Capítulo 76 - O Baile da lua ( Parte 1 )

1488 Words
O salão principal da Costa da Lua brilhava sob luzes prateadas que desciam do teto envidraçado como véus líquidos. O mármore n***o refletia as constelações holográficas que dançavam acima das cabeças dos convidados, criando a ilusão de um céu vivo dentro do salão. Bryan entrou ao lado de Mia E antes que ela pudesse dar dois passos, lobos de matilhas diferentes começaram a se aproximar, reverentes, curiosos, emocionados. Ela nunca havia sentido tanta atenção — tanta devoção quase palpável. Mas, surpreendentemente, aquilo não a incomodava. A Lua brilhava nela... e todos viam. Bryan também viu. Ele a olhou como se estivesse vendo-a pela primeira vez. Os olhos azuis dele brilharam, abertos, vulneráveis, sem muralhas. — Você está perfeita, meu amor... — ele disse baixo, rouco, como se a voz arranhasse sua alma. — É tão linda que nem parece real... Mia corou na hora. O coração dela bateu torto, como uma batida fora do compasso. "Ele está removendo as barreiras... ele está vindo até mim... finalmente — pensou, quase sem ar." Bryan pegou a mão dela. Não só pegou... inclinou-se e a beijou devagar, com reverência. O toque fez a Pedra da Lua em seu colo pulsar um brilho suave. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, alguém se aproximou. — Alfa Bryan, sua companheira é divina. — Uma visão! A própria filha da deusa! — O Rei Alfa e a Rainha Luna... estão deslumbrantes esta noite. Mia sorria, educada, mas por dentro o coração dela estava nas mãos dele. E Bryan não tirava os olhos dela nem por um segundo orgulho, desejo, saudade, amor apertando a garganta dele de um jeito que ele não conseguia esconder. " Deusa por favor ... me perdoe por todos os erros do passado e me dê forças e sabedoria para reconquista-la..." Ele pensou emocionado. Então ele falou algo que destravou algo profundo nela. — Quer dançar, amor? Aquilo atingiu Mia como um golpe direto no peito. Eles não dançavam havia tanto tempo... tanto silêncio, tantas feridas abertas, tantas tentativas de amar sem se perder. — Sim... eu quero muito. — ela disse tremendo. O sorriso dele veio lento, triste e feliz ao mesmo tempo. Um sorriso que só Mia conhecia. Bryan a conduziu até o centro da pista. As pessoas se afastaram automaticamente em reverência pura. O DJ ergueu a mão, e o salão mergulhou em um silêncio suave antes de uma música melodiosa começar. Uma melodia lenta, romântica, escolhida especialmente para o Alfa e sua Luna. Mia estava emocionada. Os olhos ardiam. Bryan sentiu. Claro que sentiu. O vínculo queimava, vivo, vibrante. Ele a puxou pela cintura com firmeza — não agressiva, mas possessiva, íntima, antiga. E ela se encaixou nele como se nunca tivesse partido. Eles dançaram. Movimentos leves, sincronizados, quase sagrados. Os corpos lembravam o caminho mesmo depois de toda dor, toda distância, todas as cicatrizes que os separaram. Era como se, ali, por alguns minutos, o vínculo respirasse aliviado. O coração deles bateu no mesmo compasso. A Pedra da Lua brilhou mais forte. E todos viram. A Rainha e seu Rei. O Alfa e sua Luna. Dois destinos feridos que ainda se atraiam ... apesar de tudo. A música envolvia o salão como um feitiço suave enquanto Bryan e Mia dançavam, grudados de um jeito que parecia selado pela própria Lua. Ele a guiava com firmeza, a mão em sua cintura, o corpo encaixando no dela como se aquela dança fosse um idioma que só os dois falavam. Os olhos dele queimavam nela. E então, com a voz baixa, rouca pelo peso do que sentia, Bryan encostou a boca perto da orelha dela e murmurou: — Se eu pudesse voltar no tempo, minha Luna... eu nunca deixaria de viver nada com você. Um suspiro quente deslizou pelo pescoço dela antes que ele continuasse: — Mas ainda temos tempo... graças à Lua. E eu vou recompensar todo o tempo perdido. Eu te prometo... A promessa entrou em Mia como um raio. Ela sentiu a verdade. Sentiu o peso. Sentiu a alma dele tremendo dentro da dela. O vínculo vibrou. E não só ela sentiu. Os lobos ao redor, ainda afastados para deixá-los dançar, murmuravam entre si: — "Nossa... eles são perfeitos juntos..." — "Olha o Alfa e a Luna... nunca vi um par tão lindo..." — "O poder deles juntos... meu Deus..." Mas Bryan e Mia não ouviam nada. Eles só viam um ao outro. Só sentiam o outro. O mundo inteiro deixava de existir. Os rodopios eram suaves, quase flutuantes. O