Day 1

4381 Words
Eu realmente desejei você como um louco. Eu sinto que você se sente como o destino. Mesmo que seja difícil, mesmo que seja perigoso. Eu te sinto mesmo no meio de uma tempestade. Eu te amei, foi só por isso que eu existi. Em meu mundo sem o sol e a lua, só tem você. As folhas já começavam a cair devido o outono, uma brisa mais fresca indiciava uma proximidade do inverno. Sentir o clima quente mudando para o frio era uma como se fosse uma espécie de renovação para mim. Era a mudança do meu relacionamento com Sasuke. Eu não era mais sua amiga ou parceira de time, era sua esposa. E eu queria aproveitar essa transformação da mesma forma que aproveitava a mudança das estações. Parecia natural, certo. — Vou tomar banho. — Sasuke anunciou retirando seu casaco e o dobrando sobre a poltrona da direita. Ele andou calmamente em direção ao banheiro. — No chuveiro? — perguntei incerta. Ele parou de frente a porta e me olhou se soslaio. — Me parece que chuveiros fazem esse serviço. — murmurou com um indício de zombaria na voz. — Sasuke-kun. — censurei. — Não deboche de mim. — fiz bico soltando um pequeno sorriso nos lábios do meu marido. — É porque eu iria me convidar. Imediatamente pensei em lhe retribuir a brincadeira. Os olhos de Sasuke arregalaram-se, e um tom avermelhado surgiu em seu rosto. A cara de atônito me fez gargalhar antes mesmo do previsto. O Uchiha ainda continuava no mesmo lugar onde parara a alguns minutos. — S-sakura. — gaguejou de olhos fechados. Caí de joelhos no chão, não conseguia controlar as gargalhadas que insistiam em sair livremente. Quanto mais eu me lembrava da sua reação, mais engraçado eu achava. — Tsc. — o som audível da respiração dele mostrou o quão irritando ficara, em seguida ouvi o barulho da porta do banheiro se fechando. Seu banho não demorou muito. Sasuke saiu do cômodo apenas com uma toalha enrolada na cintura. Eu me perguntei se aquilo era uma tentativa de me intimidar, mas logo seu silêncio respondeu que eu estava pensando demais. E o Sasuke que há pouco tempo brincava não estava mais ali. Senti-me um pouco nervosa e questões hesitantes rodopiavam na minha mente. Será que ele se trocaria na minha frente? Já se sentia tão à vontade assim? Porém novamente notei meu engano quando o vi voltar calmamente para o banheiro segurando algumas coisas na mão que indicavam ser sua roupa. Suspirei. Será que ele levou aquela brincadeira a sério ou é somente Sasuke sendo Sasuke? Em alguns minutos ele saiu novamente, desta vez vestido um kimono preto confeccionado a partir de algodão, embaixo uma hakama larga, mas que evidenciava que fora feita especialmente para seu corpo. Vê-lo em trajes tradicionais me fez sentir orgulho de ser sua esposa, e isso me trazia uma sensação boa. Sasuke se mostrava um jovem rapaz comum, quem o visse com estes trajes jamais o reconheceria como um ninja, parecia um príncipe feudal. Seus cabelos negros molhados provocavam nele um ar mais atraente do que o normal. Levantei-me do chão, peguei uma pequena bolsa com objetos pessoais e entrei no banheiro. A água quente relaxou meus músculos rígidos e lembrei da imagem do Uchiha vestido de quimono. (repetição) — Ah, Sasuke-kun. — sorri. Saí do chuveiro, vesti uma yukata azul marinho destacado por flores delicadas. Respirei fundo sentindo o nervosismo voltar a tomar conta de mim. Pensar em Sasuke me esperando do outro lado da porta fazia meu sangue correr mais rápido e eu conseguia ouvir meu coração nos ouvidos. Engoli a seco e andei até a pia. Devido a dificuldade de me olhar no