Uchiha Sarada

4286 Words
Mesmo sem dizer uma palavra eu podia adivinhar, apenas olhando nos olhos do meu marido. Sim, marido. Há 3 meses e 5 dias estávamos em uma viagem que por anos sonhei em acompanhá-lo. Eu sentia falta de Konoha. Dos meus pais, das crianças na minha clínica de assistência médica mental e, principalmente, deles: Naruto, Kakashi, Ino, Tsunade, Shizune e até do Sai. Mas estar com Sasuke... ou melhor, a sensação de estar com Sasuke era simplesmente insubstituível. Eu realmente estava acostumada a tê-lo tão perto o tempo inteiro, de perdê-lo de vista por apenas alguns instantes, de não sentir o velho sentimento de "falta algo". Eu estava feliz, me sentia feliz. Claro que se eu pudesse dizer, meu sonho era estarmos em Konoha juntos, vivendo como um casal de Shinobis comuns com suas missões e responsabilidades, mas... em Konoha. Entretanto minha Inner logo me puxava das nuvens para o chão, me alertando sobre o quão alto eu estava voando, imagina, com um marido de personalidade fria com sua voz rouca e raramente seu sorriso suave. Ah... E lá estava eu. Já suspirando novamente por ele. Mas como não me apaixonar perdidamente? Nesses últimos meses eu pude presenciar pequenos gestos vindos do Sasuke que jamais esperei e até imaginei que seriam impossíveis. Claro que sempre muito sutis, pois ainda era o Uchiha Sasuke . Eu poderia resumir que nessa viagem nós fizemos muito amor – e fizemos mesmo –, que mesmo numa tentativa de ocultar suas intenções e usando justificativas a respeito de vestígios para nossa missão, Sasuke me levou a lugares maravilhosos e compartilhamos momentos marcantes, e olha que foram apenas 3 meses, e eu já estava empolgada para usufruir mais dessa jornada. Mergulhamos num lago a noite, ah!, esse dia tive que fingir estar me afogando para levar meu marido para a água. Incentivei Sasuke a tomar banho na chuva comigo. Na verdade, quando ele disse "que ridículo, Sakura" eu saí correndo pela chuva rindo feito uma boba e, descuidadamente, escorreguei e torci o tornozelo. Ele teve que ir para chuva e me levar nas costas. Eu até me curei, mas fingi ter dificuldades em me manter no chão. Infelizmente, ainda no caminho de volta ele descobriu a farsa e ficou com um péssimo humor. Uma noite eu estava chateada por ele estar distante, focado em algumas pistas que encontramos, bebi mais do que deveria e acabei assediando-o no quarto da pousada. No outro dia eu não tive coragem para encará-lo após me recordar das coisas obscenas que eu o tinha prometido fazer. Era divertido ter estas lembranças e constatar a mulher que me tornei após o casamento. Sasuke me levou a lugares sagrados pois sabia como eu levava a sério, me disse sobre lendas horripilantes que me fizeram dormir agarrada a ele, e me contou lindas histórias sobre lugares e coisas das quais ele havia escutado. Contudo uma das experiências mais incríveis nesse pouco tempo foi numa tarde enquanto atravessávamos o continente e vi um espetáculo. A emoção do momento fez meus pés tremerem. — S-s-sasuke-kun. — gaguejei. Os músculos ao redor dos pelos no braço se contraíram. Havia um fenômeno luminoso no céu e o que o impulsionava era o vento solar. Eram formados pontos luminosos e faixas circulares e horizontais, cheias de cores. — Aurora Boreal. — ele disse, indiferente. — É o nome do fenômeno. Percebi seus olhos presos em mim. Sasuke parecia admirar mais a forma com que eu contemplava aquela beleza do que com o próprio céu. — C-como pode existir algo tão atraente e tão deslumbrante como isso? — Esse fenômeno ocorre durante tempestades solares, quando um gás