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A Gata Selvagem Dos Tres Gangst

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A Gata Selvagem dos Três Gangst

Eles governam o Morro da Sangria com mãos de ferro.

Mariano, Maurício e Magnos são três líderes temidos, respeitados e capazes de colocar o morro inteiro de joelhos com uma única ordem. Para o mundo, são reis de um império onde medo e poder andam lado a lado.

Mas existe alguém que nem eles conseguem controlar.

Ela.

Uma morena mestiça de personalidade explosiva, dona de um sorriso provocador, de uma coragem sem limites e de uma língua afiada que enfrenta os três sem baixar a cabeça. Há quatro anos vivem um relacionamento intenso, marcado por paixão, ciúmes, brigas e um amor tão forte quanto perigoso.

Quando uma sequência de invasões, ameaças e perseguições revela que uma organização criminosa está infiltrada ao redor deles, o que já era caótico se transforma em uma verdadeira guerra.

E, em meio ao fogo cruzado, surge uma notícia capaz de mudar tudo: ela está grávida.

Agora, os três homens mais perigosos do Morro da Sangria não lutam apenas pelo poder.

Lutam pela mulher que amam... e pelo filho que ainda nem nasceu.

Porque tocar nela é declarar guerra.

E quem ousar ameaçar a família dos donos do morro vai descobrir que existe algo mais perigoso do que três chefes unidos:

Três homens defendendo a única mulher capaz de dominar seus corações.