espelho por conta do abafamento do banheiro, abri a torneira e deixei uma água fria descer, peguei uma pequena quantidade e joguei no espelho numa tentativa de limpá-lo, por fim eu conseguia me ver no reflexo. Perguntei-me se eu parecia tão ansiosa quanto me sentia. Sasuke não conseguia ler minha mente, mas nesse ritmo ele conseguiria ouvir meu coração sem apelar para nenhuma habilidade. Sentindo estar estendendo o momento mais que o necessário eu peguei minha escova de dentes e escovei tempo o suficiente para me certificar o hálito agradável. Alcancei um pente e comecei a pentear meu cabelo mais vezes do que realmente precisava. Obriguei-me a parar antes ficasse careca. Seria cômico se não fosse trágico. Prendi o que sobrou dos meus fios com um elástico num coque baixo e deixei apenas a franja solta em minha testa. Abri minha bolsinha e analisei as maquiagens que Ino me fez comprar. Esforcei-me para lembrar a ordem de como os manuseava, mas desisti antes mesmo de começar. Suspirei me encarando no espelho e pigarreei tentando me tranquilizar. Resolvi usar apenas um ** para ocultar de vez a pequena olheira e um batom leve que deixava meus lábios em um tom rosado natural. Abri a porta lentamente sentindo o choque do clima quente de dentro do banheiro com o ambiente frio do quarto. Olhei em volta na meia luz e não vi o Uchiha, dei algumas voltas no quarto, o que se mostrou em vão. Andei até a varanda do quarto e de lá pude ver sentado num chabudai numa área privada de frente para uma cachoeira artificial. Sasuke estava entretido lendo um livro com um copo de chá quente sob a mesa. Um sorriso brotou automaticamente nos meus lábios enquanto pensava. Meu marido. O sentimento de posse arrepiou os pelos dos meus braços e foi bom. Desci para encontrá-lo e cheguei a tempo de ver a cena de uma moça alta de longos cabelos castanhos se aproximar. Parei onde estava e cruzei os braços para observar melhor. Ela expôs algo em suas mãos e ofereceu a Sasuke, que a princípio negou, mas o que mais me incomodou foi ver o momento que o Uchiha encarou a moça mesmo que sem lhe dar a palavra. Ergui a sobrancelha direita enquanto uma minha cabeça esquentava. Sasuke pouco fazia questão em olhar para o rosto de alguém. Minha inner insistiu para eu pegasse aquela mulher pelos cabelos e a arrancasse dali. Retomei minha caminhada em sua direção, parei, observei que a moça era jovem e sorria para ele. Em suas mãos havia dorayakis cobertos em um guardanapo. — Hum, vejo que cheguei em boa hora, querido. — eu disse com uma voz doce e polida. Sasuke fechou os olhos como se pudesse evitar a cena a seguir. — Não sabia que um ryokan tão elegante como este vendia doces nas mesas dos clientes... — alternei o olhar entre ele e ela. — mesmo quando não fazemos o pedido. O sorrido da moça diminuiu e ela finalmente me olhou, pareceu incomodada por eu ter interrompido sua investida patética e me fuzilou com os olhos. — Perdão, — ela disse tentado manter o mesmo tom de voz que eu. — há um engano, não sou uma vendedora, sou uma cliente. — frisou. — Este dorayaki é apenas um presente a este — piscou para ele. — lindo rapaz. Ela sorriu para Sasuke. Ele nem se dispôs a levantar os olhos. Levei a mão, peguei um doravaki e o comi. Geralmente não era do meu feitio reagir dessa forma, mas em tal situação eu deveria fazer algo. Ela abriu a boca, chocada com minha reação. — Eu agradeço por tamanha gentileza, — disse com a boca cheia. — não tinha noção do quanto podiam existir pessoas amáveis neste mundo. Raiva brilhos nas pupilas dela, mas