plasma, que é eletrizado por partículas de elétrons e prótons, parte do Sol. — Sasuke agia como se aquilo fosse apenas uma ciência, algo indiferente. — O plasma entra em contato com a atmosfera e com o campo magnético da Terra, que funciona como um escudo contra essas partículas vindas da nossa Estrela-Mãe. Ele era inteligente. Ele era um gênio. Sasuke podia explicar qualquer coisa, podia lidar com qualquer fato. — Imagina o Naruto aqui! — soltei uma gargalhada me lembrando do loiro destrambelhado. — Estaria tendo uma hipotermia. — a resposta de Sasuke veio rápida. Eu ri da maneira que ele mencionara Naruto, quanto mais ele tentava ocultar, mais era nítido o carinho que ele sentia por nosso amigo. — Dando trabalho para variar. — Sabe que isso é até engraçado? Ele realmente estaria reclamando do frio e de como cairia bem o rámen do Ichiraku nesse momento. Sasuke soltou um sorriso sutil. * Me assustei ao sentir o imenso chakra de Sasuke se aproximar e as lembranças desapareceram. Ele surgira segurando uma lasca de p*u presa em dois coelhos caçados. Sentou-se num tronco não muito distante de mim e com uma pedra começou a limpar os animais, abriu a barriga dos coelhos e saiu rompendo a pele dos animais. Um desconforto atingiu meu estômago e uma saliva excessiva se manifestou na minha boca. Quantas vezes eu mesma limpei coelhos, capivaras e muitos outros animais durante acampamentos em missões? Não existia justificativa para eu estar me sentindo assim e sem possibilidades para ser repugnância. Engoli a saliva e o embrulho aumentou devido o ato. Passei a mão sobre meu pescoço. Sasuke arrancou os órgãos do animal para fora, se certificando do asseio e mesmo que estivesse evitando tal situação, fora imprevisível. O bolo subiu pelo tubo do meu esôfago. Me levantei depressa do tronco e saí correndo para um local onde não fosse possível Sasuke me ver numa situação tão suja. Não consegui me afastar muito e logo o vômito saiu pela minha boca e meu nariz. Eu era médica, mas se existia algo de que eu tinha medo, era vomitar. A sensação de estar saindo coisas dentro de mim e de não conseguir respirar me causava fobia. Mãos tomaram meus fios soltos que insistiam em ficar no meu rosto, virei o rosto a ponto de ver Sasuke me olhar preocupado, porém antes de lhe pedir para sair, voltei a vomitar. Alguns minutos depois tentei me restabelecer, embora sentisse meu corpo ainda fraco devido a perda dos nutrientes. Uma recordação surge em minha mente, não pode ser. — S-sa... Eu não conseguia sequer proferir o nome dele. — Sakura, você está bem? Meus olhos arregalaram, levei minha mão automaticamente afastando o Uchiha de perto de mim. — Po-por favor. M-Me deixe sozinha. Uma ruga formou-se nas sobrancelhas dele, que tentou me descodificar assim como fazia com seus pergaminhos. Mas felizmente ele se virou e andou lentamente de volta para o acampamento. Meus joelhos se afrouxaram quando levei minha mão até meu abdômen. Notei imediatamente a presença do outro chakra sadio dentro de mim. Eu estava grávida. Os pêlos dos meus braços se arrepiaram e uma ansiedade tomou conta de meu estômago, provocando sensações internas. Andei cambaleando em direção a uma lagoa perto dali, me agachei na beirada fechando minhas mãos como uma concha e peguei água levando-a para minha boca, lavando-a. Repeti o ato novamente, dessa vez engolindo-a. Eu não conseguia racionar a respeito da minha descoberta. Toquei minha barriga, sentindo novamente o chakra semelhante ao do meu marido. Meus lábios tremeram e meus olhos arderam, eu queria chorar, contudo sabia que tinha que ter controle. Eu