Zeus Narrando
Acordei com o sol na cara e a Janete aninhada no meu peito. Trinta anos de casado e ainda sentia aquele frio na barriga quando olhava pra ela dormindo. Cabelo bagunçado, respiração calma, um sorriso nos lábios que nem dormindo ela perdia.
Mulher única.
Mas o dia não ia ser mole. Levantei sem fazer barulho, fui pro banheiro, tomei aquele banho rápido. Enquanto a água descia, o pensamento voou longe. A Carol. A menina tá saindo demais do morro. Eu sei que ela é adulta, sei que ela dá conta, mas o coração de pai não sossega. E depois daquele episódio com o Dante, a coisa ficou mais tensa.
Aquele filho da putä meteu o louco. Achou mesmo que eu ia ser a favor da atitude arrombada que ele tava tendo com a minha filha. Largou mão de ser aliado e virou ameaça. E ameaça, no meu morro, tem nome: extinto.
Vesti a roupa, desci. A boca já tava fervendo. Os cria tudo no lugar, o movimento correndo igual trem. Cheguei, passei o olho em tudo, conferi cada detalhe. Neguinho, um dos mais velhos da segurança, veio falar comigo.
— Chefe, cê notou que os dias tão tensos? As blitz tão pegando pesado perto da entrada do Dendê.
Olhei pra ele, os olhos estreitando.
— Tô ligado. E o que cê acha disso?
Neguinho coçou a barba.
— Sei lá, chefe. Pode ser operação de rotina.
Soltei uma risada seca, sem graça.
— Operação de rotina é o c*****o. Rotina é meu p*u ficar duro quando penso ou sinto o cheiro da minha mulher. Isso aí tem cheiro de aviso, de provocação, até mesmo estratégia desses bota filho da p**a. Eles tão querendo partir pra dentro do morro.
Neguinho me olhou sério.
— Cê acha mesmo?
— Tenho certeza. Fica esperto. Reforça a contenção, fala pros cria não vacilar. Qualquer movimento estranho, me avisa na hora.
Ele acenou e saiu. Fiquei ali, mascando um palito, vendo o movimento. O morro tava calmo, mas calmaria antes da tempestade é a pior coisa que existe.
Foi quando o telefone vibrou no bolso. Número desconhecido, mas eu reconheci na hora. Meu informante.
Ligação On
— Fala.
A voz do outro lado veio baixa, rápida.
— Chefe, o mandado saiu. Pedido direto da mesa do juiz. Invasão no Dendê. Quinta-feira de madrugada.
O sangue gelou, mas a cara não tremeu.
— Tem certeza?
— Certeza absoluta. Vou averiguar mais detalhes, mas a ordem já tá dada. Eles vão subir.
— Anotado. Qualquer coisa, me liga de novo.
Desliguei. Fiquei parado, processando. Juiz. Invasão. Quinta-feira.
Ligação Off
Otávio Mendonça. O filho da p**a que me persegue há anos. Agora quer meu couro.
Passei o rádio na hora.
— Carol, cadê você?
A voz dela saiu do outro lado, calma.
— Tô no alto do morro. O que foi?
— Preciso trocar uma ideia com você. Agora.
— Já tô indo.
Guardei o rádio. Respirei fundo. Não podia desesperar. Desespero é luxo que chefe não tem. Mas o coração batia forte, e não era de medo. Era de raiva.
Cheguei em casa, a Janete tava na cozinha. Quando me viu entrar com a cara fechada, largou tudo e veio.
— Que foi, meu amor? Tá com cara de quem viu assombração.
— Pior — resmunguei, sentando na poltrona. — O juiz conseguiu o mandado. Vão invadir. Quinta-feira.
Ela não tremeu. Só veio, se sentou no meu colo, começou a passar a mão no meu peito. Os dedos quentes, macios, fazendo a tensão diminuir aos poucos.
— Calma, amor. A gente sempre deu um jeito.
— Dessa vez é diferente, Janete. O homem tem poder. Tem ódio.
Ela continuou as mãos, descendo devagar. Passou por cima da minha calça, sentindo o volume que já começava a endurecer só com o toque dela. O calor subiu, e a raiva foi dando lugar a outra coisa.
— Você pode fazer alguma coisa agora? — ela perguntou, os olhos nos meus.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo a mão dela trabalhar.
— Pior que não. A única coisa que eu posso fazer é preparar a tropa. Deixar geral ligado. Não só pra quinta, mas pra todo dia, 24 horas. Porque eles podem tentar enganar.
Ela apertou de leve, me fazendo perder o fôlego.
— Então relaxa, meu gostoso.
Soltei um riso baixo, passando a mão na nuca dela, segurando o cabelo com firmeza. Encostei a testa na dela, dei um selinho.
— Só você mesmo, Janete.
Ela sorriu, aqueles olhos brilhando.
— Eu sei.
A mão dela continuou, lenta, firme, e por alguns minutos, o juiz, o mandado, a invasão, tudo ficou em segundo plano.
Só nós dois.
Mas lá no fundo, a fera continuava alerta. Porque o perigo não ia esperar a gente terminar.
A mão dela ainda tava ali, quente, firme, apertando de leve. Meu p*u já tava duro feito pedra, pulsando igual coração de passarinho. Só de sentir o jeito que ela mexia, devagar, provocando, eu já perdia o pouco de razão que me restava.
— Janete… — a voz saiu grossa, rouca. — Faz o que você sabe fazer de melhor. Com a mão e com a boca.
Ela riu, aquele riso baixo que sempre me deixava doido.
— Anda muito safadø no meio do expediente, é?
Olhei nos olhos dela, soltei uma gargalhada.
— Engraçado que o safadø sou eu, mas quem é que tá com a mão no meu paü agora?
Ela fez que ia tirar a mão, provocando. Segurei a mão dela com a minha, apertando forte, fazendo ela sentir o volume que tava prestes a explodir.
— Tira não, mulher. Fica.
Ela mordeu o lábio, aquele sorriso malicioso que eu conhecia há trinta anos. Com a mão livre, puxou minha calça pra baixo, junto com a cueca. Meu p*u saltou, duro, brilhando na cabeça, já cuspindo de tanto t***o.
Ela empurrou meu peito, me fazendo sentar no sofá. Depois se ajoelhou entre minhas pernas, os olhos fixos nos meus, a boca se aproximando devagar.
Quando os lábios dela tocaram a ponta, eu fechei os olhos. A boca quente, macia, molhada, envolveu tudo aos poucos. Ela sabia o que tava fazendo. Trinta anos aprendendo cada centímetro, cada ponto sensível, cada jeito de me fazer perder o chão.
A língua dela deslizou, lenta, provocando. A mão apertava a base enquanto a boca trabalhava na cabeça, sugando, lambendo, me torturando de um jeito que só ela sabia.
— Só você, Janete — murmurei, os dedos enterrando no cabelo dela. — Só você para mim fazer pensar em outra coisa. Ou não pensar em nada.
Ela respondeu aprofundando, a garganta engolindo mais, me levando ao limite. Minha respiração ficou pesada, os músculos tensos, o mundo lá fora deixou de existir.
— Pørra, Janete… — rosnei, sentindo o orgasmø subindo igual tsunami. — FILHA DA PUTÄ GOSTOSA DO CARALHØ!
Ela fez uma garganta profunda no momento exato em que eu explodi. O prazer tomou conta, o corpo inteiro tremendo, enquanto ela engolia tudo sem pressa, sem desperdiçar uma gota.
Fiquei ofegante, a mão ainda no cabelo dela, os olhos fixos no teto.
— Só você mesmo, mulher — repeti, a voz cansada.
Ela levantou, limpou a boca com as costas da mão, e sorriu.
— Eu sei.
Sentei, puxei ela pro colo. O cheiro dela, o calor, o jeito que se aninhava em mim… aquilo sim era paz.
Mas no fundo, a fera continuava alerta. O juiz, o mandado, a invasão… tudo ainda tava lá.
Mas por alguns minutos, eu esqueci.
E isso já era vitória.
— Bora subir, que eu quero essa bøceta na minha cara.
Continua...