Capítulo 16- O silêncio que protege

1245 Words
Theo Ela finalmente dormiu, tranquila, o corpo cedendo ao cansaço de ontem. Senti um peso sair do meu peito ao vê-la assim, frágil, protegida, mas ainda me sentia inquieto. Ao redor, Pedro e Bento observavam, tensos, mas aliviados. Eu podia ver a atenção que dedicavam a ela, cada movimento, cada gesto, tentando garantir que nada a perturbasse. Era curioso como eles sabiam exatamente o que fazer sem precisar dizer uma palavra. O olhar firme, a mão que ajeitava o cobertor, a respiração devagar, tudo parecia coreografado por anos de cuidado silencioso. Laura e Márcio saíram devagar do quarto, quase flutuando, para não fazer barulho. Noah ficou próximo à porta, de braços cruzados, atento, como se cada movimento que Ana Lis fizesse pudesse precisar de intervenção imediata. Um ciúmes silencioso me invadiu. Ele estava ali por Ana Lis, claro, preocupado, mas a forma como olhava para ela me incomodou de um jeito que eu não esperava. Respirei fundo, tentando me controlar, lembrando a mim mesmo que não podia demonstrar nada. A prioridade era ela. A única coisa que importava naquele momento era que Ana Lis pudesse descansar sem interrupções, sem preocupações, sem ninguém atrapalhando seu sono. Pedro se aproximou da cama, ajeitando levemente o cobertor sobre ela, o movimento cuidadoso mostrando que ele ainda não acreditava completamente que ela estava bem. Bento ficou imóvel, os olhos fixos no rosto da irmã, respirando devagar, quase em sincronia com os movimentos de Pedro. Ambos estavam aliviados, mas a tensão no corpo deles mostrava que ainda não confiavam plenamente na paz momentânea. Eu também queria estar mais perto, proteger, sentir o calor dela, mas precisava respeitar o espaço dela. Não queria acordá-la, não queria que a sensação de segurança fosse interrompida. O silêncio foi interrompido pelo toque do celular de Pedro. Ele olhou a tela e colocou a ligação no viva-voz. Luca de Los Angeles, preocupado, queria saber se Ana Lis tinha conseguido dormir. Ouvi a voz firme, carregada de cuidado e distância, mas cheia de afeto. Logo Ananda completou, reforçando que, mesmo longe, todos estávamos ali, conectados por pensamentos, torcendo para que ela estivesse bem. Eu me aproximei, ficando perto o suficiente para observar como cada palavra deles parecia penetrar em Ana Lis mesmo sem ela estar consciente. Era como se sentissem sua presença e seu estado sem precisar de respostas imediatas. Pouco depois, os celulares de Pedro e Bento tocaram quase ao mesmo tempo. Era o pai e a mãe dela, de Cidade Y, ligando. Ouvi a voz da mãe, doce e afetuosa, lembrando que ela não precisava enfrentar nada sozinha, e o pai, firme, mas terno, reforçando que estávamos todos ali para protegê-la, sempre. Cada palavra deles me fez perceber o quanto todos carregavam um medo silencioso de que algo pudesse acontecer a ela novamente. O peso da responsabilidade caiu sobre mim de novo. Eu precisava garantir que ela estivesse segura. Cada ligação reforçava que não podíamos falhar, que minha vigilância precisava ser constante, mesmo sabendo que ela estava finalmente descansando. Olhei para Noah, ainda próximo à porta, carregando sua mochila de maneira automática, atento, mas mantendo distância. Não pude evitar sentir aquele aperto no peito, uma tensão silenciosa e constante. Ele cuidava dela com atenção, e eu sabia disso, mas não podia deixar de sentir o ciúme que me queimava por dentro. Respirei fundo, tentando me controlar. Ana Lis precisava de paz, e meu papel era garantir que ela tivesse isso, sem deixar minhas emoções atrapalharem. Pedro e Bento trocaram um olhar silencioso, uma comunicação muda entre irmãos que carregava anos de preocupação. Eles estavam aliviados por ela finalmente descansar, mas ainda cientes de que o cuidado não terminava ali. A vigilância continuaria, cada gesto deles mostrando amor, cada respiração transmitindo proteção silenciosa. Ana Lis não era apenas