Carol Narrando
A mão dele ainda queimava no meu pulso. O olhar, então... putä que pariu. Aquele homem me olhava como se eu fosse um problema que ele queria muito ter.
Ficamos ali, parados no meio da rua, o mundo girando ao redor enquanto a gente se media. O rádio chiou de novo, algum policial chamando. Ele não respondeu. Não desviou o olhar.
— Tu não cansa de provocar, né? — a voz dele saiu mais rouca agora.
— Cansar? — inclinei a cabeça, deixando o sorriso crescer. — Acabei de começar, doutor.
Ele soltou meu pulso, mas não recuou. Pelo contrário. Deu um passo à frente, diminuindo o pouco espaço que ainda existia entre a gente. Senti o calor do corpo dele irradiando, o cheiro da farda misturado com alguma coisa mais pessoal. Amadeirado. Quente.
— Se eu fosse você se afastava. Mãos visíveis. Onde eu possa ver — ele falou, mas o tom não era mais de autoridade. Era de desafio.
Dei uma revirada de olhos, só por teatro, e fiz tudo certinho. Peguei os documentos no bolso traseiro do vestido — sim, vestido, porque hoje eu tava de salto e courino — e entreguei na mão dele, fazendo questão de passar os dedos devagar nos dele. Pele quente. Mão firme. Calor subindo.
— Nervoso por quê, doutor? Não morde, não?
Ele soltou um suspiro que parecia mais um gemido contido, pegou os papéis e analisou cada detalhe. Mas os olhos... os olhos não estavam nos documentos. Estavam em mim. Subindo devagar do salto até as tranças.
— Estou nervoso não, é melhor você ir, tá tudo certo com a moto — ele disse, mas a voz saiu estranha. — Mas cuidado com essa velocidade... Está achando que está em uma pista de corrida?
Cruzei os braços, mordendo o lábio de leve.
— Na moral? Bora parar de sermão . Só queria sentir o vento. Dar uma esquentada na noite...
Ele levantou a sobrancelha, os olhos dele varreu todo meu corpo, a pørra do jeito que ele me olhou fez meu corpo se arrepiar.
— Não é sermão, é consciência, por pouco você quase bate nos carros, pra quer isso ?
Aproximei mais um passo. Agora, só um palmo separava a gente.
— Adrenalina vicia, doutor. Mas acho que você já sabe disso... Homem como você vive no perigo, né?
Ele pigarreou, tentando manter a pose. Mas eu via. Via o peito subindo e descendo mais rápido. Via a forma como os olhos dele passeavam pelo meu corpo sem conseguir disfarçar. Devolveu os documentos devagar, quase relutante.
— Se liga... não é porque tá na pista que pode sair acelerando assim.
Fiquei na ponta dos pés, passei a unha de leve no pescoço dele.
— Relaxa, doutor... Vou tentar me comportar.
— Tenta mesmo. Se te pegar de novo, pode não ser só uma advertência.
Sorri de canto, piscando. Em vez de sair, encostei de novo na moto, cruzando os braços de um jeito que empurrava o peito pra cima.
— Quem sabe eu não queira ser pega de outro jeito, doutor?
Ele apertou os lábios. Desviou o olhar por um segundo, mas voltou. Sempre voltava. E eu vi o canto da boca dele puxar um sorrisinho, rápido, quase escondido.
Dei uma voltinha devagar, sabendo que ele tava olhando cada movimento. Atrás, de lado, parando de costas por um segundo, só pra ele ver o que o vestido marcava. Quando me virei de novo, ele balançou a cabeça, respirando fundo.
— Tu tá brincando com a sorte, morena.
Dei um passo à frente, inclinando a cabeça.
— Sorte foi ter sido parada justo por você de novo, doutor...
Os olhos dele endureceram, mas o brilho diferente tava ali. Mais escuro. Mais perigoso. O rádio chiou no ombro dele, algum colega chamando, alguém buzinou do outro lado da rua. Ele não respondeu. Não desviou.
Tava focado em mim.
