Foi difícil me acostumar, não era só aquele programa em especial que estava falando coisas ruins sobre mim, vários sites na internet também. Tive que excluir meu f*******: por que só recebia xingamentos, e assim o Rafael me orientou. Passei a segunda feira inteira olhando os comentários a meu respeito. Eu sei que isso é auto-tortura, mas no meu lugar você faria a mesma coisa, e não negue.
Me chamar de aproveitadora era a coisa mais bonitinha que vinha deles. Quando o relógio marcava três da tarde o furacão Paola entrou no apartamento. E ao me ver naquela vida foi puxando o notebook do meu colo no mesmo instante.
- Eu não acredito que você está fazendo isso, Lara.
- São opiniões sobre mim, Paola, é claro que eu quero ler.
- São opiniões de gente que não te conhece e sente inveja de você. De pessoas recalcadas que não tem o que fazer da vida e fica julgando os outros. Você não é nada disso, então não se importe, apenas ignore. E que roupa horrível é essa? Vai tomar um banho e vestir uma roupa que preste que a gente vai sair.
Ergui a sobrancelha.
- Sair? Pra onde?
- Cinema. Bater pernas no shopping, quero que os paparazzi te vejam e te fotografem, quero que vejam você linda e maravilhosa independente do que esses idiotas falam de você. Te ver assim vai ser um tapa na cara deles.
Não queria sair, estava muito chateada para sair. Chateada com os comentários nas redes sociais? Não. Estava chateada comigo mesma, por deixar que essas baboseiras me afetem. Mas pense como eu penso: O que eu fiz para eles falarem tais coisas de mim? Dizendo que eu estou pegando carona no sucesso do Rafael, que eu só estou querendo o dinheiro dele, teve um que me fez rir, disse que eu queria dar o golpe do baú. Agora imaginem se, mesmo que eu quisesse - o que eu não quero - eu conseguiria engravidar do Rafael? É revoltante. Eu não dei nenhum motivo para essas pessoas me julgarem, então porque elas o fazem? Não consigo entender.
- E então, já escolhi seu visual. Vai usar esse vestido longo com cara de "Tô nem ai para a sua opinião" - Ela mostrava para mim um vestido longo de tecido fino azul marinho com duas vendas enormes - Com essa bolsa com cara de "Sou rica e você não".
Quase ri. Mas se você conhece a Paola, aprende que com ela não se discute.
Fiz o que ela queria, vesti a roupa e ainda permiti que ela arrumasse meu cabelo e fizesse minha maquiagem, que ela claro, demorou eras para terminar. Quando olhei no espelho de longe, nem acreditei ao não notar quase nada no rosto.
- Você demorou esse tempo todo para isso? Achei que ia sair daqui parecendo uma palhaça de circo.
Ela revira os olhos.
- Fazer uma make básica, dá tanto trabalho quanto uma mais marcada. Você ta linda, com o ar simples e glamoroso ao mesmo tempo. Sou expert amore. Agora vamos logo, que daqui a pouco temos que voltar para você ir a sua faculdade.
Opa, tinha esquecido completamente que hoje tinha aula. Acho que pelo o fato de não ter trabalhado, não parecia muito ser segunda.
- Ai, eu não quero encarar a faculdade não.
- ué por quê?
Abaixo a cabeça com vergonha até do que meus próprios ouvidos iriam escutar.
- Eu estou com medo. Ser julgada por pessoas que eu nem conheço já é complicado. Ser julgada por pessoas que eu conheço e gosto, é outra diferente.
Ela me olha complacente.
- Olha Lara, não posso te dizer que isso não vai acontecer. Só que se essas pessoas merecerem realmente que você se importe, elas não vão te julgar. Tenho certeza.
Entendeu por que eu gostei dela de cara? Ela tem esse jeito louco, mas sempre senti que ela era uma boa pessoa, e está me provando ser uma ótima pessoa. Fico feliz, que no meio de tanta loucura r**m, ela traga uma loucura boa.
- Vamos logo para esse shopping.
- Eba! É assim que eu gosto, animação! Não vem pro meu lado triste não, gosto de alegria!
Se desse para colocar mais um ponto de exclamação eu colocaria, tamanha o entusiasmo com que ela falou.
Fomos ao Shopping, e por onde passávamos as pessoas olhavam, algumas até mesmo vieram falar comigo, graças a Deus nenhum dos que vieram foram chatos e falaram coisas ruins. Pelo contrario teve duas que até pediram para tirar foto com a gente. Tentei ser o mais simpática possível, e mascarei meu humor para que não parecesse ranzinza, aquelas garotas que falaram comigo, pareciam legais e não tinham culpa dos idiotas que me ofenderam.
Assistimos um filme, uma comedia pra lá de divertida e em muito pouco tempo meu m*l humor foi embora junto com toda a tristeza, e só ficou alegria.
Saímos no shopping e andamos por algumas lojas, tiramos algumas fotos divertidas no meu celular e atendendo a sugestão da Paola, eu coloquei no meu i********:.
Saímos de lá quase no horário de ir para faculdade, e quando cheguei em casa só fiz vestir a roupa correndo e ir para faculdade, muito bem arrumada, graças a Paola e suas dicas.
Cheguei na porta da faculdade e respirei fundo. Tinha algumas pessoas ali na frente e eu fui descendo os degraus sem olhar para ninguém, ver comentários é doído, mas ver olhares é bem pior, vai por mim. E como a Paola me ensinou lá no shopping hoje, olhar na frente e cabeça erguida são as melhores respostas para o recalque. E assim eu fiz.
Na porta da sala de aula, estava a Kyara e o Joel. Engoli em seco com suas caras, como se estivessem chateados.
- Tem alguma novidade amiga? - Ela pergunta irônica. Tento parecer firme, mas na verdade to morrendo de medo do que ela vai me dizer.
Levanto os braços e volto a deixá-los cair em ao lado do meu corpo.
- Eu estou namorado!
- Jura? Estou passado! Quem é? A gente conhece?
Como estão irônicos hoje! Respiro fundo novamente e me rendo.
- Tudo bem galera, desculpa. Eu sei que deveria ter dito para vocês, mas... Eu não sei, esse lance com o Rafael estava muito recente e eu fiquei com medo. Vai que estivesse apenas brincando comigo? Vai que não fosse para valer e eu virasse apenas a última diversão dele? Eu não queria ser transformada em tudo que sempre detestei, pelo menos não para qualquer pessoa que não fosse eu.
Meu Deus, eu estava começando a ficar assustada comigo mesma. Desde quando eu aprendi a inventar mentiras assim do nada, e pior, a contá-las de forma tão convincente? Respirei fundo e torci para ter sido convincente o bastante e disse para mim mesma que era o necessário.
- E então...
- Então ele me mostrou para todo mundo na sexta feira com aquele beijo em público, e eu percebi que era mesmo para valer. - Olhei para o lado e vi que varias pessoas nos observavam. - Mas ainda to me acostumando com a exposição toda que ele causou.
Eles me olham ainda de cara fechada, e eu fico realmente triste. Entendo o porquê da chateação deles, são meus amigos e eu deixei que eles ouvissem falar do meu bombástico namoro através de noticiários e revistas.
- Vai ter que me responder apenas uma pergunta e com sinceridade. E só então a gente pensa se te perdoa. - Joel sentencia com os olhos fixos no meu e uma seriedade que não lhe é costumeira.
- Qualquer uma. - Digo apreensiva.
- Ele é gay?