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César: Amor Sombrio ( MORRO GOURMET)

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Blurb

Cesar era de Oklahoma, longe de ser um santo, tinha cometido todos os crimes imagináveis em solo americano. A polícia não conseguia colocar as mãos nele, já tinham tentado, mas a fortuna acumulada com negócios ilegais o tornava quase imune. Quando seus crimes não podem ser mais acobertados, as terras brasileiras é o destino dele, mas especificamente, a favela do Toldo. Com uma linguagem requintada e punhos de aço, a favela que era governada por um homem semianalfabeto e que aterrorizava os moradores é tomada pelos homens de César, agora a favela do Toldo tem um novo líder, ainda mais frio e sanguinário que o anterior, mas César é calculista e seus negócios mais requintados, seu negócio não era vender droga para pessoas que não podiam pagar, e acabavam mortos por isso. Ele exportava para fora e até mesmo para indústrias farmacêuticas, já que alguns países usam a cannabis para diversos tratamentos, assim seu patrimônio crescia. A favela de Toldo se tornou um lugar mais pacífico, não porque seu líder era bom, mas sim porque o controle que o traficante atual exercia era inquestionável.

César não era um homem de esconder feito rato da polícia, não havia nascido para isso. Quando uma pressão de extradição para os EUA o ameaça, ele só precisa encontrar um juiz corrupto que resolva seu problema, afinal ele é filho de pais cherokee (índios), mas havia nascido no Brasil e um casamento no Brasil resolveria de vez essa burocracia. Assim cumpriria sua pena no Brasil, trinta anos em uma prisão americana, se transformaria em 12 meses em uma prisão brasileira. Era simples e legal.

Um acordo de casamento é feito para evitar a extradição, e Paloma é entregue a ele como esposa, sem mesmo se conhecerem pessoalmente. Mas depois de 6 meses cumprindo sua pena, as prostitutas que o visitam não são capazes de o agradar, e o sangue índio dele pulsa por uma mulher que não tenha passado de mão em mãos. Era hora de reivindicar a mulher que era sua.

