Capítulo 14

1285 Words
Eles entram no bar e eu sinto como se uma força invisível fosse abaixada, cortando toda a minha paz do ambiente. Está muito cedo da noite pra pessoas muito bêbadas, era o que eu tinha pensado. Aparentemente eu estava errada. E não eram simples pessoas bêbadas, era um bando de homens bêbados em roupas caras. Que festa do inferno deve ser essa? Haviam oito deles ao todo, de vários tamanhos e idades. De longe um homem de cabelos castanhos avermelhados tinha a voz mais alta, ele usava um terno, o que na minha opinião, não é uma coisa que se use num bar, há não ser que você tenha saído direto do trabalho. Não encarei aquele grupo por muito tempo, com medo de que qualquer um deles percebesse e interpretasse como algo errado, então eu só pedi mais um drink pro barman mau humorado -pedindo antes de terminar o primeiro, apenas pelo fato de saber que até esse drink estar pronto, eu já o teria terminado. POV ORION As luzes fortes, a música alta. Não sou muito fã disso, mas sou menos fã ainda dos caras ao meu redor, fumando charuto e tomando Whisky como se fosse uma confraternização de companheiros ou pior ainda -Um filme dos anos 90 sobre despedida de solteiro. É aniversário do meu irmão adotivo, Kaio. O único motivo de eu estar aqui. Eu ia preferir passar as próximas 10 horas em um jogo de bingo narrado por um velho gago. -Eu devia ter pensado duas vezes antes de agarrar aquela bendita daquela secretaria. Qual era o nome dela mesmo? Valquiria, Vanessa...alguma coisa desse jeito. Pois é, agora a v***a tá me ameaçando de processo, eu avisei que pode vir ela, o pai dela, o marido e até mesmo a ONU que eu vou deixar cada um deles vendo navios. Todos ao redor riem. As conversas tem sido assim desde que eu cheguei. -Ela foi é burra de ter jogado fora um emprego como esse por causa de uma coisa i****a dessas. Nunca mais vai conseguir uma chance nesse mundo corporativo. -Outro dos caras complementa. Eu fico quieto e tomo a minha bebida. Quando se está cercado de animais, até mesmo o pior dos bandos, se não fingir que é um deles você acaba sendo encurralado. Eu devo estar sem dizer nada faz pelo menos uma hora e meia. Não chegou a ser tanto esforço assim, esforço mesmo foi não ter socado a cara de ninguém ainda. Como é que é mesmo? Mantenha seus amigos perto e seus inimigos ainda mais perto. Mas meus ouvidos doem de ter que ouvir tanta escrotice, e a noite m*l começou. O fim de semana m*l começou. Vou precisar de toneladas de remédio pra dor de cabeça. -c*****o cara, é cada uma - mais risadas - Seus advogados que se cuidem com sua capacidade de arranjar problemas para eles -Sendo bem pagos, do que eles tem pra reclamar? -Você tem razão nisso -Outro sujeito comenta- só espero que andar com você não dê trabalho pros nossos. -Todos se dão tapinhas nas costas. -É então, o que você planejou pra gente mais tarde? Strippers? Aqueles serviços de comer comida japonesa no corpo nu de uma japonesa? -Não não, não vai ser esse tipo de festa - Kaio, o dono da festa e aniversariante, responde. - Se a gente tá aqui agora é pra não se preocupar com outras depois. Mas todos os anos é sempre o mesmo tipo de festa, eu queria alguma coisa diferente pra que a gente pudesse sentir mais forte a experiência quando experimentasse aquelas paradas novas que nosso pai arranjou. Fiquei sabendo de um grupo que faz shows particulares, os caras são muito bons. -Caras? Sem mulheres nuas? Kaio coloca a mão no ombro do cara que disse isso, como em um ato condescendente. -Sem mulheres nuas. - Ele completa. Alguns começam a reclamar. -Mas nada impede de depois a gente pedir um delivery. -As reclamações param e eles voltam a comemorar. Eu faço sinal pra uma garçonete perto, sinalizando um pedido de um duplo. -Qual que é Orion? Achou aquela ali gostosa, foi? - Um dos sujeitos, o mais perto de mim e que reparou no meu pedido pra garçonete, se apoia todo com os cotovelos pra cima de mim quase caindo como uma trouxa de roupa velha. Ele me olha com os olhos vermelhos, e de um jeito de como quem está doido pra me enfiar em uma situação que eu com certeza não quero estar. -To tranquilo. Valeu. Murmúrios de frustração me cercam e de repente acontece exatamente o que eu não queria que acontecesse: eu sou o centro das atenções. Esses idiotas se voltam pra mim como cães, com a baba escorrendo pelo queixo. -Qualé, deixa de frescura. Você veio aqui pra comemorar meu aniversário, tá lembrado não? Noite dos caras. E a noite dos caras não seria noite dos caras se a gente não descolar umas gostosas, talvez umas prostitutas e stripers, mas se fosse só uma burrinha de boa vontade pra chupar nosso saco hoje eu iria gostar. Alguns dos homens fazem um toca aqui, como se ele tivesse dado a melhor ideia possível. A bebida chega pra mim pelas mãos da garçonete, que coloca bem no centro da mesa de vidro e me dá uma piscadela. Seu decote profundo vai bem na minha cara, e o sujeito do meu lado uiva de uma forma ridícula. Eu tomo meu copo de whisky com calma, e olho pra cada um deles impassível. Não se desvia o olhar desse tipo de gente, senão eles começam a pensar que tem qualquer tipo de controle ou autoridade sobre você. É preciso mostrar pra você que você está ali. É um jogo i****a de se fazer, mas necessário. -Escolhe uma então. Qualquer uma. De novo eles gritam pra comemorar. -Então estamos jogando esse jogo? Eu também quero jogar esse jogo - Kaio fala. -Nem todo mundo pode jogar o mesmo jogo, alguns precisam se ausentar pra não atrapalhar a performance. - Um dos caras fala -Você está certo, então por que não deixamos isso como um jogo de família? -Outro rebate. - Podem escolher. Qualquer uma, não é mesmo? Pelo menos um de nós volta pra casa com a burra que vai pagar o boquete de hoje. - Kaio da um sorriso sacana. -Tem uma mulherzinha ali no bar, com as pernas enfiadas num vestido apertado, mas com uma cara de ranzinza. Que tal aquela lá pra você? - O cara sentado do lado do Kaio aponta, e ele olha. Eu também olho, sem muito interesse de primeira. Mas então meus olhos param numa coisa muito interessante, que eu não esperava ver essa noite. -Eu fico com aquela. -Eu digo, antes de qualquer um diga alguma outra coisa. -Pensei que fossemos deixar os outros escolherem por nós. De repente lembrou que tem um p*u, é? -Cala a p***a da boca. Você sabe que as de cara amarrada são minha caça favorita. De novo eles começam a gritar, como se isso fosse a p***a do filme de despedida de solteiro. -Você tá certo. Manda ela ter cuidado com os dentes. Agora é a minha vez, não é? Os caras voltam a olhar pras mulheres perto das caixas de som e longe do bar -onde o meu "Alvo" está- e logo acabam escolhendo a mulher que parece mais quieta e desconfortável possível. -Isso vai ser divertido. - Kaio fala e já se levanta indo pra lá. Eu termino minha bebida, ainda pensando o que vou fazer e como vou fazer. Vou precisar fazer um teatro bem grande essa noite se eu quiser manter meu brinquedinho bem mais longe do que ele está agora.
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