Carol A noite caía sobre a Rocinha como um manto pesado, abafando o som dos helicópteros e sirenes que ainda ecoavam ao longe. Dentro do nosso quarto improvisado, a única luz vinha de uma vela trêmula apoiada numa mesa de metal. O brilho amarelado dançava na parede, projetando sombras que se moviam como memórias antigas, sussurrando histórias de um passado que eu, tentava desesperadamente deixar para trás. Eu permaneci sentada na beirada da cama, o corpo exausto da operação de hoje — e de um segredo cada vez mais urgente — pesando em cada osso. O cheiro de pólvora e suor ainda impregnava o ar, um lembrete vívido da tensão que havia dominado o dia. Meus músculos gritavam por descanso, mas a mente estava em turbilhão, cada pensamento um novo fardo. A operação policial havia sido brutal, de

