Aimai / Confusão

1941 Words
Pessoas confusas magoam pessoas incríveis.    Passei a observar o reflexo azulado de seus cabelos negros e o seu par de olhos, um era muito escuro e brilhante, enquanto o outro - o rinnegan – com suas cores lilás, irradiava seus traços ainda mais, dando um ar charmoso e sensual. Era tão bonito como a própria encarnação do d***o, e parecia tão indiferente a isso quanto a tudo o mais nesse mundo. Quando se é um shinnobi, você sempre está tão ocupado, como sobreviver a cada missão, que muitas vezes, esquecemos das nossas relações próximas. Anos atrás, essa seria a menor das razões do afastamento entre mim e o Sasuke, havia além de tudo, sua obsessão pela vingança, a necessidade de poder (para realiza-lo) nossos laços que achava necessário cortar e principalmente a grande escuridão presente em sua vida, essa que o distanciava de qualquer sentimento bom que poderia receber ou sentir. Cerrei meus olhos e respirei fundo. Apesar de qualquer constrangimento que eu sentia nas respostas curtas vindas do moreno, ele estava me escutando afinal, ele quem me procurou, depois de anos. Precisava falar algo, pense Sakura, pense... – Você não precisa aceitar um destino que não quer. Tudo já passou – sorri sem ânimo. Ele continuou em um silêncio esmagador, não me encarava, olhava para a janela, que dava uma vista privilegiada sob Konoha. Sentia um frio em meu estômago, meu peito se contraiu, a cabeça estava enevoada e eu tinha consciência do esforço por trás de cada respiração. Parece que uma criança frenética feita de energia negativa estava se debatendo dentro do meu corpo, é impossível ignorá-la. Essa é uma das razões pela qual ter ansiedade é tão frustrante, e por incrível que pareça, ela sempre ataca quando penso nele... e quando estou com ele. A ansiedade, me domina. – Eu não sou como Naruto, Sakura. – Minha atenção foi roubada pela sua entonação rouca, pronunciadas com tanta impassibilidade. – E tampouco sei se consigo ser uma boa pessoa. Fiquei calada, compreendendo melhor as palavras ditas pelo Uchiha. – Para o povo de Konoha... é tarde para mim me redimir dos meus pecados. Então era isso, finalmente havia entendido seu regresso e toda essa conversa de não ficar mais aqui. Nesses dois anos, Kakashi estava dispondo do cargo como Hokage e lhe dando missões que envolviam a segurança e o bem estar de Konoha, eles mantinham contato a distância, assim Sasuke estava reintegrado no quadro dos shinobis ativos de Konoha, bem como seu ranque ninja que também voltou a ser ativo. Ao longo desses dois anos, ajudando Konoha pelas sombras, ele sentiu que podia voltar. Mas ao chegar aqui, se deparou com tantas mudanças, mas uma, em certa não aconteceu. A traição dele ainda estava quente na memória coletiva, e consequente disso, não o perdoaram completamente. – Você pode ser melhor porque você consegue inspirar as pessoas de uma maneira que você acha que nunca conseguiu fazer. Protegendo a sua cidade como um anjo da guarda, fazendo a diferença, salvando pessoas... como tem feito. Ele nada respondeu, permaneceu imóvel e mantinha-se pensativo, isso me empolgou, jamais conseguira a atenção do Uchiha, e ele estava me escutando atentamente. Eu estava consideravelmente em um estágio em que as emoções estavam a superar minha razão, no qual meus sentimentos estavam externados. Um silêncio ensurdecedor instalou no ambiente, estava trêmula, naquele momento em que as emoções superavam a minha razão, em que os meus sentimentos brotavam como o suor que sai da pele. Precisava dizer alguma coisa, qualquer coisa, para dar um fim aquela situação constrangedora, mas não me ocorria absolutamente nada. – Itachi-san não te deu apenas uma história de dor, sofrimento e ódio, também te deu p******o, amor e amigos! A empolgação me fez proferir palavras impensadamente. Senti aflição ao mencionar aquele