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Paloma
Paloma era brasileira, tinha nascido em uma família reservada e extremamente conservadora. Ainda assim foi criada longe das terras brasileiras, os seus pais haviam a enviado para ser criada na Ucrânia por seus avós. E Paloma foi feliz, muito feliz, apesar da rigidez da sua avó. No entanto, o que antes era somente uma tensão política entre a Russía e a Ucrânia se torna uma guerra. A Rússia invade a Ucrânia. E Paloma se ver perdida no meios do caos. Ela precisa sair do seu país, mas a situação financeira a impede, seria fácil sair sozinha, a sua nacionalidade brasileira garantia ser recebida em solo brasileiro sem grandes problemas, mas não poderia deixar os seus avós para trás, não em meio a uma guerra, onde ninguém podia ajudar e confortar ninguém. E o seu avô, que era o amor de sua vida já tinha quase noventa anos e abandoná-lo à sua própria sorte seria um pecado que ela não cometeria. Vô Guido tinha lhe oferecido tanto amor e bondade, era um homem justo, mas bondoso ao extremo e tinha-lhe ensinado os princípios da fé muçulmana também, talvez nem tudo que ele acreditava fosse certo, mas era tudo com tanto amor que Paloma entendia. Então ficou, o seu pai e a sua mãe estavam em uma colônia ucraniana no Paraná, Brasil. A sua mãe insistia ao telefone por chamada de vídeo para que ela saísse das terras ucranianas, mas Paloma foi resistente. Se os seus avós ficassem, ela também não partia, nem que isso significasse a morte. Então ela suportou por semanas, não havia nada que pudesse ser feito, em uma guerra muitas vezes só resta esperar. Até que uma solução surgiu, um dos seus primos brasileiro era ligado a alguma organização, ela não entendia bem, mas sabia que não era totalmente legal, e uma oferta irrecusável veio daí. Paloma só precisava fazer um casamento arranjado, os documentos chegariam na embaixada, e ela assinaria. O homem que precisava de uma esposa brasileira cuidaria da sua ida para o Brasil, e garantiria que os seus avós também fossem. Além disso, o seu avô teria os cuidados médicos que precisasse em um hospital particular, ela sabia estar perto do Vô Guido ir embora, mas pelo menos a sua passagem seria feita com dignidade e de forma confortável. Aceitou o acordo. A guerra deixava todos desesperados e Paloma estava dessa maneira, podia ser uma loucura o que fazia, mas não havia outra maneira, nem mesmo perguntou o nome ou ocupação do homem que pedia a sua mão, sem nem mesmo conhecê-la. Paloma só queria fugir do horror de escutar bombas explodindo ou gritos de socorro, quando ela não podia fazer nada. Era só mais uma em meio ao caos que gente rica e poderosa instaurava do conforto das suas casas e sentados nas suas cadeiras chiques. O mundo não era justo, principalmente com aqueles que tinham menos. Em uma guerra ninguém era bom, cada um lutava por sua sobrevivência e dos mais próximos. Era o que ela estava fazendo, garantindo que a sua família não perecesse. Ela sairia com tristeza por saber que muitos dos seus amigos ficariam para trás, mas também aliviada por ter a chance de construir um lugar de morada, e ainda mais em ver ser avô bem assistido. Assim, Paloma assinou cada documento que o primo mandou, leu e entendeu que estava entrando em um casamento com alguém envolvido com assuntos excusos e clandestinos e que tinha muito dinheiro, mas não tinha outra opção, era isso ou esperar uma possível morte. Depois de organizar todos os seus documentos para a viagem , ela estava pronta, os seus avós entrariam de maneira ilegal, depois pediriam visto de refugiados, agora era só aguardar. Não conhecia nada sobre o homem que seria seu marido, somente assinou o documento dando poder ao primo para que respondesse por ela, mas confiava parcialmente em Pablo, ele não a enganaria, mas era muito mais um moleque do que um homem, quanto a isso ela não tinha ilusão, o primo havia esquecido de crescer. Era madrugada e o seu avô tinha tido uma crise de falta de ar, o ar da Ucrânia era péssimo nas últimas semanas, ao escutar alguém bater na porta ela gelou, naquele horário só podia ser problemas. Mulheres eram constantemente atacadas e abusadas, a história de meninas e adolescentes obrigadas a praticar s£xo or@l em soldados se alastrava, era um ato de desespero, em troca de comida, de abrigo ou até por um copo de água, a cidade que estavam alojados era interior, e a justiça não chegava ali, ainda mais em tempo de guerra. Ela ficou em silêncio e os seus avós também, talvez quem estivesse do outro lado fosse embora. Não desejava visita de ucranianos ou de soldados russos. Mas outra batida surgiu. _ Paloma, sou eu, Pablo. Chegou a hora de ir para o Brasil. Ela respirou aliviada. Abriu a porta e abraçou o primo, sentiu nas costas a reprimenda da avó, ela era uma daquelas senhoras que devia ter se transformado em uma beata, mas foi obrigada a casar, ela amava á sua maneira os filhos e os netos, mas era pudica de mais e todos sofreram com isso. Abraçar não era um gesto da avó. Mesmo que Pablo tivesse sido o primeiro neto dela, um aceno de cabeça era suficiente para dona Lucrécia. _ Não arrumei as malas. _ Não precisa, pode comprar tudo o que quiser, a chefia deu a ordem. Precisamos sair daqui, antes que chamemos a atenção de curiosos. Pablo se abaixou e deu uma palmada de leve no ombro do avô. O senhor lhe estendeu a mão pedindo a bênção, era costume da família e vô Guido cobrava isso dos netos. Depois de ajudar seu avô a ir até o banheiro, Paloma pegou a bolsa com os documentos de todos, se despediu da casa, um sobretudo longo foi colocado nos seus ombros. Era hora de deixar as terras Ucranianas para trás. Ligou para sua melhor amiga que ficava ainda presa no país. Paloma avisou que tudo que ficava era dela, serviria de ajuda para os manter alimentados durante algum tempo. Era um avião pequeno, mas Paloma ficou impressionada com o grupo que os esperava, tinha até mesmo uma enfermeira e uma maca especializada para que seu avô viajasse confortavelmente.

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