eu conseguia ver que a moça se contia para não fazer um escândalo na frente de Sasuke. — Mas não era para você. — ela retrucou. — Ah, — limpei as mãos no guardanapo que ela trazia. — claro, era para o meu esposo, sim? — ela arregalou os olhos ao me ouvir. — Ele não come doces, mas eu amo. — limpei os lábios e sorri. — Deixe-os aqui, — apontei para uma mesa ao nosso lado com indiferença. — você provavelmente adivinhou que eu amo isso. Ela estava paralisada com a nova informação que Sasuke era casado por isso peguei o guardanapo de sua mão e coloquei na mesa. Entrei na sua frente, ajoelhei-me e sentei por cima dos pés no chabudai para que ela pudesse ver o símbolo dos Uchiha no meu yukata. — S-senhora Uchiha — gaguejou —, e-eu sinto muito, não imaginava que esse... que ele... — se atrapalhou. — tão jovem já seria casado. De qualquer forma, me deem licença. Eu não voltei a encará-la. Fuzilei a expressão impassível de Sasuke, que em algum momento abrira os olhos, mas ele agiu naturalmente como se nada o incomodasse. Exceto pelo ocorrido mais cedo foi um fim de tarde bastante agradável. Ficamos um tempo ali, tomamos chá, jantamos e em seguida voltamos para nosso quarto. Peguei o futon guardado no armário e o ajeitei no ambiente principal da sala. Sasuke me observava arrumar nossa cama. Eu estava um pouco nervosa com o que aconteceria a seguir. Seria algo espontâneo ou seria necessariamente algo como tirar a roupa e fazer? Estremeci internamente. Não, raciocinei, em um belo livro de romance geralmente é um clima romântico e o rapaz que toma a iniciativa. Meus pensamentos hesitaram. Mas como confiar essa parte no Sasuke? Provavelmente ele está pensando nisso também. Ou não? Talvez ele realmente não se importe em ficar pensando em coisas como esse tipo, talvez ele não se sinta inseguro e saiba realmente o que fazer. A porta do quarto foi aberta e passos calmos surgiram. Ele fechou a porta atrás de si e entrou em silêncio. Foi ao banheiro, escovou os dentes e ainda em silêncio veio em direção ao futon. Fiz o mesmo que ele e fui ao banheiro, escovei meus dentes, retirei o elástico do cabelo liberando-os. Eu estava nervosa, inquieta e ansiosa, me sentia envergonhada ao pensar na possibilidade de ficar nua em sua frente. Corei quando imaginei o momento. Joguei água em meu rosto e na minha nuca. A Sakura que me olhava no espelho estava tímida, mas havia um brilho de excitação nos seus olhos. Mordi os lábios, respirei fundo e voltei para o quarto secando-me. Imaginei que o encontraria me esperando, mas me enganei. O desapontamento me invadiu. Sasuke já estava deitado, com os olhos fechados. Me aproximei e me deitei no lado vazio do futon. Houve um silêncio incômodo no ambiente, e eu fiquei frustrada quando algo veio em minha mente. Seria possível... — Sasuke-kun? — silêncio. — Sas... — Hum? — Já está dormindo? — sussurrei e torci as mãos nervosamente. Eu não tinha a mínima ideia de como entrar nesse assunto sem parecer que estava pedindo algo. — Quase. — ele murmurou baixinho. A rejeição me inundou e pensamentos duvidosos me soterraram como uma avalanche. Seria possível ele não sentir atração por mim? Seria esse o motivo pela qual não me procurou? — Está cansado? — perguntei. Eu poderia ter entendido errado, não é? O típico silêncio que Sasuke trazia antes de dar uma resposta teve um novo significado naquela penumbra. — Um pouco. — respondeu polidamente. Hesitou e depois pareceu se esforçar a continuar. — E quanto a você? — Um pouco também. — retruquei. Eu não queria que Sasuke se forçasse a me