, nos vemos daqui a pouco. – Consenti, retribuindo o sorriso.
Ele virou-se e saiu andando, enquanto fui para o lado oposto. No caminho me encontrei com a Ino.
– Testa de marquise! - Fiz careta.
– Nani! Não me chama assim! – gritei.
Ela gargalhou, debochada.
– Escuta, hoje teremos um compromisso, vamos naquela boate que te falei.
– Não posso, tenho que encontrar Kakashi-sensei e o Naruto-kun. – Suspirei, desanimada.
A loira franziu o rosto, e me encarou.
– Pois cancele! – ordenou – Ninguém em sã consciência ousaria negar a companhia de Ino Yamanaka. – falou convencida. – Até porque, eu duvido ser mais divertido com eles do que comigo.
Eu adorava passar o tempo com o Naruto e Kakashi, mas a maior parte do tempo o Hokage aproveitava para instruir o mais novo sobre as responsabilidades de tal posição. Todos sabíamos que Kakashi está preparando-o aos poucos, para ser nomeado o próximo Hokage futuramente, aquele que lhe substituirá. Não é difícil de entender o porquê, afinal, Naruto é considerado o maior herói desde a grande guerra.
A maior parte das conversas se trata de problemas, e apesar de me sentir um pouco egoísta de pensar assim, gostaria de poder esquecer um pouco as adversidades.
– Talvez esteja certa, preciso dar uma volta para esquecer algumas coisas. – Forcei um sorriso. – Mas, e quanto ao Sai?
– Não sei o que tem o Sai a ver com a nossa conversa. – Ela ficou defensiva.
Ino demonstrou ficar totalmente constrangida com a menção que fiz, me fazendo abafar a gargalhada.
– Pensei que estivessem juntos. – Indaguei.
– Estamos apenas nos conhecendo.
– Pensei que já se conheciam. – Exclamei.
– Ah, Sakura, não exagere – protestou – Bom, eu e Sai estamos vivendo uma aventura diferente de outros casais comuns, são tão cafonas!
Conversamos por um breve momento até eu perceber o quanto anoiteceu. Me despedi da loira e parti em direção minha casa. Abri a porta e entrei fechando-a atrás de mim, tirei minhas sandálias trocando pelas pantufas. Foi inevitável entrar e não observar a foto exposta em meu rack, aproximei e o peguei, aproximando de meu rosto. A fotografia foi tirada uns 5 ou 6 anos atrás, quando eu estava no time 7. Observei o quanto eu parecia feliz, Kakashi-sensei entusiasmado, Naruto emburrado encarando Sasuke que permanecia carrancudo. Passei o dedo sobre a imagem no quadro, eu mantenho um amor por essa fotografia, é uma boa memória, onde nossos olhos nunca se fecham, onde nossos corações nunca estiveram partidos, ou não completamente, - pelo menos, não o do Sasuke – de qualquer forma é como se o tempo estivesse congelado ali, para sempre.
Sorri, meus olhos estavam levemente molhados, voltei o quadro para seu lugar. Tomei um banho quente demorado, dentro do chuveiro não consegui evitar as lagrimas que insistiram em cair quando minhas memorias me condenaram. Eu pensava nele, e rezo para que esteja seguro, parte de mim entende sua partida enquanto a outra morre de saudade. Eu morro todos os dias, esperando por ele, é agoniante essa sensação.
Saí do banheiro, vesti uma blusa vermelha com o símbolo dos Haruno nas costas, short preto debaixo de uma curta saia avental cinza e botas pretas até a altura do joelho e sai com destino a boate que a Ino marcou.
***
MAIS TARDE NAQUELA NOITE
***
– Vai Sakura... toma pelo menos uma dose de saquê! – insistiu, esticando o copo com a bebida em minha direção. – Acredite em mim, isso vai te deixar mais relaxada e assim poderá se divertir um pouco. Vai testa de marquise, onegai...
– Você sabe que eu não gosto de beber, sua i****a! – esbravejei.
Balancei a cabeça e respirei fundo. Me sentia deslocada naquele lugar.
– Tem certeza de que vai ficar aí emburrada? É assim que quer viver sua vida de agora para a frente? – Retrucou, mostrando certa irritação. – Você tem que viver Sakura, é hora de seguir em frente e você sabe disso! E sabe que...vocês dois não são pra ser. Deixe-o ir.
