Se Darius pudesse descrever o que sentia, a dor seria sua primeira palavra. Ele desejava tanto estar perto da fêmea humana que seu corpo doía. No entanto, isso não o impedia de vê-la à distância pelas telas de acesso. Gisele tinha uma rotina forçada em exercícios, alimentação regular e agora precisava se empenhar para fortalecer os pulmões, para não ceder à agressividade do ar de Starian. E ele tinha uma parcela de culpa nisso.
O fato é que Elaine ainda não lhe enviou o comunicado e nem o antídoto. Ou ela ainda estava alimentando as esperanças de Darius, ou só estava ganhando tempo. E pela distância, a falta do vínculo causava-lhe sofrimento.
— Capitão Goldarx. — A porta automática foi acionada, surgindo nela um Stariano semelhante à Darius e tomando sua atenção. — Conseguimos prender um elemnto importante.
O gigante estava dentro de uma sala metalizada e desligou o monitor sem se preocupar em se justificar. Ele era o capitão e os detalhes do que fazia não interessavam aos outros, sendo assim, seguiu o combatente que deu o aviso e andou cuidadosamente pelos corredores metalizados da base que ocupava.
O combatente foi cuidadoso e foi lhe passando os detalhes da operação para lhe entregar um relatório depois. Uma vez que Darius precisava estar distante de Gisele para conseguir dar à ela o seu precioso espaço sem agir como um animal, ele se empenhou friamente contra os ataques silenciosos da rebelião. Isso o fez sair vitorioso e sua equipe conseguiu um dos agentes inteligentes da corporação inimiga.
Quando ele entrou na sala branca de contenção, um Ellidium com duas antenas e olhos negros estava de pé. Havia um campo de força invisível e alguns Starianos vigiando o traidor com atenção.
— Eluhaim, da raça Ellidium. Ele praticava alguns experimentos laboratoriais ao comando de Korbius. E se negou a entregar o nome de seu novo líder. — Darius usava seu legítimo uniforme preto com impalas douradas e a insígnia de subordinação ao poderoso Galak, mas tirou sua jaqueta. Ele deixou a peça cair no chão e assinou o mecanismo à sua frente para abrir passagem pelo campo de força e conseguir entrar. Assim que ele atravessou, o campo se fechou novamente e o Ellidium permaneceu impassível. — Senhor, já tentamos intimidá-lo. — avisou um soldado.
Darius ficou em pé à frente do inimigo, respirou fundo e pensou em como seu corpo pedia para se restabelecer com sua humana constantemente. Era um vício rapidamente adquirido e ele estava em abstinência, e para descarregar as tensões da maldita abstinência, ele preferia drenar sua energia da melhor forma. E, silencioso, Darius apenas levantou o punho e socou o Ellidium. Ele drenar sua raiva, expondo um pouco de força.
Assim que o Elelidium caiu no chão e bateu os joelhos com o baque, ele abriu um sorriso e começou a rir aos pés de Darius. De alguma forma, aquele ellidium achava que tinha vantagens.
— As agressões jamais me farão entregar o meu grandioso mestre. — Ele olhou para cima e manteve suas feições firmes para Darius.
Então, o gigante dourado olhou para baixo e sorriu ladino.
— Eu já estou ciente que não vai entregar o seu líder. — O Ellidium notou a sombriedade nas palavras do Goldarx e dispensou o sorriso no rosto ao ouvir o gigante dourado. — Eu não vim aqui para obter os seus segredos. Eu tenho ordens para eliminar os traidores, mas o meu superior não me limitou às formas de o fazê-lo. — O Ellidium engoliu devagar e sentiu o calafrio da morte tomá-lo. — Eu vou matar você.
O Ellidium se assustou, tentou golpeá-lo nos pés, mas sua raça era conhecida pela força mental e não a bruta. E Darius o chutou, abaixou-se rapidamente, o puxou pelos cabelos e desferiu mais um soco. O Ellidium caiu de costas, então Darius apenas subiu em cima do corpo e passou a golpeá-lo em socos alternados e de força reduzida, descarregando a força bruta no rosto do Ellidium de um jeito pavorosamente dolorido e lento.
Os Starianos se entreolharam, sabiam que para evitar o sofrimento do espécime bastava um golpe, mas era evidente que Darius não queria fazer aquilo do modo rápido. De repente, de um modo desesperado o Ellidium tentou procurar por um resquício de salvação e o tocou quase engasgado de sangue e pancada, soltando sua voz agonizada.
— Os humanos… — Darius segurou o punho, sem nenhum remorso o manteve no alto e olhou o Ellidium entupido de sangue escuro no chão. — Estamos negociando com os próprios humanos para impedir o experimento. Cassandra Maltez veio da terra a mando de uma negociação do antigo Kórbius. — Ele tossiu e Darius franziu o cenho, mas o moribundo continuou. — São os próprios Humanos que estão traindo starian. E Meldor pretende usar isso contra o próprio experimento. Cassandra Maltez é a humana da rebelião… — E o Ellidium sorriu fraco. — Meldor está usando as próprias armas de Starian, contra ela mesma…
Quando ele citou o nome dela, Darius arregalou os olhos e desceu os punhos com a sua verdadeira força. Sua mão arrebentou a cavidade óssea do Ellidium e ele afundou as escamas douradas dentro da formação facial do Stariano. Ele não sabia como conter a adrenalina que subiu por seu corpo, mas sabia explicar o ódio que estava sentindo. O silêncio entre os Starianos era surreal. Eles assistiram Darius matar um Ellidium por puro prazer e engoliram extremamente devagar, uma vez que a delegação Militar de Galak era extremamente respeitada, agora também era extremamente temida.
— Senhor… — um Stariano tentou falar, mas obteve o olhar escuro e macabro de Darius.
Por uma leve fração de segundos, Darius se recordou de Cassandra Maltez quando tentou se aproximar de Giselle no dia em que ele amanheceu sem ar em sua cápsula, já na ala hospitalar. Agora, ele estava longe e Gisele dividia a quarentena com o inimigo. Era impossível ver e saber o que era perigo iminente ou não. E o pior, ninguém podia imaginar isso…
O ataque ele sofreu nas estrelas, não era para matar as humanas. Era para que a rebelião chegasse até elas. E ele simplesmente correu, disposto a chegar até o posto de comunicação e implorar para que Volkon guardasse sua fêmea até sua chegada.
— Faça um relatório urgente e o envie direto para Galak. — ordenou, rumo ao seu novo alvo de ódio. Uma humana.