estava feliz? Claro que eu estava. Mas eu também estava com pavor. Qual seria a reação dele? Sasuke nunca foi aquele que planejava seus futuros filhos ou que falava sobre isso, foi tão perturbado com os acontecimentos quando ainda era uma criança que eu nem sabia se... ele estaria preparado. O que ele iria achar sobre isso? Logo agora, com apenas 3 meses de viagem! E se ele não aceitasse? Um turbilhão de perguntas rondava minha cabeça e a incerteza camuflava a felicidade que eu também sentira pela revelação. Voltei com muita dificuldade para o acampamento. Avistei Sasuke assando os coelhos na fogueira, eu sabia que ele notara minha presença, mas não me olhou, continuou virando a lasca com a caça. Andei em direção ao tronco, o nervosismo me presenteou uma dor de cabeça incômoda. Estava completamente insegura sobre a reação de Sasuke a respeito da notícia que eu nem sabia como dá-la. Minhas mãos tremiam, tentei segurá-las. Percebi o olhar de soslaio de Sasuke, eu o conhecia, ele estava esperando que eu dissesse algo, porém eu não conseguia. Encarei as chamas alaranjadas da fogueira a minha frente. — O que você tem, Sakura? Minha respiração ficou descompensada. Eu pensei em não dizer. Pensei em adiar. Mas eu não conseguiria, e logo ele mesmo sentiria o chakra além do meu. — O-o q-que eu tenho? — gaguejei. Desviei meus olhos da fogueira para o Uchiha sereno, do outro lado. — Um filho seu, Sasuke-kun. Sasuke deixou de de virar os coelhos e parou sua mão no ar. — Eu estou grávida, Sasuke-kun. — repeti, ainda usando um tom baixo. Engoli a seco, busquei identificar a reação de meu marido, mas não havia o que ler. Sasuke me olhou silencioso, não piscava, estava imobilizado. Mordi meu lábio inferior, tentando segurar meu nervosismo. Após alguns segundos ele se moveu, desviando o olhar de mim para a fogueira, abaixou a mão. O Uchiha continuou vestido de silêncio. Dessa vez, eram as chamas que ganharam sua atenção, os olhos estreitos indicavam o quão longe Sasuke estava dali. POV – POINT OF VIEW SASUKE Grávida. Um filho seu. Essas palavram ecoavam em minha cabeça num som mais alto do que eu aturaria. Sakura também estava num estado de nervosismo. Era isso que eu mais admirava nela, a facilidade que ela tinha em expressar o que sentia e o que estava pensando. Suas mãos tremulavam nitidamente, sua respiração estava irregular e ela me encarava numa tentativa de decifrar o que eu estava pensando, o que eu sabia muito bem que seria em vão. Porque nem eu poderia entender o que eu estava pensando após a notícia. Eu não entendia as minhas emoções e o que estava passando em minha cabeça. Pai. Mãe. Itachi Alguns flashbacks de quando eu ainda era criança surgiram em minha mente. Itachi ainda jovem e eu buscando sua atenção. Minha mãe tão carinhosa me amparando na cozinha enquanto eu chegara ferido de um treinamento, viera até mim, questionando a minha imprudência e em seguida cuidando dos ferimentos. E meu pai, tão reservado. Era isso que eu temia. Era assim que eu me via como um pai. Como o meu, como Fugaku. Distante, faltoso e negligente. Eu era muito pequeno para entender, e meu filho, entenderia? Eu nunca havia me imaginado diferente, e isso me assustava. Porém era mais que isso, a ideia de ter novamente uma família me assustava, e era irônico como essa palavra existia em minha vida nesse instante. Medo de ter e depois perder. Eu sabia que por possuir um par de olhos extremamente raros e poderosos, eu oferecia extremo risco à Konoha e com isso a minha família. Todo esse poder sempre atrairia vilões e nukenins, expondo quem estivesse ao meu