Capítulo 158

1432 Words

Muralha narrando Eu não sei exatamente em que ponto minha mente deixou de funcionar de forma lógica. Só sei que, quando eu percebi, já tava com aquele traste nos braços, praticamente pelado, corpo mole, completamente dopado, parecendo uma lombriga desossada. O cheiro de suor, de p***a velha, de álcool barato e perfume vencido grudava nele como uma praga. O Gordo não reagia, não resmungava, não abria os olhos. Era como carregar um saco de carne inútil. Mas eu carregava. Com nojo, com raiva, com ódio jorrando dos poros. E mais do que tudo: com uma urgência que me fazia caminhar sem parar, sem olhar pros lados, sem ouvir os sons ao redor. A travessia da favela naquela hora da madrugada parecia cena de pesadelo. Cada viela que eu cruzava, cada escadão que eu subia, cada laje que eu deixava

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