Carol Narrando O tiroteio no morro parecia que não ia acabar nunca. Cada rajada que ecoava lá em cima fazia meu peito apertar mais, feito uma mão apertando o coração. Meu pai tava lá. Minha tropa tava lá. Minha casa tava lá. Tudo que eu conhecia, tudo que eu amava, tudo que eu construí. E eu… presa aqui fora. Presa no meio de uma discussão com um policial teimoso que parecia decidido a não me deixar passar nem que fosse na marra. Eu tava abaixada atrás do carro, respirando pesado, com a arma firme na mão. O suor escorria pela testa. O cheiro de pólvora já chegava até aqui, forte, cortando o ar. Dava pra sentir o gosto na boca. — Eu preciso entrar… — murmurei mais pra mim mesma do que pra ele. Meu pai tá na linha de frente. Meus homens tão morrendo. E eu aqui, discutindo com um homem

