CONTINUAÇÃO DO FLASHBACK
As amigas de Mia — Selena Starlight, Sara Montserrat, Yasmin Donavan e Alícia Salazar, e claro Júpiter Starlight, que era mais comedida — tentaram puxar Mia para dançar com elas, mais distante de Bryan. Mas ele a puxou de volta. Selena, a mais audaz delas, a bela e ruiva de olhos verdes esmeralda, tinha um senso de justiça enorme e se tornaria uma advogada brilhante com toda certeza.
— Solta ela, Bryan! Qual o seu problema? — ela rugiu para Bryan, que não se intimidou nem um pouco. Mia estava entre os dois; Bryan puxava o braço dela de um lado e Selena do outro. Mia parecia uma boneca sendo puxada.
— Se mete na tua vida, Selena! — Ele rosnou de volta, claramente irritado.
— Deixa ela respirar um pouco, seu lunático! — Selena respondeu a ele com o mesmo tom irritado.
— Bryan, eu só vou dançar com as meninas, não é nada demais, fica tranquilo. — Mia falou para ele, a voz suave tentando se soltar da mão dele em seu braço inutilmente. Não estava machucando, mas ele também não a soltava de jeito nenhum. Ele não ia ceder, o que era estranho; geralmente ele a deixava solta e a observava de longe, sempre distante e frio com ela. Mia puxou o braço de novo, e ele a soltou.
— Quer saber? Que se dane! Se acontecer alguma coisa, a culpa é totalmente sua! — Ele exclamou para Mia com raiva. Mia se encolheu um pouco. Ela decidiu não se afastar muito. Ela não gostava de irritá-lo. Ela não era do tipo submissa, era forte e sabia o que queria, mas tinha necessidade de tentar agradá-lo. Ele era seu companheiro, e Mia não entendia por que ele era assim com ela, sempre ríspido e frio, sempre a criticando e irritado com ela. Mia respirou fundo, olhou para a amiga e falou baixinho.
— Amiga, vamos ficar aqui mais perto… não quero irritar mais ele. — Ela falou meio cabisbaixa.
A amiga a encarou como sempre fazia, com pena e indignação.
Cerrou o maxilar e falou:
— Tá bem, mas se ele latir de novo, eu juro pela Deusa que não vou me importar se ele é a p***a do Alfa, eu vou rasgar essa cara de nojento dele com as minhas garras. — Ela ameaçou e falou alto o suficiente para ele ouvir e dar de ombros para ela.
As meninas se aproximaram, e Mia começou a dançar com as amigas, o peso da situação parecia ter se dissipado; ela ria e dançava com elas…
Mas em um certo momento, Bryan resolveu que queria ir embora. Já estava estressado, e a noite não estava sendo boa para ele. Ele foi até Mia e fez algo que todos ao redor deles ficaram chocados. Ela estava rebolando até o chão; ele esticou o braço e a puxou pelo pescoço.
Virou ela para ele e falou:
— Já deu desse seu showzinho, vamos embora.
Mas dessa vez ele apertou o pescoço dela para dar um aviso. Não machucou, mas não foi gentil e nem contido. Mia se debateu, já irritada com a situação.
— Me solta Bryan! Qual é o seu problema? Não está acontecendo nada de errado para você agir assim!
Ele pareceu meio atordoado com a declaração dela. E então ele olhou para cima e viu: a lua estava cheia, enorme, banhando o céu. Então era isso. Ele ficava sem controle na lua cheia.
Antes que Bryan pudesse reagir mais, Axel Blackwolf, seu irmão mais novo, mas não tão novo assim, a diferença de idade deles era de um ano e meio apenas. Axel, assim como seus irmãos trigêmeos, Gael e Niel, eram Alfas.
— Solta ela, seu merda! Está machucando ela! — Ele rugiu furioso para Bryan, que ainda segurava Mia pelo pescoço por trás, a mão dele circulando o pescoço dela de forma perfeita.
Mia congelou. Ela sabia que aquilo só ia piorar as coisas, e então as coisas explodiram muito rápido.
O primeiro soco veio como um raio. Axel não hesitou — seu punho cerrado atingiu o queixo de Bryan com um crack seco, fazendo o irmão mais velho recuar um passo. Mas Bryan não caiu. Em vez disso, seus olhos brilharam com uma fúria animal, a lua cheia intensificando a agressividade latente em seu sangue.
Ele revidou com um gancho brutal no abdômen de Axel, seguido de um joelhada que fez o irmão mais novo dobrar-se para frente, arfando. A multidão ao redor deles recuou, formando um círculo instintivo ao redor dos dois alfas. Mia, ainda puxada por Ben, gritou:
— Parem!
Mas era tarde.
Axel, recuperando-se rápido, agarrou Bryan pela gola e arremessou-o contra uma mesa de drinks, que desabou em estilhaços. Copos voaram, líquidos escorreram pelo chão, mas Bryan já estava de pé, os músculos tensos, a respiração ofegante. Ele avançou de novo, desta vez tentando derrubar Axel com um tackle brutal. Os dois caíram no chão, rolando em uma mistura de socos, cotoveladas e rosnados surdos.
Axel conseguiu montar em Bryan e desferiu dois socos rápidos no rosto do irmão. Sangue escorreu do nariz de Bryan, mas ele não parou. Com um movimento brusco, ele inverteu a posição, esmagando Axel contra o chão.
— Você acha que pode me desafiar?! — Bryan rugiu, os dentes cerrados, os olhos ardendo como brasas.
Axel, mesmo pressionado, cuspiu sangue e sorriu.
— Sempre.
E então, com um movimento rápido, ele chutou Bryan no peito, afastando-o o suficiente para se levantar. Os dois ficaram de pé novamente, circulando um ao outro como lobos prestes a atacar.
Ben tentou intervir, mas Gael e Niel, os outros dois irmãos alfas, o seguraram.
— Deixa eles. — Gael resmungou. — Já tava na hora de resolverem essa merda.
Bryan atacou primeiro, um soco direto que Axel desviou por pouco, contra-atacando com um joelho no estômago. Bryan engoliu o golpe e agarrou Axel em um clinch apertado, os músculos dos braços tremendo de esforço enquanto tentava quebrar o irmão ao meio.
Axel respondeu com uma cabeçada que estalou contra a testa de Bryan, fazendo os dois recuarem, tontos e sangrando. A respiração deles era pesada, os corpos marcados por hematomas, mas nenhum dos dois cedia.
Foi então que Mia se libertou de Ben e entrou no meio deles, os braços abertos.
— CHEGA! — Ela gritou, as lágrimas brilhando nos olhos, mas a voz firme. — Vocês dois são idiotas!
Os dois irmãos hesitaram, os punhos ainda cerrados, mas a presença dela quebrou o transe da luta. Bryan olhou para Mia, depois para Axel, e finalmente baixou os braços, cuspindo sangue no chão.
Axel fez o mesmo, limpando o lábio partido com o dorso da mão.
— Tá bom. — Ele resmungou. — Mas se você encostar de novo nela desse jeito, eu vou te mandar direto pro necrotério!
Bryan não respondeu. Apenas puxou Mia pelo braço — desta vez com menos força — e a arrastou para longe, sem olhar para trás.
A boate ficou em silêncio por um momento, até que a música retomou e as pessoas voltaram a se mover, como se nada tivesse acontecido.