Bryan estava à beira do colapso. O ar ao redor dele parecia ferver, carregado com aquela possessividade que só um Alfa enlouquecido conseguia liberar. Os olhos azuis faiscavam como lâminas prestes a cortar qualquer um que ousasse atravessar seu limite.
Ele deu um passo à frente, a sombra dele engolindo Caleb Maddox por inteiro.
— Cuidado, guerreiro. — a voz de Bryan saiu baixa, grave, como um trovão em contenção. — Esta é a minha mulher. A sua rainha. A Luna desta alcateia. Tenha muito cuidado com onde você toca… não queira me deixar descontente. Entendeu?
A tensão no ambiente ficou tão pesada que até quem não era sensível ao cheiro de dominância pôde sentir. Era como ferro quente. Como tempestade prestes a cair.
Caleb Maddox ergueu o queixo apenas um milímetro — o suficiente para mostrar que tinha ouvido perfeitamente, mas não se sentia intimidado.
— Sou apenas um guerreiro, Alfa. — respondeu, com uma calma que parecia calculada. — Meu dever é treinar a Luna. Nada além disso.
O maxilar de Bryan travou. Ele analisou o guerreiro como se pudesse desmontá-lo com os olhos, procurando qualquer traço de arrogância, desafio ou cheiro de intenção indevida.
Mas encontrou só gelo.
Controle.
Neutralidade absoluta.
Isso irritou Bryan mais do que se Caleb tivesse rosnado de volta.
— Muito bom. — o Alfa enfim disse, num estalo ríspido. — Que assim continue.
Ele voltou para a fileira, mas a raiva presa em seu peito vibrava no ar como um trovão mudo. Vários guerreiros engoliram em seco, torcendo para que Bryan não perdesse o controle naquele lugar sagrado.
Quando Mia voltou da pausa, o joelho ardendo apesar de limpo, o ar parecia diferente. Carregado. Instável.
Ela percebeu Bryan ali, parado como uma muralha prestes a se mover.
Antes que Caleb retomasse a instrução, Bryan ergueu a mão.
— Luna.
A voz dele não chamava — ordenava, puxava, prendia.
Mia virou-se. O olhar dele estava calmo… mas era aquela calma que antecede o furacão.
— Permita-me um momento. Quero treinar com você.
Ela estreitou os olhos.
Duvidosa.
Cansada.
Meio irritada.
“Ele vai pegar leve”, pensou — e o pensamento a deixou amarga.
Bryan sorriu de canto, aquele sorriso que dizia mentira, eu te ouvi.
— Eu não vou pegar leve. — disse, dando um passo à frente. — Eu sei o que você precisa… e eu vou te dar.
Mia engoliu seco.
Porque naquele momento ela acreditou.
Ele realmente ia lutar contra os instintos de protegê-la demais.
E isso por si só já era um avanço tremendo.
— Está bem. — ela cedeu, finalmente.
Caleb recuou dois passos, silencioso, observador.
Mas Mia percebeu um quase brilho em seus olhos — algo entre curiosidade e outra coisa que ela não soube ler.
Bryan se aproximou, e o ar entre eles mudou, tornando-se carregado com a intensa conexão de companheiros. Ele começou a demonstrar movimentos, não com a frieza de um instrutor distante, mas com a i********e de quem a conhecia.
— Sua postura aqui está um pouco solta — ele disse, e com mais liberdade do que Caleb poderia ter, sua mão tocou levemente o ombro dela, ajustando-a. — Fixe os pés assim, sinta a base no chão. Isso.
Ele explicava a mecânica de cada golpe, a forma de desviar, a importância da respiração. Suas dicas eram precisas, e ele corrigia a postura dela com toques diretos e rápidos, movendo suas pernas, ombros e quadris para as posições corretas. Os músculos de Mia, embora doloridos, começaram a responder. Ele conseguia tocar pontos onde Caleb, por ser um estranho e por respeito à Luna do Alfa, não ousaria.
Com essa i********e, Bryan alcançava e corrigia detalhes sutis que faziam toda a diferença na execução dos movimentos.
— Isso mesmo. Agora, sinta o golpe vindo do seu quadril, não apenas do seu braço — ele instruía, movendo-se com ela, a intensidade em seus olhos. — Use seu peso, Mia. Você tem força, precisa aprender a canalizá-la.
Mia estava surpresa. Ele não estava pegando leve. Cada correção era firme, cada instrução direta. A adrenalina que a impulsionava no início da manhã voltava, misturada a uma sensação de contentamento que ela não esperava. Ela estava feliz que ele não estava subestimando-a.
Ele fez um movimento.
Ela tentou repetir o movimento.
Ele corrigiu de novo — firme, intenso, certeiro.
— Melhor. Mas você ainda está usando 30% do que tem.
— Trinta? — Mia bufou. — Nem parece.
Bryan riu baixo.
Um som que arrepiou a espinha de metade da arquibancada.
— Eu conheço você, Mia. Sei exatamente onde você pode ir. E você está longe do seu limite.
Os músculos dela tremeram sob o esforço, mas pela primeira vez em muito tempo, Mia sentiu orgulho de si mesma.
Orgulho da dor.
Da evolução.
Daquela versão dela que queria — e iria — se tornar invencível.
De repente, Bryan recuou um passo.
Os olhos dele brilharam de um jeito que Mia reconheceu na hora:
não era luxúria, nem ciúmes.
Era desafio.
— Vamos treinar em forma de lobo.
A frase caiu no chão como um raio.
Um burburinho percorreu o complexo.
Alguns guerreiros endireitaram a postura.
Outros arregalaram os olhos.
Treinar em forma de lobo era sagrado.
Era como expor a alma nua.
E exigia total confiança.
Mia respirou fundo.
E concordou.
Bryan retirou a camisa primeiro.
Depois o restante das roupas.
O corpo dele — todo músculo, cicatriz e tatuagens — cintilava sob a luz.
Então veio a transformação.
O estalo dos ossos se rearranjando.
O crescer do pelo.
O lobo emergindo como uma sombra viva.
O enorme lobo n***o, de olhos azuis flamejantes, fitou Mia com uma intensidade que gelava e queimava ao mesmo tempo.
Ela tirou suas roupas, o coração acelerado, e deixou Mika emergir de dentro dela.
A loba branca, de olhos dourados ardentes.
Quando seus olhares se encontraram, a ligação mental explodiu:
Mika rosnou, empolgada.
O combate começou com Bryan atacando primeiro — como sempre.
Uma sombra veloz, um trovão com garras.
Mika desviou por centímetros, sentindo o vento cortar seu pelo.
Ela respondeu com um ataque lateral, mais rápido do que imaginava ser capaz. Bryan desviou com maestria, mas ela percebeu o leve recuo.
Mika rosnou, eletrizada pela provocação.
O embate continuou — um baile selvagem, violento, perfeitamente sincronizado.
Cada movimento era uma declaração.
Cada colisão, um grito silencioso de evolução.
Havia muitos espectadores naquela tarde observando com atenção a luta entre o alfa e a Luna no centro do complexo.
Brandon murmurou, boquiaberto:
— Cara… a Luna é insana.
Ben inclinou a cabeça:
— Ela vai ultrapassar todos nós.
Bernardo fungou.
— Bryan tá ferrado. Ela vai subir de posto e mandar nele.
Bryan empurrou Mika contra o chão, sem machucá-la, mas dominando com firmeza.
A pata dele pousou sobre o peito dela.
Mika respondeu com um rosnado firme:
O Alfa recuou.
E ambos retomaram a forma humana — ainda tremendo da transformação.
Bryan se vestiu primeiro, os olhos ardendo de orgulho.
— Foi um bom começo, Luna. — disse, se aproximando. — Você tem a garra.
Mia respirou fundo. A dor queimava, mas era a dor da vitória.
— Eu vou ficar ainda melhor. — ela disse.
— Eu sei. — Bryan sorriu de canto. — E eu vou estar do seu lado.
Ele acreditava nela.
Finalmente.
De verdade.
Mas enquanto os dois saíam do complexo, exaustos e unidos, Caleb Maddox permaneceu parado, assistindo à porta se fechar atrás deles.
Os olhos escuros de Caleb brilhavam com uma satisfação fria enquanto ele lia o que havia escrito antes de enviar:
**"O ataque funcionou. Ela está aqui, em contato comigo. O plano está funcionando."**
Com a mensagem enviada, ele guardou o celular, a expressão voltando à sua habitual compostura. Mas, por um breve momento, um sorriso sutil e quase imperceptível surgiu em seus lábios, um sorriso que prometia que os jogos de poder da alcateia estavam apenas começando, e Mia, a Luna recém-despertada, era apenas uma peça em um tabuleiro muito maior.