toque dele era quente, decidido. E a forma como Bryan a puxava para mais perto, roçando o rosto no dela, sussurrando promessas que deixavam sua pele arrepiada... fazia Mia querer chorar e sorrir ao mesmo tempo. E então veio o golpe final. Durante um giro lento, Bryan inclinou o rosto e pressionou os lábios no pescoço dela. Um beijo lento. Profundo. Quente. As pernas de Mia quase falharam. O coração dela bateu tão forte que o vínculo pulsou luz — e Bryan sorriu contra a pele dela quando sentiu. A música terminou com um último acorde... mas a conexão deles continuou vibrando. Ele a levou pela mão até a mesa principal. Sentaram-se juntos. Brindaram. Conversaram baixinho. Riram. A noite parecia leve — tão leve que Mia quase acreditou que nada poderia quebrar aquilo. Eles estavam conectados. De verdade. Como há muito tempo não estavam. Foi nesse exato instante — quando Mia apoiou a mão sobre a de Bryan, e ele entrelaçou os dedos nos dela — que a atmosfera mudou. O ar ficou pesado. O murmúrio diminuiu. A tensão tomou forma. Daemon Hemlock chegou para cumprimentá-los. O salão ainda vibrava com a energia da dança quando o ar mudou. Não foi som. Não foi movimento. Foi... presença. Um peso antigo, escuro, arrastando sombras consigo. Daemon Hemlock apareceu. Ele não andava — ele deslizava como um predador acostumado à escuridão, cada passo silencioso demais para um lobo daquele tamanho. Sua aura diminuía a luz ao redor, como se o próprio salão temesse sua chegada. Ao seu lado, Lívia Ashworth Hemlock, a irmã de Mia, caminhava como uma tempestade contida. Linda, letal, arregimentada em uma postura rígida demais para ser natural. A ausência de seus tradicionais olhares de deboche era mais inquietante do que a presença deles. Era como encarar uma arma travada por um feitiço. Mia sentiu o estômago apertar. Daemon e Bryan se encararam antes mesmo de estarem próximos o suficiente para ouvir a respiração um do outro. O choque de seus olhares fez o ar estalar — arrogância antiga contra poder atual. Os olhos verde-terra-dourado de Daemon brilhavam como brasas antigas, carregados de uma história que Bryan não esquecia. E Bryan não recuou nem um centímetro. Quando eles finalmente chegaram à mesa, Daemon sorriu daquele jeito que sempre pareceu metade charme, metade ameaça. — Boa noite, Alfa e Luna... — ele disse. A voz dele era suave demais, polida demais, como lâmina recém-afiada. Bryan respondeu antes que Mia pudesse abrir a boca. — Espero que você não seja o protagonista desses ataques. A voz corta, baixa, gélida. Nem um esforço para esconder a hostilidade. Daemon arqueou uma sobrancelha — não ofendido, mas... divertido. — Não tenho motivos para atacar alcateia alguma, Alfa Bryan Blackwolf. Já vivi muitas guerras. E perdi muito nelas. Ele então se demorou olhando Mia, o olhar nostálgico. — Não desejo viver mais nenhuma. Portanto, conte com as minhas forças para eliminar essa ameaça o quanto antes e restaurar a paz. E então, mais baixo, pesado: — Mas... se for necessário, eu lutarei até o fim... pela nossa Luna... Ele passou o olhar passou por Mia novamente. A sinceridade dele era cortante. Ardida. Incontestável. Bryan apenas assentiu — rígido, contido, mas com o lobo por trás dos olhos rugindo. Mia sentia a tensão se espalhar pelas mesas ao redor como ondas num lago. Cada músculo de Daemon parecia preparado para guerra, mas seus olhos... ah, os olhos... olhavam para ela de um jeito que feria. Era o mesmo homem que um dia arrancara seu coração com as próprias mãos. — Daemon... espere ... — ela chamou. O nome dele nos lábios dela pareceu quebrar algo no ar. Ele a encarou como se o tempo tivesse parado. Como se tivesse ouvido aquilo pela primeira vez em séculos. Um eco antigo, uma chama reacendida sem permissão. — Preciso conversar com você. Bryan se mexeu no trono, o corpo tenso, o grunhido baixo escapando sem que ele pudesse controlar — um aviso primal. Ele se inclinou para frente, postura de rei, mas olhos de fera. A voz dele veio áspera, ferida e possessiva o suficiente para cortar pedra: — Vocês podem conversar aqui mesmo, bem na minha frente... Não era escolha. Era ordem. Bryan cerrou a mandíbula. A proximidade, o olhar entre Mia e Daemon, a familiaridade implícita e tudo isso acendia algo perigoso dentro dele. E a tensão explodiu no ar como trovão silencioso.
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