Carol A sala de reuniões na delegacia tinha o ar pesado de autoridade. As paredes cinzentas, iluminadas por lâmpadas fluorescentes, refletiam a tensão invisível que se acumulava no ar. Meu pai, o delegado Henrique de Souza, estava sentado atrás da imponente mesa de mogno, o distintivo brilhando no peito da farda como um sol gelado. Eu, permaneci em pé do outro lado, as mãos levemente trêmulas sobre a pasta de documentos que ele me entregara. — Sente-se, filha — ofereceu ele, sinalizando a cadeira à minha frente. — Precisamos conversar sobre sua segurança. Estendi os dedos e toquei a superfície da pasta. Dentro, relatórios de operações, garantias de escolta policial, contatos de agentes à disposição 24 horas. Tudo para me manter longe do perigo que rondava o morro. Em teoria, um gesto pa

