Darius já tinha ciência de que a humana seria encaminhada para a contenção. Ele só não sabia que ela tinha tido um m*l estar antes de ser descoberta; e quando tomava o caminho onde era designado qualquer suspeito da rebelião, ele se deu com uma dupla de Starianos calmamente acompanhando a mulher de mãos presas no corredor em paralelo.
Ele parou de andar e como ele não havia feito nada suspeito, ninguém se importou, mas Darius tinha calmamente em sua mente o comando de que tinha de matar aquela mulher a qualquer custo. Então ele olhou ao redor e mediu o espaço. Ele precisava chegar na mulher, derrubar os guardas do caminho, não machucar os humanos sem culpa e arrancar a cabeça da humana de um modo rápido.
Na teoria era perfeito, mas a prática foi um pouco mais complicada.
— Capitão, general Galak solicita sua presença com urgência. — Darius olhou o gigante de pele roxa e cicatrizes no rosto que se aproximou, e logo pensou em jogar seu plano silencioso para fora.
— Comunique ao general que estou ocupado.
Ele simplesmente chutou o Stariano o pegando desprevenido. Com o baque, ele saltou para os móveis opostos enquanto outros Stariano partiam para cima, tentando fazê-lo parar.
Em um segundo, o corredor se tornou uma mistura coreográfica de surra, barulho e baderna. E o gigante dourado era a bailarina principal.
Darius não parava apenas para bater em quem surgia em seu caminho. Como um Goldarx, ele possuía agilidade e se obrigava a pensar rápido. Em alguns momentos ele apenas desviava e continuava sua luta desenfreada de se aproximar da humana ao qual seu instinto gritava por morte.
Logo, o gigante dourado e escamoso conseguiu sair do burburinho que o tentava impedir e correu, ele rapidamente conseguiu acessar o corredor paralelo e parou na frente dos dois Starianos que montavam a guarda de Cassandra. Quando ela levantou os olhos e percebeu que o Stariano dourado era Darius, ela tentou correr.
Darius não perdeu tempo com os Starianos gigantes, apenas usou da sua defesa e se esquivou o suficiente para passar por eles, então viu sua vitória mais perto. Ele apertou o passo, cerrou os dentes e quando a humana olhou para trás e o viu próximo demais, também viu uma alabarda verde atingi-lo pela lateral da cabeça, o tacando contra a parede de vidro e o fazendo cair ao centro da área aberta.
Foram inúmeros estilhaços se destacando ao vento, junto com a demonstração da força Stariana física ao se levantar como se nada tivesse acontecido. Aquilo não fez Darius desistir. Seu nariz voltou a jogar mais um pouco de sangue de novo, ele cuspiu mais uma bolota escura e se levantou. A sua frente estavam Hendall e Volkon.
— Me deixa passar. — Darius se posicionou para lutar. Sem armas e sem machados, mirou Volkon e soltou entre os dentes. — Eu não estou a fim de parar!
— Eu sei do seu instinto. — Hendall tomou a frente olhando Darius com cuidado. — Mas aquela humana é a única forma de impedir que outros façam o mesmo. Esforce-se Capitão! Você tem a graça de Galak por um motivo!
— Dane-se a graça do seu general. Eu quero aquela humana desgraçada morta! — Ele berrou.
— Eu sinto muito, irmão. Eu sei o que está sentindo. — Volkon foi sincero e empunhou o machado em modo de combate. — Mas aquela humana não pode morrer. E ela não vai morrer.
Darius se viu cego de raiva e foi com a gana e a coragem que tinha pra cima de Hendall e Volkon. digamos que aquilo podia-se chamar de luta épica, Darius tinha a força do vínculo rompido em seu sangue. Hendall era tão forte quanto Volkon, mas não tinha a agilidade de Darius. Era uma mistura acrobática minuciosa de força, agilidade e muita gana de vencer.
Cassandra havia caído para trás e se machucou com alguns cacos ao seu redor, e quase não piscou direito enquanto olhava do chão o Goldarx segurar o machado de Volkon e berrar contra o Gigante Azul. Hendall fazia seu melhor esforço para atingi-lo, mas aquilo custava-lhe até o seu orgulho. Cassandra sentiu medo. Ela sabia o que fez e se aquele Gigante dourado chegasse nela, ela iria morrer. Ela não teve escolha ao aceitar fazer o que fez, era isso ou a morte. Agora, estava prestes a morrer de qualquer forma.
Isso fez ela pensar na realidade que nunca ponderou; Starianos não eram monstros. Ela não tinha conhecido em sua vida um homem que daria todo o seu esforço pela vida de uma esposa ou de um filho, como estava vendo. Ela veio de uma terra de divórcios, de separações naturais e amores que se desfazem todos os dias. E eles taxaram os Satrianos como monstros, enquanto ela via Darius lutando por uma humana e um bebê que nem sequer chegou a conhecer.
Cassandra se viu um monstro. Definitivamente ela é a escória. Ela aceitou fazer o que estava fazendo por medo, mas não podia negar que estudou os starianos de um modo sujo, sempre tratando a vida alienígena como um lixo. Mas agora, estava para perder a vida em nome da força de um amor que jamais presenciou. E até sentiu inveja, se perguntando se algum dia seria perdoada a ponto de ter alguém para amá-la assim em sua vida… ou não. Porque se Darius conseguisse passar por eles, ela estaria morta.
E era necessário que alguém interferisse. Darius estava sangrando contra sua vontade, Hendall estava destruindo o seu redor, mas não atingia o réptil dourado. Volkon estava empunhando seu machado, mas estava apenas ganhando tempo. Porque ele sabia que Darius não ia parar, assim como ele não parou. Nenhum Stariano pararia por seu vínculo. Darius iria morrer fazendo aquilo e o único modo de fazer ele parar, era o apagando. No entanto, Darius já estava sangrando. Então ele pensou em duas hipóteses: podia ser o vinculo do bebe perdido, ou podia ser Gisele morrendo. Em todo o caso, ele não podia dar uma pancada no amigo. Seria um risco para ele mesmo.
— Galak, preciso que toque nele. — falou na escuta — Ele está sangrando sozinho. Alguém precisa olhar Gisele e descobrir o que a está matando. Ele não vai parar!
Hendall olhou para Volkon, entrou no embalo de manter Darius ocupado e se manteve observador. Darius era um Goldarx, e goldarx eram inferiores em força brutal. Mas e aquilo? Aquilo era surreal! Darius estava fazendo dois Capitães de patetas, enquanto sangrava vivo. Aquilo era a força do vínculo? Era assim que um Stariano ficava quando se vinculava?
— Darius, precisa parar de lutar e concentrar suas forças na sua fêmea! — Volkon tentou fazê-lo escutar. O prensou contra a porta, segurou-o com o cabo do machado e rosnou em seu rosto. — Se sua humana estiver machucada e você morrer, ela morrerá também! Pare agora, antes que acabe a matando!
Aquilo fez Darius instantaneamente endurecer todo o seu corpo. Suas presas suavizaram, seu suor escorreu e seu sangue vazou mais uma gota, enquanto Hendall segurava sua alabarda e respirava exageradamente cansado. E por um segundo, a voz de Volkon reverberou em sua cabeça e ele sugeriu estar alucinando.
— O que disse? — Soltou cansado e quase inaudível.
— Foi isso mesmo que ouviu. Precisa parar e segurar suas energias para a salvar a vida da sua fêmea. — Mas Darius piscou e pareceu confuso, enquanto perdia suavemente suas feições de combate e ameaça. — Isso, você precisa se acalmar.
— Você disse salvar? — Ele piscou confuso e preso pelos cabos — Mas eu senti… Eu senti ela morta. Eu senti… Eu ainda sinto…
Volkon fez uma negativa, e agora entendia o que estava consumindo o amigo.
— Ela matou o seu filhote. Sua fêmea ainda está viva.
Darius parou, Volkon analisou a situação e deu uma pequena dose de espaço para o amigo. Ele cambaleou para frente, olhou para baixo e viu mais uma gota do sangue escuro escorrer pelo nariz. Então era isso… Gisele gerou um filhote. Um bebê dele. Mas quando ele levantou os olhos, viu Cassandra sendo ajudada e captou os olhos da mulher, enquanto ela parecia extremamente amedrontada e chorosa.
— Darius. — Hendall pediu. — Esqueça a humana agora, salve sua fêmea.
— O que eu preciso fazer? — Ele perguntou entre os dentes e olhou para Volkon. — O que eu faço pra ela não morrer?
Neste exato momento, Elaine apareceu com uma outra equipe e uma pequena caixa na mão. Volkon saiu da frente de Darius e finalmente lhe deu caminho, mas a miúda baixinha já estava uma posição à frente. Elaine não queria ter de chegar a esse ponto e lutou contra aquilo, mas lá estava ela apontando para Darius, no meio de um cenário turbulento, a seringa com o antídoto que podia desvincular um Stariano biologicamente de uma humana.
— Desfaça o vínculo, Darius. — Elaine tinha os olhos cheios de água e a voz embargada pela emoção. — O bebê vive dos dois e Gisele está sangrando igual a você, mas ela é uma humana. Ela não pode sangrar igual você. Desfaça o vínculo. — Ele franziu o cenho e olhou para Volkon, depois para Galak. Eles também não tinham segurança no olhar, então ele voltou a mirar Elaine.
— Anda logo, toma essa merda! — Kelly surgiu enquanto percebia a tensão da situação. — Não tem sangue em Starian o suficiente para salvar Gisele e o bebê não sobreviveu. Se uma vida morre, as duas se vão. Desfaça o vinculo! O bebe já não existe mais, então se desfizer o vínculo, vão parar de morrer!
— Tem certeza? — ele perguntou, um tanto receoso. Não, na verdade, Darius não queria perder Gisele. Mas ele também havia prometido fazer isso com dignidade. Sua vontade jamais deveria custar a vida da humana.
— Não! — Elaine respondeu, tremendo as mãos e segurando a caixa. — Mas o vínculo é vida, não é? — Ela respirou fundo e deixou as lágrimas escapar. — Eu só vivi e Star viveu, porque Volkon viveu. Lembra? Precisa escolher, Darius. Não temos certeza, mas ela vai morrer se sangrar assim. E não sabemos se você vai parar depois. Mas se houver uma mínima chance, precisa ao menos tentar.
Hendall franziu o cenho, baixou a alabarda e a bateu no chão. Ele assistiu Darius olhar frio para a ampulheta, a pegou de um modo perverso e com um certo rancor a bateu contra a própria coxa e esperou o líquido amarelo adentrar sua carne. Ele soltou a caixa, deixou o objeto vazio cair no chão e sentiu o sangue parar de cair do seu nariz no mesmo instante.
Todo o olhavam com expectativa, preocupação e até mesmo com algum tipo de receio. Não pela morte, mas eles sabiam que o antídoto só era perfeito na teoria. Mas, de repente, Darius não sabia mais como Gisele estava . Ele não sentia a dor de alguém, a morte de alguém ou o desespero de viver por alguém.
E era, repentinamente horrível. Ele simplesmente olhou ao redor, viu a bagunça do lugar e moveu as mãos. Havia várias formas de descrever o pavor que o tomou ao perceber que não sentia mais Gisele em seu ser. Ele sentia sim que um pedaço de sua vida foi tirado de si, mas agora estava condenado a apenas viver.
— Eu não a sinto mais. — Elaine recebeu um beep no mesmo instante que Darius havia dito, e se assustou com o barulho em sua orelha mas tomou o lóbulo e deu ouvido a ligação que recebia.
Ele a observou, cuspiu o amargo que ficou em sua boca e respirou desanimado.
— Deu certo. — soltou num fio de voz logo em seguida. — Deu certo, ela parou de sangrar. Ela parou de sangar...
— Porque? — Darius perguntou com um certo desgosto e um peso na voz.
Kelly notou o luto do Stariano e tomou a frente, uma vez que Elaine já parecia abalada demais. Ela tentou ajudar no conforto do gigante do dourado, sem saber se estava fazendo o certo.
— O Bebe ainda estava na fase inicial. Estava sendo germinado. Ele ainda era uma parte de Gisele. Não é como um bebê depois que nasce e tem sua própria vida. — Ela olhou para trás e viu Cassandra com os olhos embargados de água. — Cassandra não tentou matar o bebê, ela tentou matar Gisele. E o bebe tentou salvar Gisele. Ela, sem perceber, atingiu os dois ao mesmo tempo.
O silêncio fúnebre se instalou, Darius limpou o sangue com as costas da mão e apenas concordou. Ele virou as costas, e partiu. Elaine deu um passo à frente e levantou a mão, quando ia chamar por Darius, Volko se colocou à sua frente e fez uma negativa.
— Voltemos para casa. — Ela olhou pra cima, deixou as lágrimas escapar e se entregou para os braços de Volkon. — Voltaremos pra casa, abraçaremos Star e lutaremos contra essa merda com toda a força de nossa alma. Mas agora, descanse.