Aproveitei o momento. Fui andando devagar na direção dele, o salto marcando o ritmo no asfalto. Quando parei bem na frente, olhei nos olhos dele, depois desci o olhar devagar, mordendo o lábio.
— Acho que ficamos só nós dois agora...
A tensão ficou quase palpável. Ele engoliu em seco, apertou os lábios. E num movimento quase instintivo, passou a mão por cima da farda, bem ali onde o volume já começava a marcar.
Peguei no flagra.
Meu sorriso se alargou, cheia de malícia. Antes que ele recuasse, cobri a mão dele com a minha.
— Quer que eu aperte pra você, doutor?
O ar ficou denso. O rádio chiava ao longe, o trânsito seguia, mas a gente tinha sumido do mundo. Só existia aquele momento. O olhar dele queimando no meu, os dedos dele apertando um pouco mais contra a farda, e eu sentindo o calor subir.
Ele abriu a boca pra falar, mas nada saiu.
Então ele fez algo que me surpreendeu. Tirou a mão dele de cima da farda, mas em vez de afastar a minha, colocou a dele por cima. Pressionando a minha contra o volume evidente. Meu sorriso só cresceu.
Passei a língua pelos lábios devagar, respirando fundo. Ele deu uma respirada pesada, tentando manter o controle, mas falhando miseravelmente.
Apertei mais um pouco. Senti o jeito que ele pulsava sob minha mão.
— Ele também tá de serviço, né, doutor?
Ele soltou um riso pelo nariz, abafado.
— Tá querendo se aventurar, é? Cuidado... porque de aventura eu entendo bem. Te jogo dentro daquela viatura e faço tu ver estrela, esquecer até o caminho de casa.
Aproximei meu corpo ainda mais. Senti o calor irradiando da farda. Movimentei minha mão devagar, apertando com intenção, vendo a respiração dele ficar desregulada.
— Sabe o que eu sempre quis? — sussurrei, deixando minha boca perto da orelha dele. — Andar de viatura. Fazer um test drive...
Ele fechou os olhos por um segundo, a mandíbula travada. Olhou rápido pros lados.
— A moto a gente deixa aí... qualquer coisa, tá presa. — Ele falou e eu soltei uma gargalhada baixa.
— Eu topo. — Falei já imaginando ele me pegando na viatura de novo.
Ele me olhou com mais intensidade, como se tentasse decidir se eu tava falando sério. Passei a unha devagar pelo zíper da calça dele.
— E aí, doutor? Vai só me multar ou vai me algemar também?
Ele fechou os olhos, respirou fundo, segurou meu pulso. Afastou minha mão devagar, mas não me soltou por completo.
— Entra na viatura. Agora.
Ri baixinho.
— Tá me prendendo, é?
— Ainda não. Mas do jeito que tá, acho que quem vai sair daqui presa sou eu.
Mordi o lábio. Sem hesitar, fui na direção da viatura. O coração acelerado, a adrenalina queimando junto com o t***o.
A noite tava só começando.
Dentro da viatura, o clima tava pegando fogo. O motor ainda nem tinha roncado, mas eu já tava ali, pronta pra dar partida em outra coisa. Minha mão escorregou pro zíper da calça dele, puxando devagar, sentindo o volume quente pulsar por baixo do tecido.
Ele segurou meu pulso com firmeza, a respiração pesada, os olhos fixos nos meus.
— Caralhø, você está brincando com fogo, Carol...
Mordi o lábio, deslizando os dedos com mais intenção.
— E você tá indo direto pro incêndio, doutor.
Ele fechou os olhos por um segundo, lutando. Depois ligou o carro.
— A gente vai pra um lugar reservado — a voz dele saiu ofegante.
Minha mão já tava trabalhada, os dedos explorando, sentindo ele duro sob o tecido. Inclinei mais perto, soprando contra a pele quente do pescoço dele.
— Pra quê lugar reservado? O carro já tá fechado... — falei apertando o paü dele e ele gemeu baixo, e eu sei: essa noite vai ser longa.
Muito longa.
Continua...