Capítulo 61 — O Orgulho do Rei (Parte I)

1032 Words
A porta do escritório jazia em destroços, uma testemunha silenciosa da fúria que acabara de explodir. Bryan permaneceu ali, imóvel, o ar gélido e denso com o peso de suas próprias palavras. O cheiro de madeira partida e o eco da saída de Mia eram um tormento mais agudo do que qualquer dor física. O rugido que se recusava a sair de sua garganta agora se transformava em um gemido interno de Bones, o lobo em seu peito, uivando em desespero pela Luna perdida. “Você é jovem, Bryan. Ainda tem tempo de consertar isso. Mas se continuar nesse caminho… vai destruí-la. Como Damon fez. E no fim, não vai perdê-la pra outro homem. Vai perdê-la… pro seu próprio orgulho ferido.” As palavras de Malik, frias e proféticas, perfuravam a névoa de sua raiva, cravando-se em sua alma como farpas de gelo. Bryan cambaleou para trás, não por fraqueza, mas por uma súbita onda de repulsa contra si mesmo. Seus olhos ardiam, não mais de fúria, mas de uma dor crua e uma vergonha que ele raramente permitia sentir. Ele odiava a vulnerabilidade que Mia despertava, a forma como ela desmantelava suas defesas com uma única palavra. Com um grito primal que rasgou o silêncio da mansão, Bryan agarrou uma cadeira de madeira maciça de carvalho, pesada e antiga, e a arremessou contra a parede oposta. — MALDITO SANGUESSUGA! — Ele exclama em fúria, a voz gutural e rasgada. O impacto foi violento, um som seco e estilhaçante que ecoou como um trovão. A madeira se desfez em lascas, espalhando-se pelo tapete persa, como fragmentos de sua própria paciência. Ele respirava com dificuldade, o corpo tremendo, cada músculo tenso pela necessidade incontrolável de quebrar algo, de extravasar a tempestade que rugia dentro dele. Seus passos pesados o levaram até o bar, onde a garrafa de whisky lunar, ainda aberta, parecia zombar dele com seu brilho prateado. Bryan a pegou com brutalidade, derramando o líquido violeta num copo de cristal que ele segurava com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. O álcool desceu queimando, mas não o suficiente para apagar o inferno em sua mente. “Como ela pôde fazer isso? Agir pelas minhas costas!” O pensamento era um veneno, alimentando sua fúria. A ideia de Mia agindo sem consultá-lo, sem se conectar a ele, era uma afronta direta ao seu instinto Alfa, ao seu controle. Sua companheira, sua Luna, deveria ser uma extensão dele, uma sincronia perfeita. Mas Mia, com sua essência Sigma, era uma força independente, e isso o matava de raiva. Ele a desejava submissa, não por fraqueza dela, mas para aliviar o peso esmagador de protegê-la. Mas sabia, no fundo, que a submissão dela vinha de uma dor antiga, de uma necessidade de se sentir “boa o suficiente” para ele, e isso o corroía. Ela era destemida, se arriscava, e isso o aterrorizava. A beleza dela, rara e extraordinária, atraía todos os olhares, até mesmo de humanos, e ele, o poderoso Rei Alfa, secretamente se sentia insuficiente para uma mulher tão incrivelmente poderosa. Ele odiava admitir, mas sentia um medo paralisante de perdê-la, de não ser capaz de mantê-la segura, de não ser digno de sua luz. Porém, por baixo de toda a raiva e orgulho, uma verdade inegável persistia: não importava o que acontecesse, ele sempre voltaria para ela. Ela era a única mulher que conseguia acalmá-lo e deixá-lo louco ao mesmo tempo. Ela era o ar que ele respirava. O mero pensamento de viver sem ela o deixava à beira de um abismo, de um caos indomável. O copo em sua mão rachou sob a pressão do seu poder e sua raiva, fragmentando-se como as promessas não ditas. Bryan o largou sobre o bar com um baque surdo, a decisão endurecendo em seus olhos. Ele podia ser orgulhoso, podia errar, mas não podia perdê-la. Não agora, não nunca. Foi nesse instante de vulnerabilidade que a voz de Noah Guerra, seu Delta leal, ecoou pelo corredor. — Alfa? Está tudo bem aqui? Quase imediatamente, Ares Mykonos, outro Delta e um de seus guerreiros mais confiáveis, apareceu ao lado de Noah, os olhos lupinos varrendo o cenário destruído do escritório. A preocupação em seus rostos era evidente. Eles sentiram a explosão de fúria e o cheiro estranho, embora fraco, que pairava no ar. Bryan virou-se bruscamente, a máscara de Alfa se repondo no lugar, embora seus olhos ainda carregassem um resquício da dor que Mia lhe infligira. Ele não podia mostrar fraqueza. Não agora. A presença de Malik, por mais breve, havia ativado seus instintos protetores mais primitivos. — Fiquem atentos! Reforcem a patrulha e a segurança — Bryan rosnou, sua voz baixa e cheia de uma autoridade perigosa, olhando diretamente para seus Deltas. — O vampiro voltou. Não o quero perto da minha Luna. Nem um passo. – Sim Alfa , faremos isso! – Os dois responderam simultaneamente. A última frase saiu como uma ordem impenetrável, cada palavra um comando. Noah e Ares assentiram imediatamente, a seriedade em seus rostos confirmando que haviam compreendido a gravidade da situação. A presença de Malik era uma afronta direta, e a proteção de Mia, uma prioridade absoluta. Eles se viraram para executar a ordem, deixando Bryan sozinho novamente. “ você precisa concertar oque fez” murmurou Bones dentro dele e Bryan concordou. Seu Lobo estava inquieto. Respirando fundo, o cheiro metálico de seu próprio desespero no ar, Bryan atravessou o escritório em ruínas, ignorando a porta arrombada. Subiu as escadas, cada degrau um fardo pesado, mas impulsionado por uma urgência que sufocava seu orgulho. “ Preciso deixar o que aconteceu no passado, oque ela fez não importa mais … não posso perder-la por coisas que já aconteceram a muito tempo” ele pensava consigo mesmo. Bones rosnou em resposta concordando. Seu orgulho, outrora sua armadura, agora era um peso morto que ele carregava com relutância. No topo das escadas, ao final do corredor, ficavam os aposentos dela. E, naquele momento, ir até ela, enfrentar o furacão que havia criado, era a única batalha que importava. O Rei estava indo suplicar à sua Rainha, e nada, nem mesmo o seu próprio eu orgulhoso, iria detê-lo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD