Lopes Narrando Entrei na sala e já senti o peso do olhar deles. Meu pai na poltrona, os irmãos espalhados pelos sofás — Patrícia com os braços cruzados, André com o olhar desviado, Ana mexendo no celular como se nada tivesse acontecendo. Todos me encarando como se eu fosse o réu num julgamento. Não tive tempo pra cerimônia. A raiva já tava latejando na nuca. — Não quero rodeios. Quero tudo na mesa. Agora. — Falei indo direto ao ponto. Meu pai riu. Aquele riso seco, de quem já venceu a discussão antes mesmo dela começar. — Senta, Rafael. Vamos conversar como gente grande. — Mandou com aquele ar de superioridade. — Vou ficar de pé. — Respondi curto, pois não pretendia ficar por muito tempo. Ele ergueu uma sobrancelha. O olhar gelado. — Como quiser. Respirei fundo. As palavras vier