lado. Demorei aceitar Sakura em minha vida justamente por isso, porém ela é muito forte e esse foi o fato que me fez mudar de ideia. Na verdade, o meu egoísmo me fez mudar de ideia. Mas uma criança. Um filho meu. Era demais. Como será a vida dessa criança? Como vou mantê-la segura se eu sou o motivo para seu risco? Eu poderei ser um pai presente? Eu serei um bom pai? Como era ser um pai? A imagem de Itachi surgiu novamente em meus pensamentos. Ele sempre esteve lá por mim, do seu jeito, mas esteve. E ele ainda era filho de Fugaku, ainda era um Uchiha. Uma mudança repentina surgiu como uma sensação recém-adquirida. Eu me senti aquecido com um questionamento: Terá meus traços? E eu estava ali, visivelmente curioso para saber se viria um pequeno Uchiha ou uma pequena Uchiha. Um sentimento. Uma sensação como um pico de adrenalina se instalara em mim, um filho. Eu poderia desejar silenciosamente que esta criança tivesse os olhos dela. Que adquirisse a doçura, a simpatia de Sakura, entretanto que tivesse um equilíbrio em relação ao temperamento feroz, e que nunca recuasse a partir de nenhuma discussão. Eu não imaginava, não esperava. Mas lá estava eu sentindo uma expectativa a respeito daquele ser, embora as muitas incertezas e inseguranças, eu sentia algo bom, algo que me faltava. — Saa-suke-kun. — a voz de Sakura vacilou. Me lembrei que minha esposa estava ali. Minha atenção voltou às chamas alaranjadas da fogueira. — E-eu sei que este não era o melhor momento. São apenas 3 meses dessa jornada e... nem sei se você queria isso. Me des... Eu sabia que Sakura esperava uma reação minha, ela esperava mais do que meu silêncio. Um suspiro profundo escapou de minha boca. Instintivamente eu tentava me esquivar, demonstrar afetos físicos ainda me privava terrivelmente. Sakura era incrivelmente intensa e eu entendia que esse momento ela precisava que eu novamente me superasse a respeito de minhas palavras e dos poucos gestos. — Sakura, só sei que eu... — hesitei. — as vezes preciso que tenha paciência. Ela me encarou confusa. Levantei-me do tronco e fui em sua direção, embora eu quisesse correr para ela, apenas mantive os passos demorados. Estava perto o bastante para notar seus olhos marejados, sua testa franzida, sua linha d'água avermelhada. Me agachei, toquei suas mãos segurando-as firmemente para que bloqueasse o tremor. — Sasuke-kun... — Eu protegerei vocês com minha vida. Ela piscou, seus olhos arregalaram-se e logo lágrimas encheram suas órbitas. Ela entendera. Sakura se levantou num movimento brusco e pulou em cima de mim num abraço forte. Meu corpo se desequilibrou pela surpresa e caímos no chão. — Sa-sakura. — as emoções dela revelavam um pouco da força física da kunoichi que eu escolhi como minha esposa. — N-não c-consigo respirar. Ela se afastou e suas maçãs do rosto se avermelharam. Por um momento mostrou-se desajeitada. Seu olhar estava suave e um brilho evidenciava a felicidade em que minha esposa se encontrava. Logo eu acabei sorrindo de canto. Eu esperava. Eu desejava. Eu faria qualquer coisa que fosse necessária para que esta criança não cometesse os mesmos erros que eu cometi. E eu asseguraria sua segurança, mais do que qualquer existência nesse planeta. Lancei meus dois dedos indicadores na testa da kunoichi que trazia luz para a minha escuridão e dei um peteleco. Era uma promessa silenciosa para minha esposa. 