responder. Eu era a sua esposa, mesmo assim não conseguia ser mais próxima que uma amiga. Me perguntei se havia algo de errado comigo. O barulhou da onsen, mesmo que distante, era o único presente. Seria possível que eu não fosse atraente a seus olhos? — Talvez eu não seja tão atraente. — Não seja tola. — a resposta ríspida dele me assustou. Como se ele não suportasse que eu tivesse esse pensamento. Minha respiração ficou pesada e eu não podia encará-lo. Tampouco conseguiria. Mas não era um grande problema já que eu sabia que ele não estava me olhando também. — Foi um dia e tanto, — ele começou. — ambos estamos cansados, e apesar de ter consciência da expectativa para este... acontecimento... — ele ponderou. — tsc. Apenas não pense coisas absurdas. E apesar da vergonha que eu sentira nesse momento me senti aliviada por escutar da sua boca que não se tratava de falta de atração. Sasuke tinha razão, não era algo em que fossemos obrigados a fazer porque tem que ser feito. Hoje foi um dia cheio, nos casamos e ainda andamos bastante para chegar no Ryokan. Saber que Sasuke pensava de forma tão madura fez com que eu me sentisse respeitada. De certa forma, ainda que parecêssemos dois desconhecidos em um mesmo futon, era como se ele estivesse esperando de forma natural o momento para ser especial para mim. *** Tentei abrir meus olhos pela manhã e eles fecharam-se por reflexo quando a luminosidade do dia me incomodou. Esfreguei novamente meus minhas pálpebras, sentei-me e abri os olhos cuidadosamente. Bocejei e busquei a presença do meu companheiro no futon. Estava sozinha. Procurei Sasuke pelo quarto e o encontrei sentado na mesa baixa. Levantei e me espreguicei, seus olhos passaram rapidamente por mim, mas logo sua atenção voltou ao livro. — Bom dia, esposo. — murmurei e sorri largo ao me escutar pronunciar a palavra, esposo. Sasuke me olhou novamente e assentiu. Entrei no banheiro e tomei um banho demorado. Vesti o mesmo yukata da noite anterior, penteei meus cabelos em coque baixo, e amarrei com o elástico. Me olhei no espelho e tive certeza de que minhas energias estavam todas renovadas. Eu me sentia bem, eu estava bem. Saí do banheiro e Sasuke estava na mesma posição que eu o deixara. Andei em sua direção e o abracei passando minhas mãos por seu pescoço, seu cheiro era o meu aroma favorito. Senti-me feliz por ser a pessoa que terá esse tipo de liberdade com ele. — Já tomou café? — Ainda não. Me esperou, sorri entusiasmada. — Então, vamos? Sasuke me analisou por um breve momento, sua tentativa de eu não perceber fora em vão. Os olhos escuros dele me diziam mais do que eu achava que ele mesmo diria. — Então, o que acha? — levantei-me e girei no meu eixo com um sorriso largo. — Estou bonita? Ele me olhou numa tentativa disfarçada de parecer indiferente, o que foi um fiasco. Um leve sorriso surgiu no canto de seus lábios, mas logo desapareceu. Desviou o olhar. — Hump. — murmurou sinalizando que aquele era o fim da conversa. Mas só isso não bastaria para mim. Não agora que compartilhávamos o mesmo sobrenome. — Vai Sasuke-kun, você nunca me elogia. — reclamei. — Eu sempre te elogio várias vezes. — tentei apelar para sua empatia e fiz um bico. Ele hesitou, mas por fim acabou não cedendo. — Tsc. — Sasuke me ignorou e saiu, visivelmente tímido. Balancei a cabeça e o segui. Calmamente fomos até uma área privada onde tomamos nosso café da manhã. — Sasuke-kun? — chamei sua atenção. — Quero ir à vila hoje, — anunciei. — soube que a Vila da Ceifa tem muitas paisagens lindas e que o mercado é farto. Ele