minha responsabilidade. Todos ali compartilhavam essa proteção, e eu também. O quarto voltou ao silêncio, agora mais leve. Cada respiração dela transmitia calma a todos nós. Eu permaneci um tempo observando-a, tentando memorizar aquela fragilidade que só se revelava quando dormia. Meu ciúmes de Noah ainda estava lá, insistente, mas por um instante, ele ficou em segundo plano. O que importava era ela, segura, descansando. Eu me aproximei um pouco mais, encostei a mão suavemente na beirada do cobertor, apenas para garantir que ela não se movesse desconfortável, que nada a perturbasse. Os minutos passaram, e eu pude perceber pequenos sinais de relaxamento em Pedro e Bento. A tensão em seus ombros diminuía gradualmente. Noah, ainda observando, parecia se perguntar se deveria se aproximar ou não. O silêncio se tornou confortável, quase protetor, e eu aproveitei para analisar cada reação deles. Cada expressão, cada gesto mostrava cuidado, amor e medo, mas também alívio. Ela finalmente dormia tranquila. Novas ligações surgiram, desta vez mensagens de texto chegando de Laura e Márcio. Eles queriam saber se ela estava bem, se precisava de algo. Eu respondi rapidamente, garantindo que tudo estava calmo, que ela estava finalmente descansando. A cada mensagem, sentia uma mistura de alívio e ansiedade. Todos queriam protegê-la, todos queriam que ela estivesse segura. Luca e Ananda ligaram novamente, de Los Angeles, e ouvir suas vozes trouxe um conforto silencioso. Eles perguntavam detalhes, queriam ter certeza de que ela estava dormindo sem interrupções. Pedro respondeu cuidadosamente, explicando que ela finalmente cedeu ao cansaço e parecia mais calma. As vozes deles se misturavam, criando um coro distante de cuidado e preocupação. Logo depois, o pai e a mãe dela de Cidade Y fizeram ligações simultâneas. A mãe lembrando que ela não estava sozinha, que podia descansar e que estávamos todos ali. O pai reforçando a proteção de todos, a responsabilidade coletiva. A cada palavra deles, eu sentia a tensão dentro de mim diminuir um pouco, mas o alerta permanecia. Noah permaneceu próximo à porta, olhando para ela, sempre atento. Meu ciúmes não desapareceu, mas aprendi a controlar. Era hora de me manter firme, calmo, vigilante, mas sem interferir em sua paz. Pedro e Bento ainda observavam, mas agora com expressão mais serena, percebendo que ela finalmente estava segura. Os minutos continuaram passando lentamente. Ela dormia profundamente, respirando com regularidade, e eu podia finalmente relaxar um pouco. Cada gesto meu, cada olhar, cada movimento, tinha como único objetivo garantir que nada a perturbasse. Eu fiquei ali, sentado, observando, refletindo sobre o quanto todos nós, de maneiras diferentes, a amávamos e queríamos protegê-la. Finalmente, o quarto estava calmo, leve, seguro. Ana Lis dormia sem medo, cercada por todos que a amavam. Pedro e Bento, Noah, Laura, Márcio, e mesmo aqueles a quilômetros de distância, Luca e Ananda, cada um participando silenciosamente de sua proteção. E eu, Theo, prometi a mim mesmo que faria tudo para que ela nunca mais se sentisse assim, vulnerável ou sozinha, e que aquela noite seria apenas lembrança de cuidado, não de medo. O silêncio tomou conta do quarto. A respiração de Ana Lis era constante, e a paz que eu podia sentir , gesto, cada expressão de cuidado ao redor dela. Noah estava atento, mas respeitava o espaço. Pedro e Bento estavam visivelmente mais relaxados. Laura e Márcio tinham saído, mas suas presenças ainda eram sentidas. Os celulares estavam guardados, e mesmo assim, todos sabíamos que continuaríamos vigilantes. E pela primeira vez desde a noite passada, eu senti que ela poderia descansar. Ela estava segura, cercada de cuidado, protegida de todos os medos e perigos que nos haviam atormentado. Meu coração finalmente encontrou um pouco de alívio, mas sabia que ainda estaríamos ali para ela. Sempre.
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