2 MESES DE GRAVIDEZ * 3 MESES DE GRAVIDEZ * 4 MESES DE GRAVIDEZ * 5 MESES DE GRAVIDEZ * 6 MESES DE GRAVIDEZ * 7 MESES DE GRAVIDEZ * 8 MESES DE GRAVIDEZ * 8 MESES E MEIO POV – POINT OF VIEW SAKURA Aprendi muitas coisas com Sasuke no decorrer dessa viagem, fosse relacionado a técnicas ninjas ou à experiência em missões, como também no meu amadurecimento como mulher. Desenvolvi um lado tímido e reservado ao expressar meus sentimentos por ele quando outros estavam por perto. Enquanto o Uchiha, depois da revelação que seria pai, estava mais aberto a demonstrar emoções, porém ainda muito reservado em comparação com todos os outros. Faltando apenas dois dias para se tornarem 9 meses de viagem, minha barriga já estava bem grande e eu já tinha tido algumas contrações, nada fora do normal já que elas visam preparar o organismo para a hora do parto e são consideradas contrações de treinamento. Levamos a missão em diante, passamos por muitas situações perigosas, ainda ontem mesmo. Sasuke, na maioria delas, tentou me preservar, e isso me deixou muitas vezes impaciente, mas consegui provar a ele o mérito por ter superado a minha sensei Tsunade, a lendária sannin. Entretanto recentemente eu estava mais nos bastidores enquanto ele se posicionava a frente nas lutas, o peso da minha barriga impedia meus reflexos assim como minha agilidade e desenvoltura no campo de batalha. — Sakura. Vamos fazer uma pausa. — Sasuke encarou minha mão na barriga. — Não se esforce muito. Eu estava exausta já há algum tempo, mas não queria assumir isso para não nos atrasar. Estávamos a caminho de Konoha e Sasuke insistiu que a partir de agora não iriamos acampar no meio da floresta já que não era seguro para mim e para o bebê. Assenti. Eu tinha que admitir que eu precisava me recompor. Me encostei num tronco com dificuldade. Sasuke veio em minha direção e segurou meu braço, me dando estabilidade para me sentar. — Arigatou, meu amor. — Sasuke cada vez mais me surpreendia, ele era extremamente cuidadoso comigo. De sobrecenho franzido e nitidamente insatisfeito, ele me encarou. — Eu estou bem. Tirando o fato de que os dias parecem intermináveis nesse período da minha gestação. Alonguei minhas costas doloridas e suspirei. — Sakura... O corpo de Sasuke se enrijeceu tomando a minha frente, ele se colocou em uma posição protetora. Olhei em volta, não havia nada, nenhum som, embora ele continuasse em posição de contra-ataque. — Temos que ir. — Informou. Me movi com dificuldade. Muitas vezes eu evitara me sentar em lugares baixos para não passar o sufoco que estava submetida nesse exato momento. Sasuke segurou meu braço firme e me levantou, segurei minhas costas. — O que está acontecendo, Sasuke-kun? Tentei rastrear algum chakra e entender o que o incomodava. — Nada. — ele se agachou na minha frente, abri a boca surpresa com aquele gesto. Sasuke estava escondendo alguma coisa de mim e isso me deixou frustrada. — Suba. Encarei ele agachado de costas para mim. — Shannaro. — estreitei os olhos. — Me fala o que está acontecendo ou eu não vou dar um passo sequer daqui! Uma pequena contração manifestou-se, mas eu não demonstrei. O Uchiha franziu as sobrancelhas, nitidamente insatisfeito. Eu estava ciente da aura danosa que ele emanava do seu chakra. — Estamos sendo seguidos. Não quero expor vocês a um campo de batalha nesse momento, não é seguro. Meus olhos se dirigiram de um lado para o outro. Minha respiração ficou ofegante e uma aflição se fez presente. Levei minha mão em minha barriga, acariciando-a. Eu não temia nada estando ao lado do Sasuke. Reconhecia a força do meu marido desde que tínhamos 12 anos, seu desenvolvimento era muito mais avançado do que outros da nossa idade, além do mais, atualmente ele e Naruto eram os shinobis mais poderosos do Mundo Ninja e, mesmo com apenas um braço, Sasuke