demorou me dar uma resposta, e na sua hesitação pude sentir que não era algo que o entusiasmava particularmente. — Talvez esperássemos o almoço — disse com desinteresse — e em seguida nós vamos. — Ah, — inclinei-me para ele para que Sasuke visse a excitação nos meus olhos. — ainda são oito e meia, — argumentei. — antes do almoço estaremos aqui. Vamos! — fiz bico. Ele bufou, levantou-se e foi para o quarto. Comemorei internamente, não esperava que Sasuke-kun fosse tão controlável. Sorri. O primeiro ponto que eu queria visitar era o Monte Fuji e foi um momento muito especial para nós dois. Insisti para Sasuke me acompanhar nas oferendas destinadas ao Fuji-san. Isso tomou nossa manhã inteira, mas eu simplesmente tinha desistido da opção de voltarmos para o Ryokan. Almoçamos no delicioso restaurante de sushi chamado Shutoku, uma experiência ímpar com peixe fresco, apenas 8 lugares em um lugar escondidíssimo, o que deixou Sasuke menos emburrado. Em seguida, visitamos o mercado Tsukiji e todas as suas tendas. Eu simplesmente não conseguia me controlar com tantas coisas bonitas e interessantes, eram tantas barracas e vendedores ambulantes que eu simplesmente queria ver de tudo. Sasuke soltava suspiros audíveis e o seu humor estava péssimo para conversas. — Com licença, senhora, — sorri para uma senhora de uns 60 anos de idade e ela me devolveu um sorriso simpático. — geralmente a Vila é sempre tão movimentada assim? Ela assentiu. — A nossa vila é sempre agitada. Mas hoje está uma maior movimentação por se tratar de ser sexta-feira. — ela percebeu minha expressão confusa e acrescentou: — Este fim de semana em especial temos o Festival das Cores. — Festival? Como é este festival? Nunca ouvi falar. Olhei atrás de mim a procura de Sasuke. Encontrei-o a poucos passos de mim, ele olhava de forma entediante para os lados. — Tem muita coisa por todo lado. — ela riu. — Vocês vão ver apresentações, música, teatros, corridas, jogos. E principalmente muita comida regional e souvenires. Assenti. — E por que esse nome? A senhora abriu a boca para responder, mas aparentemente pensou melhor. Seus olhos demonstraram uma malícia bondosa. — Você saberá. — disse por fim. Ela voltou a sorrir de forma simpática, mas fiquei curiosa por tamanho mistério. Na próxima barraca eu quase pulei em deleite. — Olha isso, Sasuke-kun! — esperei minha companhia se aproximar, mas ele não o fez. — É um chaveiro em formato da raposa! — sorri, cliquei num botão onde as 9 caldas se moviam. Ele bufou. — Isso é tão baka quanto o próprio Naruto. — reclamou num resmungo. Gargalhei. — Pode embrulhar, levarei. — desci minha mão para pegar o dinheiro na minha bolsa e minha carteira estava vazia. Meu dinheiro tinha acabado, e era o primeiro dia. Arregalei meus olhos. Senti os olhos de Sasuke sobre mim, fiquei envergonhada em dizer que o dinheiro que separei para sair, simplesmente acabou com as besteiras no caminho. — Quanto foi? — a senhora deu o preço, ele tirou de sua carteira e pagou. Virei-me para ele sentindo minhas bochechas quentes e ele me entregou a compra. — Sasuke-kun, que vergonha. — tapei meu rosto. — provavelmente maior parte do meu dinheiro foi nesse kimono para a Hinata, e nessa maquiagem cara para a Ino. Seus olhos passaram rápidos sobre as inúmeras sacolas em minhas mãos. Indicando que o meu dinheiro provavelmente foi naquelas sacolas. Mais ao longe, uma barraca me chamou atenção como um oásis no deserto. — Vem, Sasuke-kun! ­— chamei animada. — rápido, venha mais rápido! Ele me seguia emburrado a passos lentos. Olhei