nome, ele não se moveu, não nesse exato momento, o silencio foi tão grande que era possível escutar as batidas frenéticas do meu coração. Não sei qual seria sua reação. Eu me arrependi, estraguei tudo ao tocar naquilo. Senti minhas pernas vacilarem, sua inexpressividade era evidente. Entreabri os lábios, mas nenhum som saiu. Estava pronta para formular alguma resposta e tentar reparar o meu erro, mas fui interrompida. – Não diga mais nada sobre o Itachi. Quem.Você.Pensa.Que é? – Silabou as últimas palavras. Por um breve momento, Sasuke me encarou de forma insensível... depois de assimilar completamente as palavras dirigidas a mim, a tristeza nublou minhas feições, meus olhos ardiam e logo as lagrimas inundaram meus olhos. Antes de pronunciar o seu nome, percebi que ele já não estava ali, se foi. Fechei os meus olhos, sentindo uma lágrima viajar pela lateral do meu nariz. Culpava-me por ter acabado com o único momento que tivemos, a única oportunidade de expressar meus sentimentos amadurecidos. Funguei e enxuguei os olhos com as costas da mão, e lá se foi a minha consciência, adormeci.                                                                                               *                                                                   POV (POINT OF VIEW) NARUTO                                                                                               *   Eu virei à fechadura e entrei em casa, as luzes se acenderam após eu tocar no interruptor, passei a assobiar e cantarolar alegremente, pulei sobre minha cama sorrindo para mim mesmo, relembrando o meu último momento com a Hinata em sua casa. Tínhamos um momento mais íntimo, foi nesse exato momento que tive a iniciativa de tomar-lhe em meus lábios, inicialmente Hinata ficou muito acanhada, mas bastou minha língua pedir espaço que ela me concedeu e tudo ficou mais picante...  Coloquei a mão sobre a minha boca, meus olhos estreitaram-se e gargalhei maleficamente, entre as recentes lembranças e meus pensamentos pervertidos. Meu momento particular foi interrompido por um barulho, meu corpo reagiu ao susto me fazendo pular da cama. – Ah! – gritei. Lá estava Sasuke, inclinado sobre a janela. Mediu-me com o olhar insolente, observei o canto de sua boca curvar-se em um pequeno – sorriso petulante –. – Babando, Baka? – Fechou os olhos e sorriu de lado – não esperava menos de você. Não era difícil captar a forma com que me fitava, julgador e cretino. Pulei rapidamente da cama, estava de queixo caído. – SASUKE! – gritei indignado. – Por que nunca respondeu meus bilhetes durante todo esse tempo? Apontei o dedo em sua direção, meus olhos estavam arregalados, enquanto minha fisionomia era de um desequilibrado, Sasuke por outro lado permanecia calmo, com seus olhos fechados e um sorriso curto, no canto da boca.  O desgramado estava ainda mais bonito do que me lembrava, e ao analisá-lo, cerrei meus pulsos e pulei histérico. – Fala alguma coisa, Teme! – pulei histérico. – Sua anta! Em minha mente, vagava a ânsia em socar a sua cara, por todas as vezes que esperava por uma mensagem e não recebia, por todas as vezes que sentia melancolia ao lembrar-me das lembranças entre o time 7. No fim, a vontade de soca-lo era mais pela saudade que sentia dele. Estava me sentindo feliz em revê-lo. Por impulso das emoções, fui em sua direção e o abracei forte, faria isso aproveitando o momento em que ninguém estaria por perto, foram breves momentos até ele se soltar, rabugento!  – Que bom que você voltou cara. Vou te contar tudo que aconteceu durante esse tempo que você esteve fora. Estava tão entusiasmado com a presença dele que comecei a contar tudo, ele me olhava alheio. – e aí... – Chega Naruto, eu não quero mais saber. Você é irritante! – SASUKEEE! – gritei, o analisei arfar impaciente – Você pelo menos lia meus bilhetes? Ah, e você leu a parte quando mencionei que Kakashi sensei está me instruindo para o cargo futuramente? Abri um grande sorriso e ajeitei minha bandana orgulhoso, mas fui surpreendido pelo murmúrio inalado de Sasuke. – Hum... – Estou esperando que me diga algo. Vai, fala alguma coisa! – esperava um elogio, era importante ouvir dele um “parabéns” ou “você merece”, dei um passo à frente. – Quem diria... – abriu os olhos pacientemente e me encarou com um traço leve de sorriso de lado. – Um fracassado pode superar o gênio com trabalho duro. Meu queixo caiu, deveria imaginar que viria uma ironia ou um comentário cínico, ou não seria Sasuke. – Seu invejoso!!! – cruzei os braços, virei o rosto e fiz bico indignado. Era aquela, afinal de contas, a forma dele dizer o que eu queria tanto escutar, e aquilo me deixou em paz, me deu uma alegria tão grande. Ele estava ali, afinal de contas. Sasuke desviou a atenção de mim e fixou na escuridão através da janela, se em algum momento houve um sorriso, mesmo que curto em seus lábios, agora ele se desfez, estava pensativo. Não era mais hora de brigar ou tagarelar, meu amigo estava ali e eu tinha que entender o que ele estava exatamente pensando. Andei em sua direção, descansei o braço em seu ombro, ele nada disse, permaneceu inerte. – Teme, é sério cara, estamos felizes de você estar aqui. – Seus olhos permaneciam presos nas luzes vindas das casas de Konoha. – Vivenciamos muitas coisas, mas finalmente crescemos, huh? Fiz uma pausa, para dizer aquilo que sempre quis dizer. – Você não precisava ter ido embora depois da guerra. – Uma pessoa só cresce quando é capaz de superar as dificuldades. Há certas coisas que devemos aprender por esforço próprio.  – Você agora está em casa de novo... É tudo que importa no fim. Sorri amarelo. Por um momento ele permaneceu em um silencio ensurdecedor, por isso me surpreendeu ao virar-se, fazendo com que minha mão escorregasse do seu ombro. – Não tenho certeza de que aqui ainda seja meu lar. Me senti surpreso com sua resposta, ele iria partir novamente? Cerrei meus punhos e relembrei o que passamos com a partida dele quando ainda éramos o time 7, o que passamos todos os dias a sua procura, e após a guerra ninja, quando sentimos a esperança de tê-lo novamente conosco, sentimos sua partida novamente. Na verdade, me relembrei de toda a sensação de não o ter conosco, de não ter notícias sua e de não saber se estava bem. Me lembrei dela. Sakura... todo seu sofrimento, suas esperanças iriam simplesmente acabar, como ficará seus sentimentos? E-eu não podia deixar isso acontecer! Ele andou pacientemente até a cômoda que deixava alguns porta-retratos expostos, mas apenas um tomou sua atenção, a foto do time 7. – Odeio quem mente para si mesmo! Ele permaneceu de contas para mim, encarando a fotografia. – Se lembra do último bilhete que te mandei? – não respondeu – Eu sei que você leu, e sei que este pode ser um dos motivos de estar aqui. Eu não sou tão burro quanto antigamente. Disse entre dentes, encarando o chão. – Não é como se eu me importasse. – Soou rude. – Pois farei você se lembrar dele seu i****a! – alterei minha voz com extrema frustração. “Você não acha que é melhor ser extremamente feliz por um tempo curto, mesmo que você o perca, do que ficar -bem- por toda a sua vida?” Pronunciei as mesmas palavras enviadas recentemente em um bilhete para ele. Apesar de não dizer nada ou expressar-se, eu o conhecia, e sabia muito bem que ele tinha lido o bilhete, estava tenso desde o momento que disse as palavras. – Kakashi uma vez mencionou algo e tenho certeza de que você se lembrará disso. “Quem quebra as regras pode ser considerado lixo, mas quem abandona seus amigos é pior que lixo!” Minha vontade era de lhe dar uns socos, dizer o quanto ele era ingrato por tudo. – SEU INGRATO! – Pronto falei.
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