ainda acompanhava Naruto em batalha, apenas os dois podiam lutar de igual para igual. Entretanto nesse momento tinha uma vida dentro de mim, e só uma mãe poderia explicar a aflição que sentimos em cogitar alguma possibilidade de ver nossas crianças feridas ou de alguém as fizer algum m*l. — E-eu... quantos são? Por que não consigo senti-los? — Quatro ninjas da Aldeia da Nuvem. Estão ocultando o próprio rastro, abafando o cheiro e mantendo o chakra suprimido. Uma agonia devastadora andou entre a minha barriga até minha nuca. Uma outra contração mais forte fisgou minha coluna. Meus joelhos afrouxaram. As contrações me deram a sensação de uma água morna escorrendo pelas minhas pernas, quase me confundido com urina. Sasuke virou o rosto, verificando minhas pernas molhadas e minha cara espantada. Suas sobrancelhas se levantaram, notei que seus olhos estavam arregalados. — Sasuke-kun.... — funguei. — Existe algum hospital aqui perto? Um suor desceu por sua testa. — N-não. Estamos há 3 horas da vila, e ela não tem hospital. — ele engoliu um seco. Sasuke empalideceu. — Há uma pessoa que pode nos ajudar. E você pode ser examinada. Sem esperar minha resposta, me pegou no colo e concentrou chakra nos pés. Iniciou uma corrida e a seguir abriu um portal nos transportando para uma dimensão, em seguida surgimos em um outro local numa floresta mais a frente, ele estava usando o jutso do Rinnegan trocando de lugar com folhas e troncos a frente na floresta. Ele correu alguns minutos abrindo novamente um novo portal e trocando de lugar com uma pedra. Entramos na dimensão, e em alguns segundos ele pulara para fora da dimensão, voltando para a floresta. Sasuke estava usando muito chakra. Voltou a correr novamente entre as arvores e em seguida voltando a usar o rinnegan para nos transportar para lugares na frente. Ele minimizou a corrida, deu alguns passos firmes, o que me fez acreditar que chegamos no local que ele esperava. Estava me sentindo zonza com tantos acontecimentos, senti um enjoo muito forte. Ele se abaixou me colocando ereta. — Consegue se manter em pé? Assenti. Fiquei em pé, cuidadosamente. Olhei em volta. Era final de tarde, observei minha frente para então entender onde estávamos. — Isso é sério? — apontei para uma das bases de esconderijo do Orochimaru. — De jeito nenhum! Analisei o local subterrâneo, havia uma estátua de uma cobra com a boca aberta na entrada. — Não temos tempo para isso. — a voz de Sasuke soou mais aguda do que eu poderia ter previsto. Uma nova contração se estendeu sobre meu abdômen para minhas costas. Me agachei e soltei um grito. Foram alguns segundos de dor. Respirei, ofegante. Sasuke estava certo, não havia tempo para uma implicância boba, Sasuke nunca deixaria Orochimaru ou Karin fazer absolutamente nada com nosso bebê. Aquiesci. Ele soltou a respiração que contia, agachou apoiando meus braços em seu pescoço. *** POINT OF VIEW KARIN UZUMAKI Captei o fluxo de chakra dolorosamente familiar. Não pode ser. Chocada. Afetada. Mirei a figura de Sasuke e me lembrei de como ele fora a razão da minha felicidade quando minha vida se baseava em tubos e experiências. Podia sentir ainda a expectativa e a animação sob minhas veias ao esbarrar nele ou ficar de longe admirando-o através do seu chakra. Eu imaginava ser amada por Sasuke e isso era como um milagre, um acontecimento mágico em minha vida. Agora ele estava novamente ali, provocando em mim aquele conhecido frio na minha barriga, aquela sensação prazerosa de empolgação que me aquecia. Eu era atraída por Sasuke até pelo cheiro que ele exalava. Os cantos de minha boca