Muralha narrando Ele tentou erguer o braço, mas a força não veio. Só conseguiu mover os olhos, que buscaram os meus com dificuldade, misturando medo e confusão. Mas não era confusão de quem não sabia o que estava acontecendo. Era confusão de quem não sabia como explicar. De quem sabia exatamente o que estava por vir, mas ainda tentava ganhar tempo. Gordo era frouxo, mas não era burro. E ele sabia que, naquela madrugada, não tinha mais espaço pra mentira. — M-Mur… Muralha… Eu… eu não sei do que tu tá falando… — a voz saiu arrastada, pastosa, mas audível. E foi o suficiente pra me tirar do chão num impulso. Meu braço voou pro pescoço suado dele, levantando aquele corpo mole do chão como se fosse só um saco de lixo prestes a ser jogado. Encostei ele na parede com força, a mão espremendo

