Angelina POV
Eles me levaram para uma sala branca e, antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, a porta se fechou atrás de mim com um clique metálico.
Eu me virei, com a raiva borbulhando instantaneamente na superfície, e corri em direção à porta. "Ei! Covardes!" Gritei, meus punhos batendo contra a superfície dura. "Abram!"
Minha voz estava rachada por causa da força, o desespero em cada palavra me fazia soar meio selvagem, mas não parei. Bati na porta repetidas vezes, com os punhos ardendo e os nós dos dedos em carne viva, até que a única resposta que obtive foi o silêncio.
Sem fôlego, soltei um suspiro trêmulo e me virei, engolindo minha frustração enquanto finalmente observava a sala.
Parecia uma cela disfarçada de luxo. Tudo era branco, anormalmente limpo, incrivelmente estéril. Uma enorme cama king-size estava plantada no meio do quarto como um trono, e havia uma pequena mesa de jantar para duas pessoas no canto, como se alguém achasse que fingir que aquilo era uma hospitalidade apagaria o fato de que eu ainda era um prisioneiro.
Caminhei em direção à cama, devagar e cauteloso, como se ela pudesse desaparecer se eu piscasse com muita força.
Quando me sentei, o colchão cedeu sob meu peso de uma forma que me pareceu totalmente estranha... macio, indulgente, nada parecido com as tábuas duras sobre as quais fui forçada a dormir no bordel, lado a lado com outras garotas que haviam parado de sonhar anos atrás.
Fiquei olhando para o chão por um momento, depois me deixei cair de costas no conforto que zombava de tudo o que eu conhecia. Meu olhar se desviou para cima, fixando-se no teto branco acima de mim. "Como diabos minha vida acabou assim?" sussurrei.
Fechei os olhos, mas o silêncio não trouxe paz, trouxe lembranças. E as lembranças, para mim, eram afiadas.
O bordel voltou com uma clareza c***l, como se nunca tivesse saído dos cantos da minha mente. Eu me vi de novo, menor, encolhido atrás do balcão, com os ossos doendo de tanto esfregar o chão a noite toda, agarrado àqueles preciosos momentos de sono roubado enquanto os outros rodavam pelos quartos do andar de cima. Era o único lugar onde eu podia desaparecer, mesmo que apenas por um momento.
Mas a paz não durou naquele lugar.
Lembro-me do momento em que ela se desfez, quando Nora, a c******a, entrou com aquele balde de metal lascado na mão. Ela não disse uma palavra... não no começo.
Nora simplesmente despejou o conteúdo sobre minha cabeça, e eu arfei com a picada que atingiu minha pele. Pensei que fosse água, até que o cheiro entrou em meu nariz. Vodca. Barata. Ela encharcou minhas roupas e meu cabelo.
Então ela falou, com aquela voz plana e fria que sempre parecia aborrecida com minha existência. "Você não é pago para dormir."
Naquele dia, eu não comi.
Nora disse que eu não havia trabalhado horas suficientes para ganhar minha refeição. Lembro-me da dor no fundo do estômago, da forma como ela se contorcia e arranhava minhas costelas enquanto eu esfregava o chão já limpo.
Foi isso que os lobos fizeram conosco! Não apenas conquistando nossas cidades ou reescrevendo nossas leis, mas tirando de nós o direito de viver como pessoas.
E que escolha eu tinha, de fato?
Sem Nora, não havia para onde ir. Outros bordéis não aceitariam uma garota como eu a menos que eu abrisse as pernas, e eu me recusei. Eu não tinha cara de mole o suficiente para ser vendida.
E aqueles santuários de que os nobres sempre falavam, aqueles "lares seguros" para humanos resgatados, não passavam de gaiolas. Eu já tinha ouvido as histórias. Uma vez lá dentro, ninguém saía sem ser tocado. Se não por um guarda, então por algum nobre bêbado com gosto por coisas quebradas.
Pelo menos no bordel, eu sabia com que tipo de monstro estava lidando.
A maçaneta da porta girou sem aviso e a porta se abriu. Eu me endireitei na cama, instintivamente puxando os joelhos para perto do peito.