algumas ervas numa tenda. Concluí que eu provavelmente precisaria daquilo. — Uma por favor. — Huh? — Sasuke se aproximou e arqueou a sobrancelha direita. — Nós já temos isso aqui. Ele abriu uma das sacolas que carregava. — No caso de não ser o suficiente, Sasuke-kun. — cantarolei como uma criança na animada. Peguei a sacola, sorri para o senhor e dei a ele. Olhei para Sasuke em expectativa, e em seguida para seu Hakama. Ele suspirou, pegou sua carteira, tirou uma nota e pagou o senhor da tenda. — Está tudo bem, Sasuke-kun. — sorri inocente piscando meus olhos. — Há vários tipos. Ele não pareceu acreditar em mim. — Eu vou na frente. — anunciou e saiu andando, impaciente. Passamos em frente uma barraca de bebidas e uma em específico me atraiu. — Ei, esta bebida me parece familiar. — busquei em minha mente. — Sasuke-kun, olha só! Ele virou-se buscando o que eu indicava. — É a garrafa que Tsunade-sama não compartilha com ninguém. — aproximei-me. — Quero levá-la para presente. Sasuke entreabriu os lábios. O senhor me entregou a sacola e esticou a mão, olhei para Sasuke e em seguida para a direção do bolso de sua Hakama. Sorri, sem encará-lo. Ele puxou sua carteira, e antes de abri-la eu a peguei e puxei para mim. — Ah, aqui, eu peguei. Eu cuido disso. Sorri largo, puxando duas notas da carteira, que por acaso estava cheia. Sasuke tentou puxá-la para si novamente, os olhos de ônix me fuzilando. — Marido, eu tenho mais para comprar. — sorri e acariciei seu ombro direito. — Então não precisarei pedir a você novamente. Ele olhou para os lados, atônito. Passamos por algumas barracas onde fiz questão de provar algumas comidas regionais, fiz com que ele provasse algumas também, em outros momentos ele também me fez provar algumas coisas das quais eu não conhecia, as vezes, os gostos eram tão ruins a ponto de nos divertirmos das caretas que o outro fazia. A cara de satisfação de Sasuke era a melhor quando me via não gostar de algum alimento em específico, talvez seja a sua forma de me fazer pagar por tanto tempo andando e comprando. — Quero três doces daqueles ali. — apontei. — Basta, Sakura. Você vai acabar passando m*l. — Só um pouco. — choraminguei. — Pode me dar 2 então. Olhei para Sasuke que voltou a me olhar em desaprovação e trincou seu maxilar. Peguei mais dinheiro na sua carteia e paguei. Sasuke saiu andando, mas eu consegui vi que nessa mesma barraca os próprios clientes faziam as massas de alimentos. — Sasuke-kun? — virei-me chamando-o. — O que foi agora? — ele se aproximou, nervoso com qual seria minha próxima compulsão consumista. — Isso é ron birmanês. — sorri encarando-o. Ele me olhou em direção as massas e voltou sua atenção para mim. — Quer provar? — Vá você mesma. — e fez menção de voltar a me dar as costas. — Ah, não, — puxei-o pelo braço. — vamos juntos! Entre meus sorrisos e seus resmungos, nós lavamos nossas mãos e em seguida as passamos pelo trigo. Sasuke estava de tanto m*l humor que quando bateu as mãos uma quantidade de ** branco surgiu, empalidecendo seu rosto. Isso foi tão engraçado que me arrancou gargalhadas e em resposta ele passou suas mãos em meu rosto. Começamos a fazer a massa e enrolá-la. Com o tempo reparei que Sasuke já se mantinha entretido em cada passo. Para quem resmungava tanto... — Sakura, — ele chamou minha atenção com o cenho franzido. — você errou, não é assim. — Mas, Sasuke-kun, — abaixei os olhos para a minha obra de arte. Na minha concepção estava tudo certo. — eu não fiz direito? — Tsc. — o lado perfeccionista dele falou mais alto. — Repita