Lobo narrando Enquanto o Muralha rodeava a sala em silêncio, com a respiração pesada e o maxilar travado, eu comecei a vasculhar a casa do Gordo como quem procurava um fio de verdade no meio de uma montanha de sujeira. O Gordo estava largado no chão da sala, completamente dopado, com o corpo nu e suado, murmurando palavras desconexas. E agora o ambiente parecia impregnado de um cheiro podre de decadência e traição. Eu não sabia exatamente o que estava buscando, mas alguma coisa me dizia que havia mais ali do que o Muralha estava enxergando. E esse instinto me guiou até uma cristaleira velha, com fundo falso, lascado e coberto por uma camada fina de poeira. Foi ali que eu encontrei. Um celular, escondido de forma proposital, como se tivesse sido plantado por alguém que sabia exatamente

