6 Diego Narrando

1655 Words
Aqui as coisas estão andando bem, estou começando a ganhar reconhecimento, e isso pra mim é bom, aqui no morro,a palavra do chefe é ordem. Eu já sabia disso, mas ouvir da boca do Sombra que ele tinha uma missão pra mim e pro Rafa fez meu coração disparar. Não era qualquer coisa. Aquilo era mais que um trabalho: era um teste, agirá estamos aqui da sua sala, esperando o mesmo falar com a gente. — Rafael, Diego… — a voz dele ecoava firme dentro da sala, e só de estar ali já dava pra sentir o peso da hierarquia. — Quero ver até onde vocês vão. O morro não se sustenta só com treino, nem com conta bem feita. Quero ver se vocês sabem agir na rua. O Rafa assentiu, sério, sem medo. Era o herdeiro, ele já nasceu com essa responsabilidade no sangue. Eu, por dentro, sentia a pressão, mas não demonstrei. Não dava pra recuar. — Qual é a missão, pai? — o Rafa perguntou direto, olhando nos olhos do Sombra. O Sombra tragou o cigarro, soltou a fumaça devagar e respondeu: — Um dos nossos pontos de venda tá com problema. Vagabundo de facção rival tentando encostar e tomar espaço. Quero que vocês dois desçam lá, vejam a situação e mostrem que ninguém mexe no que é nosso. O silêncio que seguiu pesou. Eu sabia o que aquilo queria dizer: não era só ir lá conversar. Se tivesse que resolver na marra, a gente ia ter que resolver. — Pode deixar, patrão. — eu falei firme, mesmo com a adrenalina subindo. — Esse recado vai ser dado. O Sombra se inclinou pra frente, me encarando daquele jeito que faz qualquer um tremer. — Quero ver se você tem a mesma coragem no fogo que tem na fala, Diego. E você, Rafael, abre o olho. Você é meu filho, mas não vai viver só na sombra do meu nome. Hoje é dia de mostrar que você sabe segurar o morro. O Rafa só balançou a cabeça em afirmação, sem desviar o olhar. Eu vi no rosto dele que não era medo, era determinação. Quando saímos da sala do Sombra, o ar parecia mais pesado. O Rafa quebrou o silêncio: — Diego, isso não é brincadeira. Se tiver que atirar, a gente atira. Tá preparado? Você entrou e agora não poderá mas sair, hoje começamos a fazer o nosso nome. Olhei pra ele e respondi sem pensar duas vezes: — Eu já passei da fase de volta atrás, irmão. Se for pra mostrar quem manda, eu tô contigo. Ele sorriu de canto, aquele sorriso de quem entende que o jogo ficou sério. — Então bora. Hoje a gente mostra pro morro inteiro que não é moleque que está aqui, e sim homens de verdade. E ali, descendo a rua, eu senti que minha vida ia mudar de vez. Não era só contabilidade, não era só luxo da casa. Agora era provar na prática que eu merecia respeito, tanto quanto o filho do chefe. Desde que saímos da sala do Sombra, a sensação era de que o ar tinha ficado mais denso. O Rafa caminhava ao meu lado, postura firme, mas eu sabia que por dentro ele também sentia o peso da missão. Não era qualquer recado. Quando o Sombra manda, é porque a parada é séria. Na esquina, já estavam esperando a gente. Uns seis vapores, todos armados, com a expressão de quem sabia que a noite ia ser longa. Assim que nos viram, o respeito foi automático. — Boa noite, herdeiro. — um deles falou, olhando direto pro Rafa. Depois virou pra mim: — E aí, DG,firmeza? Assenti, mantendo a cara fechada. No morro, respeito não se pede, se conquista. E eu já percebia no olhar deles que meu nome tava correndo entre os becos. O Rafa pegou a frente, como sempre, voz firme: — Vamos descer juntos. Quero todo mundo atento. Hoje não tem espaço pra vacilo. O grupo assentiu. A gente entrou nos carros: eu e o Rafa na frente, dois vapores atrás, e os outros em motos escoltando. O barulho dos motores cortava a noite, mas o silêncio dentro do carro era pesado. Eu olhava pela janela e via o morro vivo, mesmo de madrugada. Criança ainda correndo descalça, mulher voltando do mercado com sacola, cachorro latindo sem parar. Mas também via as esquinas cheias de olhares, gente observando. No morro, todo mundo sabe de tudo. Se a gente tava descendo com reforço, a notícia já devia ter corrido. — Dg… — o Rafa quebrou o silêncio, sem tirar os olhos da estrada. — Essa é nossa primeira missão lado a lado. Não é hora de fraquejar. Meu pai quer ver se eu seguro o que ele construiu, e você precisa mostrar que tá comigo de verdade. Respirei fundo antes de responder. — Relaxa, irmão. Eu não tô aqui de brincadeira. Se o recado precisa ser dado, vai ser dado. Pode confiar. Ele assentiu, firme. — É isso que eu quero ouvir. Atrás de nós, eu via pelo retrovisor