David Quincy
Domingo às 08:23 no Sanatório Blackwood, Oxford (Inglaterra).
Nesta manhã, algo diferente tinha acontecido. Uma nova pessoa havia acabado de chegar no sanatório. Não sei muito bem o que significa, apenas que alterará toda minha vida de forma única.
Na câmara, continuei sentado no leito, a espera do atendimento psicológico.
O doutor que está em minha frente com seu livrete erguido pelas mãos, teria acabado de me fazer uma pergunta, porém, meus sentidos ainda estavam a analisar toda sua forma física, embrulhado por um jaleco branco e um par de óculos nerds.
Examino o molde da sua faceta. Possui covinhas de ambos os lados do rosto. Suas madeixas claras, proporcionando um pacto com o tom rosa da sua pele. Se ajustando ao seu amplo riso, adornado pelo estetoscópio no seu pescoço. Por enquanto, são as únicas descrições que distingui entre o retorno da sua pergunta.
— Posso começar? — Reiterou seu pedido.
— Está bem! — Não perseverei a recusa.
Com seu esfigmomanômetro, usou para medir minha pressão arterial, utilizando o auxílio do estetoscópio. O aparelho assimila a uma bolsa inflável. A pressão exercida sobre a valisa é indicada no mostrador do aparato. Libera um riso sereno, determinando algo positivo após a análise.
— Posso ir agora? — Estou buliçoso.
— Ainda não, tenho que analisar mais algumas coisas. Acho que você não tem nenhum compromisso, estou errado? — Me fitou.
— É realmente necessário? — Persisti na recusa.
— Preciso apenas checar seus batimentos, está bem? — Questionou.
Silenciei minha resposta. Usando seu estetoscópio, transporta até meu tórax. Sua mão esquerda está pousada em meu ombro ao mesmo tempo em que analisa minhas pulsações com a oposta.
No rápido átomo, aprecio seus olhos castanhos desbotados. Por acaso, meu coração possa está célere pelas batidas em meu peito, possivelmente seja ele o causador do meu tremor no órgão vital.
— Você parece ótimo! — Foi positivo.
Se afastou, ficando um pouco distante, não consigo pronunciar nenhuma sentença. Algo me atraiu, além da sua profissão de psiquiatra. Tão afável, talvez tenha sido o clínico mais atencioso e prestativo.
Tornou-se a me fitar com seus olhos castanhos. A caneta descreve tudo que está ocorrendo entre suas análises que, em meu pensamento não altera nada. Isso não irá me tirar daqui ou muito menos, me fazer sentir melhor. Ainda estou lapidado por dentro e nenhum psiquiatra mudará tal sentimento.
— Qual é o seu nome? — Interpelou.
— Não quero dizer. Qual é o momento em que você vai me injetar uma alta dose de remédio? Não precisa ter medo, acontece normalmente comigo. — Atropelei as palavras.
— Eu não trabalho assim, mas não sabia que isso acontecia com frequência. — Se absolveu.
— Isso é sério? Pensei que vocês seriam todos iguais. Maltratam e nos dizem que estamos perturbados, é como tudo funciona, não tem como não saber. — Delatei sem culpa.
Sinto seu olhar desconfortado. Olho o vazio, dando mera importância a qualquer coisa que ele tenha a dizer. Não sei o motivo dele persistir em uma relação com seu paciente, deveria agir como todos os outros.
— Não sei como as coisas funcionam. Posso falar com o diretor e arrumar alguma solução. — Fundamentou.
— Sinceramente não sei como você veio parar aqui, mas as coisas não funcionam como te ensinaram na universidade. Às pessoas deste sanatório, sofrem diariamente e as expectativas de sair são mínimas, mas estamos acostumados a este tratamento. Talvez devesse seguir os seus colegas de trabalho. — Sério que esse psiquiatra não conhece todas as irregularidades que acontecem? Ele não pode ser diferente dos outros, não é possível.
— Eu vou falar com o diretor, espere um momento! — Propôs.
— Não precisa, mas obrigado por não me dosar com tantos remédios. Se eu fosse você, sairia o mais rápido possível. Este lugar não é para os de bom coração. — Sou genuíno.
Não poderia deixar de observar sua esbelta beleza. Nunca cheguei a me apaixonar por alguém, eu nem tive uma vida depois da infância.
Já senti algo por alguns garotos da escola, mas minha família nunca soube. Eu tinha vergonha desses desejos estranhos, porém, foi diferente ao vê-lo, uma faísca que porventura estava a nascer.
Sem que eu permita sua justificativa, abro a porta da câmara em sentido ao dormitório. Busco entender tudo que havia acabado de acontecer. Minhas emoções estavam estranhas ali. Sua dedicação, proeza e outras coisas que jamais percebi em outro psiquiatra, estão contidas em uma única pessoa.
Ainda nesta mesma manhã, onde os comentários são apenas sobre o novo psiquiatra do sanatório Blackwood.
Reclinado sobre a espalhafatosa cama no cobertor branco, estou a pensar sobre o médico. Seu jeito ao me fitar, não desejava sair das minhas contemplações. Sua beleza também estão a me afetar emocionalmente. ele é atraente, com outras qualidades que desconheço, hipoteticamente todos estão a pensar o mesmo.
Sorrateiramente, Ariel se juntou a mim na pequena cama de solteiro. Ela está animada com seu largo sorriso aberto, por acaso, esteja igualmente estarrecida. Necessito apenas mudar de tema, algo que me faça focar entre meus intermináveis dias trancafiado.
— O que achou do novo psiquiatra? — Não mediu a ansiedade.
— Ele é um novato como já prevíamos. Não me diga que está animada por causa dele? — Questionei.
— Na verdade, é por você. — Como assim? Os dias devem estão deixando ela mais alucinada.
— Por mim? Não tem a menor chance! — Recuso a concordar com tal hipótese.
— Sei que estamos presos por muito tempo, mas não te impede de gostar de alguém. — Expôs seu relato.
Assumo que pensar em gostar de alguém, não passou por meu pensamento. Os dias são duros, unicamente nos preocupamos em não descumprir as regras, mesmo que eu faça tudo ao contrário que alguns conceberam.
— Mesmo se eu gostasse, ele acabou de chegar e não sei nada, ainda estamos num manicômio. Consideravelmente somos todos loucos. Ele não seria mais louco ainda de se envolver com qualquer pessoa que seja deste lugar. — Tento convencê-la disso.
Porventura, naquela manhã procurei por minha cabeceira, onde busquei colocar minhas noções em ordem. Ainda estava a recordar da falha escapatória na escuridão anterior. Ariel me acompanhou em repouso, estaríamos ainda pensando naquele mesmo psiquiatra?