Fiquei surpresa ao ouvir aquelas palavras, foram como pontadas, meus olhos inundaram de lagrimas. Passei a ser o tipo de pessoa a pensar que não precisava tanto de atenção, passando a imagem de ser forte o tempo todo. E esse foi o meu maior erro, achar que posso ser forte como se não tivesse um coração.
Peguei o copo de saquê em sua mão e o virei por completo. Não foi pior do que as palavras recente escutadas, pelo contrário, a sensação que senti ao ingerir aquela dose de álcool foi confortante.
Não Ino, eu o amo, o amo verdadeiramente. Ele vai voltar, algum dia.
– Mais duas doses! – berrou, tirando-me do transe.
Tomamos mais algumas doses, mas eu já tinha chegado ao meu limite, era possível sentir minha leve embriaguez, enquanto Ino estava completamente embriagada, dançando na pista de dança enquanto eu a observava de uma mesa afastada, revirei os olhos e suspirei. Surgiu na entrada da balada um rapaz alto e bonito, era o Sai, embora possua uma aparência deveras diferente, o que o torna mais interessante, não deixa de ser um menino atraente, tendo tom de pele bastante clara, cabelos negros. Sua vestimenta também é bastante diferente, pois possui vários detalhes, utilizando uma camisa que vai até a barriga da cor preta e um casaco da mesma cor e comprimento, além de que um lado da manga é longa e a outra é curta, uma característica interessante da peça, ele também utiliza uma calça preta que vai até as canelas. Alguns traços me lembra um pouco do Sasuke, mas a personalidade deles são tão diferentes que obscurece os poucos traços de semelhança física, ele observou o ambiente ao redor como quem procurava alguém, seus olhos pararam em direção a Ino, seu semblante era pasmo, eu me aproximei do rapaz, atraindo sua atenção.
– Sakura, o que você e a Ino fazem aqui?
Não me sentia a vontade de ficar mais ali, e a postura de Ino me envergonhava a cada instante.
– Depois ela mesma te conta, agora, leve-a para casa.
– E quanto a você Sakura?
– Não se preocupe comigo, vou para casa também.
Ele assentiu, peguei minha bolsa e saí do lugar, tinha certeza de que a Ino estava em boas mãos. Já era tarde, o céu estava lindo, exibia muitas estrelas, me perguntei se Sasuke estaria também olhando para o céu naquele momento, ou se onde ele estava dava para vê-las. Andei o bastante para chegar em minha casa. Sentia-me um pouco atordoada, resultado dos saquês que consumi, esfreguei meus olhos para enxergar melhor o buraco da porta enquanto tentava colocar a chave.
Por um breve momento senti a presença de um poderoso e conhecido chakra. Não poderia ser possível, eu devia estar sob efeitos da embriaguez, ou simplesmente era aquela velha sensação de imaginar aquela presença, virei-me para averiguar por minhas costas. Levei um choque.
Um jovem-adulto estava parado ali, Sasuke... senti um choque ao vê-lo, estava mais alto do que eu imaginava, tinha completa certeza que devia ter em torno de 1,82 metros, usava uma faixa azul marinho enrolada várias vezes em torno de sua cabeça, amarrando seus cabelos onix espetados para baixo e os empurrados sobre a testa. Ele agora usava uma camisa preta de gola alta. Seu braço direito estava envolto em bandagens azuis marinho, combinando com sua cabeça. Ele também usava um poncho marrom claro esfarrapado que cobria a maior parte de seu corpo superior e inferior, bem como seus braços. Debaixo deste poncho, Sasuke usava um colete e, visivelmente usa três colares, com cada um tendo uma cor verde, vermelho e amarelo desbotado, os quais ele usa em cima de seu poncho. Usando uma calça azul claro esfarrapada, enquanto os tornozelos são envoltos em ataduras que envolvem todo o caminho em torno de suas sandálias. Novamente empunha sua espada, a qual escondida sob o poncho. Olhava incrédula para cada detalhe do rapaz que estava a poucos metros de mim, não conseguia me mover ou falar qualquer palavra que fosse.