os vapores mexendo nas armas, conferindo pente, preparando colete. Aquilo me fez lembrar que não era um treino de manhã, não era só disparar contra latinha. Hoje, o que valia era a rua. À medida que a gente se aproximava do ponto, o clima ficava mais pesado. As vielas pareciam mais estreitas, os becos mais escuros, e cada olhar atravessado que surgia da calçada era como aviso silencioso: o perigo tá aqui. Um dos vapores, no rádio, avisou: — Chefe, o ponto tá movimentado. Parece que os caras tão marcando território. O Rafa apertou o volante com força, o maxilar travado. — Então hoje eles vão aprender que esse território tem dono. E eu, sentado ao lado dele, senti a adrenalina subir como nunca. Era o momento. O respeito que eu tinha conquistado até ali era só com palavras e contas bem feitas. Agora ia ser diferente: no fogo, na prática, no olhar de quem ia presenciar a gente descendo. O carro parou a duas quadras do ponto. O Rafa me olhou rápido, sério, mas com aquele brilho de herdeiro que sabe que nasceu pra isso. — Chegou a hora, DG. A partir daqui, é só firmeza. Assenti, respirando fundo. — Bora mostrar que o morro não tem espaço pra vacilão. Nos descemos juntos, com os vapores fechando a retaguarda, rumo ao ponto onde a noite prometia ser longa. Desde que saímos da sala do Sombra, a sensação era de que o ar tinha ficado mais denso. O Rafa caminhava ao meu lado, postura firme, mas eu sabia que por dentro ele também sentia o peso da missão. Não era qualquer recado. Quando o Sombra manda, é porque a parada é séria. Na esquina, já estavam esperando a gente. Uns seis vapores, todos armados, com a expressão de quem sabia que a noite ia ser longa. Assim que nos viram, o respeito foi automático. — Boa noite, herdeiro. — um deles falou, olhando direto pro Rafa. Depois virou pra mim: — E aí, DG, firmeza? Assenti, mantendo a cara fechada. No morro, respeito não se pede, se conquista. E eu já percebia no olhar deles que meu nome tava correndo entre os becos. O Rafa pegou a frente, como sempre, voz firme: — Vamos descer juntos. Quero todo mundo atento. Hoje não tem espaço pra vacilo. O grupo assentiu. A gente entrou nos carros: eu e o Rafa na frente, dois vapores atrás, e os outros em motos escoltando. O barulho dos motores cortava a noite, mas o silêncio dentro do carro era pesado. Eu olhava pela janela e via o morro vivo, mesmo de madrugada. Criança ainda correndo descalça, mulher voltando do mercado com sacola, cachorro latindo sem parar. Mas também via as esquinas cheias de olhares, gente observando. No morro, todo mundo sabe de tudo. Se a gente tava descendo com reforço, a notícia já devia ter corrido. — DG… — o Rafa quebrou o silêncio, sem tirar os olhos da estrada. — Essa é nossa primeira missão lado a lado. Não é hora de fraquejar. Meu pai quer ver se eu seguro o que ele construiu, e você precisa mostrar que tá comigo de verdade. Respirei fundo antes de responder. — Relaxa, irmão. Eu não tô aqui de brincadeira. Se o recado precisa ser dado, vai ser dado. Pode confiar. Ele assentiu, firme. — É isso que eu quero ouvir. Atrás de nós, eu via pelo retrovisor os vapores mexendo nas armas, conferindo pente, preparando colete. Aquilo me fez lembrar que não era um treino de manhã, não era só disparar contra latinha. Hoje, o que valia era a rua. À medida que a gente se aproximava do ponto, o clima ficava mais pesado. As vielas pareciam mais estreitas, os becos mais escuros, e cada olhar atravessado que surgia da calçada era como aviso silencioso: o perigo tá aqui. Um dos vapores, no rádio, avisou: — Chefe, o ponto tá movimentado. Parece que os caras tão marcando território. O Rafa apertou o volante com força, o maxilar travado. — Então hoje eles vão aprender que esse território tem dono. E eu, sentado ao lado dele, senti a adrenalina subir como nunca. Era o momento. O respeito que eu tinha conquistado até ali era só com palavras e contas bem feitas. Agora ia ser diferente: no fogo, na prática, no olhar de quem ia presenciar a gente descendo. O carro parou a duas quadras do ponto. O Rafa me olhou rápido, sério, mas com aquele brilho de herdeiro que sabe que nasceu pra isso. — Chegou a hora, DG. A partir daqui, é só firmeza. Assenti, respirando fundo. — Bora mostrar que o morro não tem espaço pra vacilão. E descemos juntos, com os vapores fechando a retaguarda, rumo ao ponto onde a noite prometia ser longa. NÃO DEIXEM DE COMENTAR E TEM DE VOTAR COM BILHETE LUNAR.
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