Capítulo 72

1086 Words

Eu não lembro exatamente como voltei pra casa naquela noite. Só lembro do frio. Do sangue nas minhas mãos. E do peso. Um peso tão grande dentro do peito que parecia que eu não ia conseguir respirar nunca mais. Disseram pra eu soltar ele. Mas eu não consegui. Mesmo quando já não tinha mais vida… mesmo quando o corpo dele já estava pesado… eu continuei ali. Segurando. Chamando. Implorando. Como se em algum momento ele fosse abrir os olhos de novo. Mas ele não abriu. E aquela foi a primeira vez que eu entendi… que a morte não pede permissão. No dia seguinte, a fazenda amanheceu diferente. Silenciosa. Pesada. Até o som do sino parecia mais baixo. Como se até ele soubesse. Cristiano estava dentro da casa-grande. Preparando o corpo. Isso por si só já dizia muito. Ele não

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