– Sakura. – Após escutar meu nome pronunciado por aquela voz rouca, meus olhos arregalaram-se, aquela voz ecoava em meus ouvidos e a intensidade dos meus batimentos cardíacos se intensificava a cada segundo.
Minha visão passou a ficar nimbosa e senti uma diminuição do meu fluxo sanguíneo -iria desmaiar- antes que eu pudesse falar algo, percebi a perca do controle do meu corpo, e tudo estava acontecendo muito rápido, minha visão estava escura e então perdi a minha consciência, não lembrando de nada mais.
***
ALGUMAS HORAS ANTES
***
POV “POINT OF VIEW" NARUTO
Encarava a rua pela janela do escritório do Hokage, buscando qualquer pista da Sakura, mas era vão. Estava ansioso, era atípico Sakura se atrasar e principalmente faltar compromissos. Andava para um lado e para o outro, pensando em todas as possíveis causas de sua ausência.
– Urusai Naruto. Você vai me surtar. – A voz calma do Kakashi me tirou dos pensamentos, sua cara manifestava o sentimento de cansaço.
– Ela nunca falta, porque logo hoje!? logo hoje! – alterei minha voz.
–Hum... – ele era tão calmo, e isso me deixava mais nervoso.
–Ah – gritei – fala alguma coisa!
Embora o meu tom de voz saísse alto o bastante para assustar qualquer pessoa, e meu drama fosse exagerado, sua feição não mudou.
–Deve ser o trânsito, Naruto. – Murmurou, tranquilamente.
– AH KAKASHI, por que você mente tanto? – gritei, ele tapou os ouvidos – Eu vou atrás dela.
Andei em direção a porta para sair do escritório quando fui impedido, o susto que tomei com sua rapidez me deixou boquiaberto.
– Naruto, o que é mesmo que você está fazendo aqui?
–Como assim, o que estou fazendo aqui? vim para contarmos para Sakura sobre a volta do Teme! – exclamei irritado ao ver a reação do mais velho, se fazendo de esquecido. – Você que pediu para eu marcar com ela.
– Eu fiz isso?
– Fez!
– Ah, então é isso – ele sorriu – se for te fazer sentir melhor, Sasuke já foi falar com ela.
–O que? Como assim? – fiquei confuso. – Como você sabe?
–É porque ele passou aqui mais cedo e deu a entender que o faria.
– Ele veio aqui? – rosnei – E eu aqui, todo esse tempo esperando para contar para Sakura e você não me disse nada!
– Tinha quase me esquecido desse pequeno detalhe.
– O detalhe que muda tudo! – disse alto.
Observei sua máscara se mexer e seus olhos se fecharem, ele estava sorrindo cinicamente. O Fuzilei antes de sair pela porta, que agora ele dava espaço.
– Ah, Naruto?
– Nani?! – olhei para trás buscando um bom argumento.
– Não vá atrás deles, tudo bem? - meus olhos arregalaram buscando uma explicação. Dessa vez ele falava com seriedade. – É necessário cedermos aos dois, esse espaço. Afinal, nunca houve essa oportunidade antes.
Dessa vez eu entendi o porque dele me segurar ali, estava se certificando de dar ao Sasuke e a Sakura o espaço necessário para conversarem, conhecendo o Sasuke como conheço, não se sentiria confortável com a presença de qualquer um nesse momento, na verdade eu não consigo imagina-lo se sentindo confortável de conversar sequer com a Sakura, Imagino o quanto está sendo difícil para ele esse momento. m*l humorado, m*l encarado, emburrado e fechado do jeito que é, se expressando é a última coisa que poderia imaginá-lo fazendo.
– Já entendi! – assenti, segurando o riso. Era simplesmente divertido saber que o Sasuke estaria fazendo isso.
*
POV “POINT OF VIEW" SASUKE
*
Desmaiou.
Segurei seu corpo antes que caísse no chão. Era ridículo ver que tais comportamentos não mudaram, e mais ridículo ainda notar o cheiro que denunciava a ingestão de bebidas alcoólicas.
Desde quando Sakura bebe?
Concentrei chakra nos meus pés e alcancei a janela, entrei com ela em meu colo, logo percebendo que estávamos em seu quarto, pus seu corpo sobre sua cama que era composta por um futon branco posicionado sobre um tatame, que ficava no chão.