o primeiro passo. Passei a mão no trigo e rocei em seu rosto. A princípio eu corri, pois pensei que ele me mataria, mas fui surpreendida por Sasuke com uma grande quantidade de trigo na minha cara. Gargalhei em deleite e fisguei um sorriso sutil nos seus lábios. Juntos passamos a esticar a massa com a atenção de Sasuke estava toda nos detalhes. Ele podia até se recusar a fazer algo, mas uma vez que começasse ele não aceitava nada menos que a excelência. Colocamos a massa no forno e aguardamos. Quando o céu escureceu os ron birmanês que fizemos já estavam em nossa mesa com uma fina fumaça saindo deles. Ainda estavam quentes. Sasuke não quis, então eu coloquei nosso trabalho na boca. Ele me encarava com os olhos cerrados numa tentativa de descobrir se estava aprovado ou não todo o nosso esforço. — Sasuke-kun, — chamei enquanto mastigava. — você não tem fome? — ele me observava silenciosamente. — Ou você se sente cheio apenas de olhar o meu rosto, huh? — provoquei com um sorriso. — Tsc. — bufou. — Devolva minha carteira. — ele fugiu do assunto e esticou o braço. Afastei-me dele. — Mesquinho. — acusei e virei o rosto para ignorar seus olhos indignados sobre mim. Sasuke continuou com a mão esticada. Maquinei internamente. Aproximei meu rosto e coloquei meu queixo em sua mão, sorrindo. Ele desviou os olhos e tirou a mão, timidamente. Peguei a carteira e lhe devolvi, com bico. Ele fez gestos negando com a cabeça, com uma sorrido curto de lado. Abriu a carteira e o sorriso desapareceu na hora. Os olhos de Sasuke estavam arregalados. — Huh? S-Sakura! — eu olhei para os lados em busca de algum lugar para onde correr naquele instante. — se todo meu dinheiro tivesse aqui.... — Sasuke estremeceu e fez uma careta. Me contive para não rir daquela situação. Ele estava boquiaberto. Num suspiro eu percebi o quanto me sentia feliz. Jamais imaginaria que eu e Sasuke estaríamos dividindo um momento tão normal. — Você ainda tem muito aí. — acusei e apontei para ele. Peguei um onigiri e o levei em direção a sua boca. No primeiro instante ele quis negar, olhou para os lados, mas em seguida simplesmente abriu a boca e me deixou colocá-lo lá. Sorri, vendo-o mastigando, sem me encarar. Lavamos nossos rostos e agradecemos aos donos da tenda. No caminho de volta para o hotel paramos em frente um templo. Tive que implorar para Sasuke parar comigo para que pudéssemos ver através da água o que dizia. Numa pequena poça começamos a tentar desvendar o segredo. A princípio ele se mostrou desinteressado, mas com minha curiosidade ele passou a observá-la, em determinado momento nossos rostos se encostaram. Quando viramos estávamos perto o bastante para nossas respirações se misturarem. Analisei seus gestos. Seus olhos encaravam meu rosto e lentamente desceram para meus lábios, — Uma vez eu li num livro uma lenda onde diz que o poço era para o rei quando ele vinha orar. — Ele me escutava, mas sem me encarar. — Como ele usava uma coroa, — continuei numa voz baixa. — ele não conseguia abaixar a cabeça sem que ela caísse. Então, ele sempre estava de nariz em pé, e muitos até diziam que essa era a postura de sua arrogância. — parei por um momento e sorri encarando seus cílios longos. — Isso me lembra um pouco você, está sempre de cara fechada para outras pessoas e sabe que é bonito. — provoquei segurando seu queixo. — Basta, — Sasuke se afastou, mas ainda pude ver uns pontos vermelhos cobrindo suas bochechas. — agora vamos voltar. Já são oito da noite. Aquiesci, sorrindo.
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