Acontece tudo tão rápido que eu simplesmente não percebo o desenrolar das coisas.
Primeiro, eu estava tomando o meu terceiro drink da noite na maior calma possível enquanto mexo em meu Celular, curtindo com tranquilidade a música alta e o show de luzes, tudo isso sem sair da minha cadeirinha pra qualquer coisa.
Quando o grupo de homens entrou fazendo estardalhaço, meio que atrapalhou já um pouco da minha paz, porém graças a eletrónica altíssima tocando, em pouco tempo foi fácil de se ignorar.
Agora, quando eu encaro eles em uma vez e tem alguns fazendo gestos obscenos completamente desnecessários, minha cara já se fecha mais um pouco.
Eu tento, tento ignorar mais uma vez,
Mas é eu desviar meu olhar só um pouco e eu vejo um deles -Um que eu nem tinha reparado direito, por ser um dos mais quietos- está se levantando da cadeira vejam só, vindo na minha direção.
Não o suficiente ele não está SÓ vindo na minha direção. Se fosse isso estava tudo bem, afinal eu estava no bar. Pessoas vêm para o bar e não tem problema nenhum nisso. O verdadeiro problema é que ele não está olhando para o BAR, ele está olhando para MIM.
Eu tenho que admitir. É realmente um homem MUITO atraente, mesmo com aquelas luz piscando eu consigo ver um rosto marcante e o olhar predatório. Seus cabelos pretos, jogados pra trás agora são mais curtos nas laterais, fazendo um discreto mullet.
Meu coração acelera, meus hormônios entram em fúria quase que instantâneamente, mas eu realmente não estou afim. Ele provavelmente veio só pra uma despedida de solteiro, que é o único motivo que me vem a mente pra ter homens de terno em um bar. Deve estar caindo de bêbado assim como seus amigos e doido pra descolar algo essa noite.
Nada disso, eu estou aqui a trabalho. Não estou interessada.
Eu me volto pro bar pensando que se eu ignorar ele, talvez ele vá embora sem me dar dor de cabeça.
-O que uma moça como você faz em um lugar como esse sozinha? -Eu ouço sua voz no pé do meu ouvido, e um arrepio passa pelo meu corpo. Sinto uma certa familiaridade, mas não sei de onde. Será que esse cara já apareceu na TV sem que eu me lembre? Não que isso vá mudar minha opinião sobre ele.
-Não estou sozinha, estou esperando meu acompanhante. Ele já está chegando e é muito ciumento. Se eu fosse você tomava cuidado.
-Não sou eu quem tenho que tomar cuidado. - Ele rebate, e seu olhar fica mais afiado enquanto ele me analisa de cima a baixo. Me sinto como se estivesse nua sobre esse seu olhar.
Por via das dúvidas, não faço contato direto e olho em todas as direções possíveis, se não pro não bar, pro meu copo, pros meus sapatos ou até mesmo para uma das luzes piscantes refletindo na parede branca do outro lado do ambiente.
-Por que não vai embora? Não está vendo que está me incomodando? - Isso, vá embora e me deixe sozinha. Preciso de foco.
-Ah, eu estou é? - Sinto sua voz carregada em sarcasmo irritante- E eu posso saber o nome de quem eu estou aqui exclusivamente para incomodar?
Decido que não gosto dele. Não sei se é o jeito convencidinho com que ele se impõe sobre mim, se é a forma que ele está invadindo meu espaço pessoal, se foi por causa da algazarra que seu grupo de amigos fez no momento que chegou no bar ou talvez a junção de todas essas coisas. Eu só sei que eu não gosto dele, e sua voz esta me irritando, mesmo ela sendo incrivelmente sexy.
-Não pode não. -Eu tomo outro gole.
-Então eu posso te chamar do que eu quiser? vai me dar sua permissão pra isso?
-Não vou te dar minha permissão pra porcaria nenhuma. Por que não volta pra brincar com seus amiguinhos ali atrás e deixa os adultos em paz?
-Posso te mostrar umas brincadeiras muito mais interessantes.
-Vai se f***r.