O cheiro feminino de Sakura exalava o ambiente, talvez uma pitada de framboesa suculenta, raspas de cidra viva e ácida que despertava minha curiosidade. Era possível notar delicadas notas de gardênia, com toques aveludados e quase cremosos e em seguida, baunilha bourbon e caramelo crocante no fundo, essa era a assinatura da Sakura, indulgente e exclusiva. Algumas vezes, na imensidão da minha solidão eu cobiçava por esse cheiro, desejava senti-lo mais uma vez.
Observei a imagem da moça com atenção, sua respiração era suave, a pele era pálida e seus fios rosados realçava seus contornos. Sakura era... a inocência.
Mais que tolice!
Desviei meus pensamentos ao assimilá-los. Andei em direção a janela que tinha privilégio a vista de uma parte de Konoha, esse lugar... As lembranças, é um asilo com duas alas, numa, as saudades, essas anciãs paralíticas, na outra os complexos, esses loucos domados com camisa-de-força.
Talvez tenha sido um erro procurá-la e talvez maior ainda, ter voltado. Criei um impulso para sair.
– Sas... Sasu... – murmurou. – Sasuke-kun?! - Dessa vez gritou.
Continuei de costas, embora notasse seus olhos me encarar.
– Sasuke-kun, como? Quando? – perguntou. – diz alguma coisa, onegai!
A olhei de canto.
– Você é impulsiva! – vociferei aborrecido.
Quando pensei em me mover, senti os braços finos da Sakura me rodearem, o calor de seu abraço apertado me imobilizou. De fato, foi um ato da qual eu não esperava, me senti desconfortável com aquele contato, um certo constrangimento que me incomodava, não era comum estar naquela situação.
Jamais assumiria ou diria em voz alta, mas senti falta do calor dos seus atos, de seus comportamentos que de certa forma sempre me aborrecem. A verdade é que Sakura trás coisas boas para minha vida solitária, sinceramente. É difícil para mim olhar em seus olhos. Sem procurar, sem esperar, ela está presente e pode acolher as coisas.
É a única coisa que eu me incomodaria em perder.
*
POV “POINT OF VIEW" SAKURA
*
Eu sempre me pego pensando em como o tempo não passa, é como se eu estivesse paralisada por ele. E aqui estamos nós de novo, olho para ele e penso em como eu o amo tanto. Muitos não entendem a razão pela qual meus sentimentos sempre estiveram ali por ele, mesmo quando ele é a pessoa que já tentou me m***r, mas quem poderia entender? Estou mais crescida e posso entender melhor, eu achava que ele poderia simplesmente abandonar seus objetivos para ficar comigo e que tudo ficaria bem, a verdade é que achamos que podemos mudar as pessoas, vemos algo quebrado e queremos juntá-lo novamente, mas acabamos nos cortando com seus pedaços quebrados.
Impensadamente, meu corpo simplesmente reagiu e quando notei estava abraçada a ele, seu cheiro era tão memorável... Indubitavelmente, o cheiro que eu mais apreciava.
– Não pense que foi um erro estar aqui, não diga isso em voz alta. – Lagrimas fluíam de meus olhos. – Não faz isso comigo.
Ele permaneceu calado.
– Diga-me algo, onegai!
Meu coração batia freneticamente, e o frio no meu estômago era pertinente.
– Está me sufocando. – Desfiz o abraço me afastando, mas um sorriso brotou em meus lábios, era afinal de contas, o meu Sasuke-kun.
Virou-se ficando de frente para mim, ele me observou com atenção. Cada detalhe do seu rosto era proporcional e perfeito, era possível perceber a expressão fechada e o olhar penetrante dele. Eu amava aquele olhar.
– Você voltou, finalmente!
– De passagem.
Senti uma pontada, aquelas palavras me atingiram
– Por quê Sasuke-kun? – baixei as vistas, triste – Por que sempre assim?
Sasuke ficou um momento calado, sem me encarar. Quando tornou a falar, a voz lhe saiu áspera.
– Pensei que já estivesse explicito. – disse introvertido.
Cerrei meus olhos, lagrimas corriam por meus olhos. Eu sempre ofereci tudo ao Sasuke, tudo. Mas por que ele sempre tenta me afastar?