Capítulo 34

1163 Words
Não demorou muito. Ainda naquela tarde, um movimento diferente chamou a atenção na frente da casa grande. Artur havia chegado. Mas não estava sozinho. Ao seu lado… seu pai. Um homem sério, bem vestido, com postura firme. Era uma visita importante. Tina foi a primeira a perceber. Observou pela janela… e logo seguiu até Sol. — Sinhá Sol… — chamou, com calma. Sol se virou. — O que foi? — Tem visita. — Quem? — O rapaz… Artur. E o pai dele. Os olhos de Sol se iluminaram na hora. — Ele veio… Um sorriso surgiu, cheio de expectativa. — Meu pai vai receber eles? — Já estão esperando. Sol respirou fundo, ajeitando o vestido. — Tá… calma… — murmurou para si mesma. Mas era impossível esconder a felicidade. Alguns minutos depois, ela foi chamada. — Sinhá Sol, seu pai mandou a senhorita ir até a sala. O coração dela disparou. Jamila, ao lado, sorriu. — Vai dar tudo certo. Sol assentiu… e seguiu. Na sala, Santiago já estava sentado, conversando com o pai de Artur. Afonso também estava presente, mais sério, observando. Quando Sol entrou, todos olharam. — Pode entrar — disse Santiago. Ela se aproximou. Cumprimentou, educada. E se sentou. O clima era formal. Respeitoso. Mas carregado de significado. Santiago tomou a palavra: — Seu filho veio até aqui… como eu pedi. O pai de Artur assentiu. — Veio sim. E eu faço questão de acompanhar. Artur olhou para Sol por um breve instante. E aquele olhar… já dizia muito. Santiago continuou: — Quero saber quais são suas intenções com minha filha. O silêncio caiu. Artur respirou fundo. — Eu gosto da Sol… — disse, firme. — E quero fazer as coisas da forma certa. O pai dele complementou: — Meu filho foi bem criado. Não estamos aqui por brincadeira. Santiago observou. Analisando cada palavra. Cada gesto. Depois olhou para Sol. — E você? O coração dela acelerou. Mas respondeu com sinceridade: — Eu gosto dele, pai. O silêncio voltou. Mais pesado. Mais decisivo. Santiago recostou-se na cadeira. Pensando. Afonso observava tudo, atento. E, depois de alguns segundos… Santiago falou: — Muito bem. Todos ficaram atentos. — Vocês podem se ver… — disse ele — mas com respeito. E sob as regras da casa. Sol soltou o ar que nem percebeu que prendia. — Obrigada, pai… Artur também assentiu, aliviado. O pai dele sorriu, satisfeito. E assim, naquela sala… Uma decisão foi tomada. Com consentimento. Com regras. Mas com esperança. Do lado de fora, Jamila aguardava. Ansiosa. E, quando Sol saiu… O sorriso no rosto dela já dizia tudo. — Ele deixou! Jamila sorriu na hora. — Eu sabia! As duas se abraçaram, felizes. Sol ainda sorria, mas logo ficou mais séria. — Agora eu tenho que fazer tudo certo… — disse. — Se eu errar, meu pai pode voltar atrás. Jamila assentiu. — Vai dar certo. Você gosta dele… e ele também gosta de você. Sol sorriu, confiante. — Vai sim. Nesse momento, Afonso se aproximou. — Que felicidade toda é essa? Sol não conseguiu esconder. — Meu pai deixou! Eu posso ver o Artur! Afonso deu um leve sorriso. — Então faça tudo certo… — disse ele. — Eu vou ficar de olho em vocês. Sol riu. — Pode deixar. Mas, antes de sair… Afonso se aproximou de Jamila. Disfarçado. E, sem que Sol percebesse, falou baixo, bem próximo ao ouvido dela: — Te espero no celeiro… agora. O coração de Jamila disparou. Ela nem teve tempo de responder. Ele já tinha se afastado. Sol percebeu a mudança no rosto dela. — O que foi? Jamila hesitou por um segundo… mas acabou contando. Sol abriu um sorriso cúmplice. — Vai. — Não… alguém pode ver… — Eu te ajudo — disse Sol, decidida. Jamila ainda estava nervosa… mas não conseguiu negar. Pouco depois, com cuidado, Sol distraiu Chinara e outras pessoas da casa. — Preciso de ajuda aqui! — chamou, levando atenção para outro lado. Aproveitando o momento… Jamila saiu. Discreta. Coração acelerado. O caminho até o celeiro parecia mais longo do que nunca. Cada passo carregado de ansiedade… e desejo. Quando chegou… Ele já estava lá. Esperando. Encostado, olhando para a porta. E, ao vê-la entrar… Um leve sorriso surgiu. — Achei que você não vinha. Jamila respirava fundo. — Eu não devia estar aqui… Ele se aproximou. — Mas veio. Ela não respondeu. Só o olhou. E aquilo já dizia tudo. Sem mais palavras… Ele a puxou pela cintura. E a beijou. Intenso. Como se cada encontro fosse o último. Como se o mundo lá fora não existisse. Jamila tentou resistir por um segundo… Mas não conseguiu. Se entregou. Porque, naquele momento… Nada parecia mais forte do que o que sentiam um pelo outro. O silêncio tomou conta do celeiro depois do momento entre os dois. A respiração ainda acelerada. Os corações descompassados. Jamila foi a primeira a se afastar, tentando recuperar o controle. — Afonso… — disse, ainda ofegante — isso é perigoso… Ela começou a ajeitar a roupa, visivelmente nervosa. — É pleno dia… alguém pode ver a gente. Afonso se aproximou, mais calmo, mas com o olhar intenso. — Eu não me importo. Ela parou por um instante e olhou para ele. — Eu me importo… — respondeu, com a voz mais baixa. — Eu tenho medo. O olhar dele suavizou. Ele se aproximou mais, com cuidado. — Eu te amo. As palavras ficaram no ar. Fortes. Sinceras. Jamila sentiu o coração apertar. Mas, ao invés de sorrir… Seus olhos se encheram de preocupação. — Não fala isso… — murmurou. — Se alguém ouve… — Eu não vou esconder o que eu sinto — disse ele. Ela balançou a cabeça. — Mas o mundo vai tentar impedir… O silêncio caiu. Pesado. Real. Depois de alguns segundos, ela respirou fundo. — A gente precisa voltar. Ele assentiu, mesmo contra vontade. — Eu vou na frente. — Não… — disse ela — melhor a gente ir junto… mas com cuidado. Eles saíram do celeiro. O caminho de volta parecia ainda mais arriscado. Cada barulho fazia Jamila se assustar. Cada passo… um risco. Quando já estavam próximos da casa grande… Afonso segurou o braço dela. Puxando-a levemente. — Espera… Ela se virou. — O que foi? Ele não respondeu com palavras. Apenas a puxou mais perto. E a beijou. Rápido. Mas intenso. Um beijo de despedida. Antes de entrar. Jamila ficou sem reação por um segundo. — Afonso… — sussurrou, nervosa. Mas já era tarde. Do outro lado… Escondida. Observando. Tina viu tudo. Desde a chegada dos dois. O jeito que vinham próximos. O toque. E, principalmente… O beijo. Seus olhos se estreitaram. Agora não havia mais dúvidas. Nenhuma. — Então é isso… — pensou. A raiva cresceu. Mas, dessa vez… Misturada com algo mais. Oportunidade. Um leve sorriso frio apareceu em seus lábios. Porque agora… Ela não só suspeitava. Ela sabia. E aquilo… Valia muito. Jamila entrou apressada. Tentando parecer normal. Mas o coração ainda acelerado.
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