curvaram-se num sorriso largo, mostrando os dentes. — Sasuke-kun! — gaguejei. Mas ele não estava só. As borboletas que voavam em minha barriga sucumbiram. Uma tempestade surgiu encobrindo aquele sol que tinha acabado de surgir na minha vida. As madeixas rosas estavam mais longas do que eu me lembrava e, embora usasse o capuz, aquela coloração era única. Porém não havia apenas o chakra de Sasuke e de Sakura, havia um outro. Distante. Suave. Segui meu olhar para a mão dela sob sua barriga. Sua enorme barriga. O quê? — Karin. — eu me desmancharia após escutar aquele tom grave novamente. Mas uma agonia me deixara sóbria. — Preciso de sua ajuda. Meus olhos seguiram a mão de Sakura para seu ventre. Grávida. Meus olhos se arregalaram, senti um soco no estômago e uma sensação de traição me atingiu. Desviei meus olhos de Sakura e evitei contato visual com o Uchiha. Pressionei meus lábios para deter a tremura que a emoção me ofereceu. Sasuke era mais impiedoso do que eu imaginava. E ela, tão dissimulada! Abaixei minha cabeça numa tentativa de conter as lágrimas que cobriram meus olhos. Não revele seus sentimentos Karin. Isso seria humilhante! Haja indiferente. Eu tinha que conseguir. — Vocês estão no lugar errado. Aqui não é hospital. Sakura semicerrou os olhos. — Já entendemos. Vamos, Sasuke-kun. Eu te falei q... Interrompi-a. — Isso mesmo. Aqui não é lugar para sua princesinha! — Chega! — Sasuke alterou a voz. — Karin, eu não estaria aqui pedindo sua ajuda se fosse dispensável. — Ela não é uma aprendiz de Tsunade-sama, a lendária sannin? — indaguei. — Melhor, não é a poderosa médica-nin? Sakura cerrou os punhos. Sua tensão muscular agitou a emanação de seu chakra. Fiz bico, evitando me sentir afligida por ela. — Ah! Me assustei com o berro da rosada. Sasuke a segurou. — Karin. — Sakura choramingou. — Por favor. Salve meu bebê. — ela fungou. — A bolsa já se rompeu. Karin. — disse, havia urgência na sua voz. — Sakura não tem condições de fazer isso em si mesma. — Sasuke franziu o rosto. — Eu confio em você para isso. Substituída. Trocada. Incompreendida. Eu estava num estado de espírito inerte. Pois tudo que eu imaginava ter com Sasuke, ele estava tendo com ela. E tudo que poderíamos ser ou ter feito se foi naquele exato momento. E sim, meu coração estava quebrado. E eu pensando se alguma vez seria opção de alguém. Estava me sentindo pisoteada Porém Sakura estava ali na minha frente, e m*l. Apesar da decepção e do sentimento de coração partido aquela cena me afetou. — Tudo bem, Sasuke-kun. Traga ela. Andei apressadamente para uma das salas da base. Acendi as luzes, limpei a maca, forrei um pano apressadamente e liguei os aparelhos. Sasuke não demorou para chegar com Sakura, ela transpirava muito e seus gritos se repetiam constantes vezes. — Sasuke. Não precisamos de você agora. Pode nos dar licença? — Não. Ele encurtou o olhar de forma quase ameaçadora para mim. Gelei. — Saa-suke-kun. — ela agarrou-lhe o braço. — Ela só precisa de espaço. Vai ficar tudo bem. Ele fechou sua mão em cima da dela. Observei aquela cena custando acreditar. Ele é tão receptivo aos toques dela. Uma memória surgiu. Quando eu tocava nele, ou quando estava demasiadamente perto, ele pedia para eu me afastar. E nitidamente desconfortável com meus toques. Mas com ela era diferente. Eles ficaram fisicamente perto o bastante, de modo íntimo e isso não lhe afligia. Ele me olhou demoradamente e em seguida saiu. Medi a kunoichi com o meu olhar, aquela que mantinha uma influência emocional sobre Sasuke. 10 horas depois.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD