— Posso ver?
Kelly estava sentada na cadeira em frente a Elaine, enquanto ela analisava os resultados dos exames de kelly. Elaine, apesar de já não se dar mais bem com a antiga amiga e não aprovar a vnda dela para este planeta, sabia que tinha uma mulher muito inteligente ali. Kelly não só estava disposta a participar do experimento, como também iria ajudar com o processo evolutivo como um todo.
Então, Elaine entregou o aparelho para a mulher que arqueou a sobrancelha imediatamente.
— Áries tinha razão, eles conseguiram injetar algo em mim. — Ela virou a tela, mostrou um ponto brilhante denotando a nuca dela e fez cara feia. — Mas não deu tempo de me abrirem. Como fizeram isso?
— Ainda não sei. Vou enviar isso para o setor Stariano e discutiremos um meio de retirada. Você e Áries estarão isolados até termos certeza de que isso não está puxando informações de dentro para fora. — Kelly revirou os olhos — O que é, Kelly, achou que ia vir pra cá, mostrar os p****s pra todo mundo e conseguir um lugar legal? Vai ter que usar mais do que sua b***a aqui para obter a confiança de Gael.
— Você ainda me odeia, não é?
— Você é inteligente, admito, mas não transbordava de vontade de ajudar Starian. E aqui, goste ou não, eu sou escutada. E eu deixei bem claro que você podia estar fazendo alguma merda.
Kelly soltou a tela sobre a mesa dela e respirou fundo. A mulher tinha bela silhueta, cabelos volumosos e tinha uma beleza de chamar a atenção à distância, mas Elaine sabia que ela estava escondendo os motivos pelo qual veio para este planeta. Porém, não desconfiava do fato de que ela queria trabalhar, mas o motivo dessa motivação era uma incógnita.
— Eu estou dizendo a verdade, não cheguei a nenhum laboratório da rebelião.
— Mas ficou apagada uma boa parte do tempo. — Elaine se acomodou na cadeira pra trás e suspirou cansada. — Sabe que vai ser designada a um Stariano compatível, não sabe? — Ela concordou, sem refutar. — Você tinha nojo deles.
— Pode esquecer o que viveu lá atrás, por favor? — Parecia um pedido sincero, mas Elaine não tinha vontade de aceitar isso de primeira. — Eu recebi a visita de Meredith e Brisbee. — Kelly mudou de assunto. — Eu posso ajudar com as meninas.
— Ajudar? — Elaine não soube o que pensar.
— Você continua felizona e fantasiando coisas, Elaine. A ciência para você é maravilhosa, mas ela só é complexa. Assim como a situação. — Elaine cruzou os braços e ouviu a muher. — Tem que parar de achar que todo mundo tem que ver um unicórnio rosa quando vê um Stariano. Os gigantes dão medo. São agressivos e nos tratam como seres inferiores até se vincularem.
— Áries te tratou como um ser inferior? — Elaine afinou os olhos, quase desconfiada.
— Ele me julga uma traidora de Elaine, e se sentiu ofendido quando soube que teria que me salvar. Não é lá uma recepção confortável. Ele acha que só foi designado aos traidores por ser um traidor também. — Elaine tentou engolir o riso e o pequeno sentimento de vingança vitorioso que brotou dentro de si. — Aí, do nada, você quer que a gente trepe com isso e faça um filho pra viver o resto da vida num planeta escroto cheio de Starianos orgulhosos.
— Quando o vínculo acontece, Kelly, não é dessa forma. — Elaine a fez se calar, a observou e então entendeu. — Se interessou por ele, mas ele não se interessou em você? — Kelly bufou, cruzou os braços e virou a cara. — Eu não acredito… — Dessa vez Elaine não segurou a risada.
— Vá se ferrar, Elaine. — Kelly soltou entre os dentes.
Elaine engoliu o riso, tentou se recompor e pensou sobre o assunto. Logo ela estava bem e olhando de um modo mais profissional para a ex-amiga.
— Tudo bem. Você vai me ajudar com as humanas, pois estarei mentindo se disser que estou dando conta, mas tem alguns pontos.
— Quais pontos? — Kelly já havia engolido a ofensa, para discutir o propósito.
— Vai se dedicar. A ferro e fogo. Eu amo esse lugar e não admito nada menos do que o seu esforço máximo.
— Eu concordo. — Kelly respondeu firme.
— Vai ter que revelar porque veio, e vai passar por um teste julgador. É impossível mentir para um Stariano, e tem um bem poderoso que pode matá-la se sentir o cheiro da mentira. — Kelly mudou sua posição na cadeira, mas concordou de um jeito fraco. — Agora o último ponto. — Ela observou Kelly de um jeito desafiador. — Se obrigar um Stariano a qualquer efeito reprodutor contra a sua natureza, ele te mata como um animal.
— O que quer dizer?
— Que eu a conheço, e sei dos seus joguinhos sedutores que usava para ter o que queria. — Elaine falou sério. — Mas imagine que aqui você tenha se apaixonado e o Stariano não se vinculou a ti. Se por um acaso você e sua mentalidade fútil de mulher recusada entrar numa sala e fazer um experimento medonho para forçar o stariano a estar contigo, ele a matará sem êxito. — Elaine estava ditando o mais duramente possível. — O vínculo está conectado no âmbito mais poderoso da raíz stariana. Eles ficam insanos quando perdem o controle do vínculo. E eles não serão condenados se, por esta razão, matarem uma humana. É extremamente proibido mexer indevidamente com o vínculo. Mas você será condenada se fizer uma atrocidade dessas.
— Acha que vou fazer uma merda dessa com Áries? — perguntou ofendida.
— Eu não acho. Eu tenho certeza que um absurdo desse passou pela sua cabeça. Mas, se eu estiver certa, você é inteligente demais para colocar sua b***a acima da sua vida.
Elaine se levantou, abriu a porta do consultório de vidro e deu espaço para Kelly. Ela se sentiu extremamente ofendida, mas mesmo assim se levantou. Kelly já podia voltar para o alojamento e seria escoltada por dois Starianos, mas ainda parou na porta e olhou para a ex-amiga.
— Acredite em mim quando eu digo que posso ajudar. — Kelly soou firme. — Gisele veio me procurar depois do passeio maternal que teve com você. Ela é uma i****a pra escolher a vida adulta de um jeito racional e me pediu ajuda para saber se realmente está grávida. Aquela menina é impulsiva e está andando demais com aquela maluca da Cassandra, e eu não duvido que aquela ameba religiosa a esteja convencendo a abortar. Aquela mulher é maluca e está dificultando o seu precioso trabalho. — Elaine arregalou os olhos. — Vou ficar de olho nela, até você aparecer. Vai por mim Elaine, eu posso ajudar. Aliás, eu já estou ajudando.
Kelly saiu andando com a companhia de seus guarda costas. Olhou para trás e observou Elaine quase perder um por cento da sua pressão com a notícia. E Kelly teve certeza do que já pensava, ela realmente ama Starian. Elaine encontrou seu lugar no universo, mas ela ainda não. Mas ela não estava com inveja, ela estava feliz pela ex-amiga. Elaine merecia ter o seu lugar no mundo.
(...)
— Onde ela está? — Cassandra perguntou ao se aproximar de Meredith e Brisbee, enquanto todas as garotas faziam um tour pelo Alojamento Renascimento.
Cassandra estava sendo evitada de algum modo, e começou a perceber. Ela passava de grupos em grupos praticando sua conversão religiosa, mas exagerava em seus esforços. Ela assustava as meninas e estava decididamente a se empenhar em Gisele, uma vez que queria mesmo que a garota não estivesse grávida. Em sua cabeça, evitar isso era sua missão de vida.
— Não enche Cassandra. — Meredith tomou a frente enquanto observava ao redor.
Os Ellidium eram os pioneiros no tour, e mostravam todos os pontos específicos do alojamento. Eles mostravam como estava sendo planejado as áreas com vida vegetal. Era um bairro gigantesco que estava sendo planejado para se estar ainda maior futuramente e se tornar a primeira cidade de mestiços. Elaine e Volkon eram os picos da história, mas o foco no momento era mostrar para as humanas os esforços dos Starianos em adaptar o lugar para a nova era.
Enquanto um grupo de Starianos Ellidium mostravam as plantas que estavam sendo colocadas nas entradas das cápsulas e explicavam o projeto de adaptar a vegetação humana em Starian, Cassandra insistiu em saber onde estava Gisele.
— Ela não devia estar nesse tour com a gente? — A mulher de trança longa e cenho franzido se fazia persistente, ignorando os ensinamentos dos Starianos.
— Ela já veio pra cá, jumenta. — Brisbee revirou os olhos. — Gisele não vai mais ficar com a gente. Pegou o ar de Starian por muito tempo antes de terminar a adaptação, agora está passando por outros exercícios.
— Isso é péssimo! — Cassandra se sentiu vencida. — Se ela estiver grávida…
— Vai fazer o que, Cassandra? — Meredith virou para a mulher e mordiscou o piercing do seu lábio. — Vai matar o bebê? — Ela cruzou os braços e olhou duro para a mulher. — Você anda sendo bem insistente ultimamente, já está na hora de cair na real. Gisele não vai cair nessa sua ladainha esquisita.
— Nunca duvide dos poderes divinos! — Cassandra refutou, um tom mais baixo, demonstrando estar levemente acuada.
— Não duvidamos do poder divino. Só não estamos suportando essas suas gracinhas. — Brisbee respondeu dura.
— Algum problema, criaturas da Terra? - Um guarda Stariano se aproximou sorrateiramente e as pegou de surpresa, enquanto a multidão de humanas ainda observavam os starianos Ellidium apresentarem seus esforços. — Parece que precisam de ajuda.
Meredith deu as costas, Brisbee fez cara feia para Cassandra e não perdeu a oportunidade.
— Ela precisa sim, seu guarda. Essa humana está planejando meios de matar os bebês Starianos entre nós. Acho melhor dar um jeito nela. — Cassandra arregalou os olhos e sentiu o seu corpo tremer. Brisbee a olhou com certa raiva e Meredith quase não acreditou na situação. — Invoque seus poderes divinos agora, Cassandra. Ou apenas aceite que você é igual a gente, uma descartada na terra. Você não tem missão nenhuma aqui, só está mentindo para si mesma!
— Pequena humana, peço gentilmente que nos acompanhe. É uma denúncia grave. — O Stariano tinha olhos dourados, pele avermelhada, mas estava às costas de Cassandra. Quando ela virou para trás e viu o suposto guarda com pequenos chifres em sua cabeça, só lhe restou fazer o sinal da cruz e se entregar ao desmaio.
O baque do corpo caindo ao chão tomou a atenção de todos, enquanto Brisbee apenas arqueou o corpo para frente e respirou aliviada.
— Perdi uma porção da explicação…