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O silêncio caiu pesado na sala por alguns segundos. Os três ficaram parados, como se a frase tivesse batido mais forte que qualquer tiro que já ouviram na rua. Mariano foi o primeiro a reagir, a mandíbula travada. — Repete isso… — a voz dele saiu baixa, perigosa. Ela levantou o queixo, braços cruzados, os olhos brilhando de raiva e cansaço. — Eu disse que acabou. Não vou mais ser o brinquedo de vocês. Maurício deu um passo à frente, rindo sem humor. — Brinquedo? Tu tá falando sério isso, gata? Magnos passou a mão no cabelo ruivo, nervoso, olhando pra ela como se tentasse controlar a própria explosão. — A gente some dois dias e tu já vira isso? Já tá decidindo tudo? Ela soltou uma risada curta, amarga. — Dois dias? — ela apontou pra eles. — Dois dias, três homens, líder de bairro perigoso… e eu aqui sozinha imaginando vocês com um monte de mulher girando em volta de vocês igual urubu. Mariano fechou a mão com força. — Ninguém encostou em ninguém. — Ah não? — ela avançou um passo também. — E eu sou o quê? Tonta? Ingênua? Eu vejo, Mariano. Eu sinto. Maurício explodiu: — TU NÃO CONFIA NA GENTE NEM QUATRO ANOS DEPOIS? Ela respondeu no mesmo tom: — E VOCÊS CONFIA EM MIM? Porque cada vez que eu saio vocês tão me vigiando, surtando, me prendendo com ciúme… mas quando é vocês lá fora, eu tenho que fingir que tá tudo bem?! Magnos bateu a mão na parede. — p***a, A GENTE TAVA TRABALHANDO! Ela riu de novo, sem alegria nenhuma. — Trabalhando… — repetiu. — Sempre essa desculpa. Mariano chegou mais perto, a voz mais baixa agora, mas carregada: — Tu sabe o que tu é pra gente. Ela encarou ele direto. — Sei. Problema. Obsessão. E quando cansa, vocês vão lá fora procurar distração. Maurício passou a mão no rosto, respirando forte. — Isso não é verdade… — NÃO É? — ela cortou, quase gritando. — Então por que eu sempre fico aqui esperando enquanto vocês somem? O ar pesou de novo. Magnos deu um passo mais lento, a voz diferente agora, menos agressiva: — Tu tá falando como se a gente não voltasse pra você. Ela piscou, mas não cedeu. — Vocês voltam… quando querem. Quando dá. Quando lembram. Silêncio. Mariano apertou o maxilar até doer. — Tu tá querendo ir embora mesmo? Ela hesitou meio segundo… só meio. — Tô cansada de viver nessa guerra. Maurício soltou uma risada baixa, desacreditada. — Guerra? A gente te protege, p***a. Ela apontou pra ele, tremendo de raiva: — Protege de quem? Do mundo… ou de vocês mesmos? Essa frase pegou. Dessa vez nenhum dos três respondeu na hora. Magnos baixou o olhar por um segundo, depois voltou pra ela. — Se tu sair por aquela porta… — ele falou devagar — não volta igual. Ela engoliu seco, mas manteve a postura. — Eu já não tô igual faz tempo. Mariano deu mais um passo, a voz quebrando no controle: — Tu quer mesmo destruir isso? Ela respirou fundo, os olhos brilhando de emoção que ela não queria mostrar. — Eu não tô destruindo nada. Eu só tô cansada de ser a única que tenta segurar. Silêncio final. E naquele silêncio, nenhum dos três se mexeu… mas também nenhum conseguiu dizer “vai” de verdade. Entao Ela abriu o armário com força. As roupas caíram na cama uma por uma, sem cuidado, como se cada peça carregasse um pedaço da raiva dela. Os três ainda estavam na porta do quarto. Parados. Pesados. Observando. Ela pegou a mala e começou a jogar tudo dentro. — Para com isso, mestiça… — Maurício falou mais baixo agora, mas ainda tenso. Ela nem olhou. — Para com o quê? De ser i****a? Ou de enxergar o óbvio? Mariano entrou um passo no quarto, a voz firme, mas controlada à força. — Ninguém tá te traindo. Ela riu sem humor, puxando uma gaveta inteira. — O morro inteiro sabe que eu tô sendo traída. Vocês somem, ficam fora de casa, frequentam cabaré podre desse bairro… enquanto eu fico aqui dentro. Magnos fechou a mão, a voz subindo de novo: — Tu tá acreditando em fofoca, p***a! Ela finalmente virou pra ele, os olhos duros. — Fofoca? Ou realidade que vocês acham que eu sou burra demais pra ver? Silêncio. Ela jogou os cartões na cama. Um barulho seco. — Aqui. — ela apontou. — Tudo de vocês. Não quero nada. Maurício deu um passo rápido. — Tu enlouqueceu? — Não. — ela respondeu fria. — Eu acordei. Mariano passou a mão no rosto, respirando pesado. — c*****o… tu não percebe que essas mulheres que tão enchendo tua cabeça tudo querem pegar o teu lugar? Ela soltou uma risada amarga. — Meu lugar? — ela balançou a cabeça. — Eu não tenho lugar nenhum, Mariano. Eu só tenho espera. Magnos tentou se aproximar mais, mas parou quando viu o olhar dela. Ela continuou, a voz agora mais firme, mais quebrada ao mesmo tempo: — Eu achava que conhecia vocês. Meus homens me ligavam, perguntavam como eu tava, se eu comi, se eu dormi… — ela engoliu seco. — Mas de uns tempos pra cá… o morro virou mais importante do que eu. Maurício abriu a boca, mas ela não deixou ele falar. — Eu só sirvo quando o “teste” bate, quando dá problema, quando vocês lembram que eu existo. Mariano apertou os punhos. — Isso não é verdade… Ela cortou, quase gritando agora: — NÃO É? Então me explica onde vocês estavam esses dias. Me explica por que eu fico aqui sozinha enquanto vocês tão “trabalhando” com um monte de mulher girando em volta. O ar ficou pesado de novo. Magnos baixou o olhar por um segundo, depois voltou pra ela, mais baixo: — Tu sabe que esse mundo não é simples… Ela riu, mas os olhos estavam molhados de raiva. — Não usa isso como desculpa. Porque eu também vivo nele. E mesmo assim eu tô aqui… sozinha. Silêncio. Ela fechou a mala com força. CLAC. — Acabou. — ela falou, mais baixa agora, mas definitiva. Mariano deu um passo à frente, a voz saindo mais dura do que queria: — Tu vai sair por essa porta mesmo? Ela já tinha passado por eles quando a mão forte de Mariano segurou o braço dela com cuidado, não agressivo — mas firme o suficiente para parar o passo. — Amor… para. — a voz dele saiu quebrada. Ela tentou puxar o braço. — Não. Maurício já estava na frente dela, bloqueando a porta. — Amor, olha pra nós. — Sai da minha frente. — ela falou, mas a voz já tremia. Magnos chegou por trás, respirando pesado, passando a mão no cabelo ruivo como se estivesse perdendo o controle. — Tá tarde, p***a… não faz isso assim, nervosa. Ela virou o rosto, as lágrimas já caindo sem ela conseguir segurar. — Só me deixa sair, tá? Mariano soltou o braço dela devagar… mas não se afastou. — Não. Você não vai sair assim. Ela riu fraco, chorando ao mesmo tempo. — Olha isso… — ela apontou pra eles, a voz falhando. — Vocês ficam me dominando, me segurando… depois somem, fazem isso tudo… e eu sempre caio. Silêncio pesado. Maurício deu um passo mais perto, a voz baixa: — A gente não tá te dominando. A gente tá te segurando porque tu tá indo embora no impulso. Ela balançou a cabeça, chorando mais. — Eu não aguento mais esse impulso de vocês. Magnos respirou fundo, depois falou mais calmo: — Olha pra nós. Ela hesitou. Mas olhou. Os três estavam ali… quebrados de um jeito raro. Mariano com o maxilar travado, mas os olhos diferentes. Maurício tentando manter firmeza, mas a voz falhando. Magnos com a mão na cintura, inquieto, mas sem agressividade. — Não vamos mudar? — ela repetiu, amarga. Mariano chegou mais perto, bem devagar. — Vamos mudar, sim. Ela soltou um riso chorado. — Eu não acredito. Maurício balançou a cabeça, firme: — Tu vai ver. Magnos assentiu, sério: — Prometemos. Silêncio. Ela respirou fundo, as lágrimas ainda caindo, mas o corpo já não puxava tanto pra porta. — Promessa de vocês… sempre foi isso. Mariano encostou a testa de leve na dela, sem forçar. — Então dessa vez a gente vai sustentar. E pela primeira vez naquela noite… ninguém falou em ir embora.

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