Capítulo 17

829 Words
Os dias seguintes trouxeram um movimento diferente para a fazenda. Havia um motivo especial: o aniversário de Sol estava chegando, e, pela primeira vez em muito tempo, todos pareciam envolvidos em algo que não fosse apenas trabalho. A casa grande começou a ganhar outro clima. Na cozinha, nos corredores e até no quintal, havia gente preparando alguma coisa — comida, enfeites simples, pequenos detalhes que, para Sol, significavam muito. Jamila estava sempre ao lado dela. — Eu quero flores… mas aquelas brancas, sabe? — dizia Sol, animada. — Sei sim — respondia Jamila, com um leve sorriso. — Vou ver se consigo as mais bonitas pra você. Ela escutava cada detalhe, cada desejo, tentando fazer com que tudo saísse exatamente como Sol queria. Era mais do que uma festa… era um momento raro de alegria naquele lugar. E Jamila fazia questão de contribuir com todo carinho que podia. Enquanto isso, Afonso havia saído por alguns dias, a pedido do pai, para resolver assuntos de negócios. A ausência dele deixou um vazio silencioso… principalmente para Jamila, que tentava não pensar tanto, mas não conseguia evitar. A notícia de que ele estava voltando já corria pela casa. E só de saber disso, o coração dela já se agitava. Do outro lado, o feitor continuava presente… sempre à distância. Observava tudo. Observava Jamila. Observava quem se aproximava dela. Naquele dia, ao ver a movimentação para a festa, decidiu se aproximar. Caminhou até onde estavam organizando algumas coisas, com um semblante aparentemente neutro. — Se precisarem de ajuda… — disse, olhando rapidamente para Jamila antes de desviar o olhar — eu posso ajudar. Mas antes que Jamila ou Sol respondessem, Chinara se adiantou. — Não precisa. A resposta foi seca, direta. O feitor ficou em silêncio por um instante, o olhar endurecendo levemente, mas ele se controlou. — Como quiser — respondeu, mantendo a voz firme. Virou-se e saiu, sem discutir. Mas por dentro, a irritação crescia. Ainda assim, não deixou transparecer. Se não podia estar perto… Ficaria de longe. Observando. Sempre observando. Jamila percebeu o clima, mas não comentou nada. Apenas continuou ajudando Sol, tentando focar na festa, nos detalhes, na alegria que aquele momento poderia trazer. Tudo estava pronto. A casa grande estava enfeitada com simplicidade, mas com um cuidado especial. Flores espalhadas, mesas organizadas, comida preparada… e um clima diferente no ar, como se, por algumas horas, a dureza da fazenda fosse deixada de lado. Jamila olhou ao redor, satisfeita. — Sol… — chamou, com um sorriso leve — já tá na hora de você se arrumar. Os convidados já devem começar a chegar. Sol virou-se animada. — Então você vem comigo! Jamila arregalou levemente os olhos. — Não, eu fico por aqui… ainda tem coisa pra— — É uma ordem — interrompeu Sol, sorrindo, com aquele jeito brincalhão. Jamila tentou segurar o riso… mas acabou cedendo. — Tá bom… As duas subiram juntas. No quarto, Sol escolheu um vestido amarelo, leve e bonito, que realçava ainda mais sua alegria natural. Quando terminou de se arrumar, girou na frente de Jamila. — E aí? Jamila sorriu de verdade. — Tá linda. Sol então olhou para o guarda-roupa, pensativa… e pegou outro vestido. — Agora você. Jamila deu um passo para trás. — Não, Sol… isso não— — Sem discussão — disse, entregando o vestido nas mãos dela. Jamila hesitou. Mas, diante do olhar insistente de Sol… acabou aceitando. Pouco tempo depois, saiu já vestida. E ficou em silêncio. Porque até ela mesma não estava acostumada a se ver daquele jeito. O vestido simples, mas bem cuidado, caiu perfeitamente nela. Destacava sua beleza natural, sua delicadeza… algo que, no dia a dia, ficava escondido. Sol abriu um sorriso largo. — Eu sabia. Jamila abaixou o olhar, sem jeito. — Vamos descer antes que eu me arrependa… Quando desceram, a festa já havia começado. A casa estava cheia, pessoas conversando, música tocando, risadas se espalhando. Por um momento, parecia outro lugar. E Jamila chamou atenção. Alguns olhares se voltaram discretamente… outros nem tanto. Ela se sentiu desconfortável, mas tentou se manter firme ao lado de Sol. Foi então que ele chegou. Afonso. Entrou cumprimentando a todos, como de costume… mas, no meio do caminho, parou. Seus olhos encontraram Jamila. E ele ficou imóvel por um segundo. A surpresa tomou conta de seu rosto. Nunca a tinha visto assim. Tão… linda. O olhar dele mudou completamente — admiração, encanto… e algo mais profundo que ele já não conseguia esconder. Jamila percebeu. E abaixou o olhar, sentindo o coração disparar. A festa seguiu. Risos, música, comida… tudo corria bem. Sol estava radiante, aproveitando cada momento. Jamila permanecia por perto, ajudando quando precisava, mas também tentando aproveitar um pouco daquele instante raro. Mas, mesmo em meio à alegria… Os olhares ainda se encontravam. Entre ela e Afonso. Discretos… mas intensos. E, em algum canto mais afastado… O feitor observava. Em silêncio. Sem perder um único detalhe. A noite ainda estava só começando. Tu
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