Ele me olha com um brilho mais travesso do que perverso nos olhos, como se isso tudo fosse só um joguinho da sua parte, cruza os braços e faz sua jogada:
-Uma pena. Estava doido pra perguntar por quanto você tá fazendo a hora pra esse seu acompanhante. Talvez um dos meus amigos esteja carente o suficiente pra querer sua atenção. Agora, se você tiver uma amiga gostosa de verdade....
Eu jogo minha bebida nele. Não foi voluntário, minha mão se meche sozinha e quando eu vi, já aconteceu.
Ele não pareceu muito surpreso enquanto o gin escorria do seu rosto até sua camisa, que marcava consideravelmente seu abdômen agora, mas que eu NÃO IRIA ficar olhando.
Ao invés disso eu pus o copo vazio em cima do balcão, me levantei e sai de perto, com minha melhor pose de "é isso mesmo, e não ouse me incomodar de novo", quando na verdade eu nem sei direito o que eu estava sentindo, além de um p**a medo de olhar para traz conforme caminhava até a saída.
Sai do bar e segui meu caminho noite afora. Será que ainda dá tempo de beber em outro lugar?
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Okay, eu estou bêbada.
Não muito bêbada, eu diria. Ainda consigo fazer o meu trabalho com maestria,
Mas eu sinto meus pensamentos racionais afetados pelo álcool, me sinto levemente tonta, mas o principal é que sinto que a possibilidade de tomar decisões idiotas aumentou mais do que o normal.
Sorte que esse não é um dia ou um fim de semana com muitos riscos pra mim. Estou longe de casa, não tenho com o que me preocupar com nada.
Já começo a ir para o local combinado pra me arrumar e arrumar o que mais for preciso, já que está chegando a hora.
POV ORION
Eu consegui o que eu queria, ela saiu do bar logo depois. A parte insuportável foi ter que lidar com as vaias e as gozações vindas de homens que não sabem nem lavar o próprio p*u. Eles ficaram rindo que nem hienas e fazendo piadas com o assunto, até que Kaio voltou de deus sabe lá onde, com marcas de batom no rosto e a camisa amarrotada.
Depois disso eu deixei de ser a atração principal.
Enquanto isso eu fico pensando no meu maior arrependimento: não ter colocado um rastreador no celular dela. O que ela estava fazendo aqui? Pra onde está indo agora?
Se eu tivesse acesso a um maldito computador eu conseguiria ver as câmeras por onde ela saiu, mas nem isso tenho como fazer agora.
Essas questões distraem a minha mente, me deixando maluco.
Preciso lidar logo com essas questões.
Depois do que pareceram milênios, finalmente estamos pegando um elevador e indo pra maldita cobertura.
Depois disso tem mais música alta, conversa e mais conversa. Pelo menos umas 5 mulheres seminuas para os caras que não se aguentaram dentro das calças, e também há fogos de artifício.
Pra mim é como se estivessem colocando uma melancia na própria cabeça. Tudo pra chamar atenção.
Chega um ponto da noite em que todos estão tão drogados que não conseguem nem mais dizer o próprio nome sem ter uma reação exagerada.
É nesse momento que é anunciada a chegada do grupo que veio apresentar.
Nem eu sabia do que se tratava isso até agora, com certeza mais uma coisa inusitada pra chamar atenção. Eu estava sentado em uma poltrona perto do terraço, no meu colo uma das vadias que empurraram pra cá tentando me fazer entrar no espírito da festa.
A essa altura do campeonato, me deixa um pouco irritado, mas também não tirei ela dali.
Os homens na festa começam a fazer barulho, quando sai de uma das portas da cobertura, pelas cortinas improvisadas colocadas ali pra dar mais ambientação para o show, dois homens.
Ambos estavam usando cartolas, calças e coletes. Cada um deles carregava dois bastões de tamanho médio. Blinding light do the weekend começa a tocar bem alto, e um dos homens pega uma garrafa com um líquido dentro, eles jogam na ponta dos bastões, acendem uma pequena tocha com ajuda de um isqueiro e usam ela para acender os bastões.
Pouco tempo depois a apresentação começa, eles viram os bastões pegando fogo de um lado pro outro, por cima da cabeça, giram eles por de baixo dos braços e fazem uma performance até que impressionante. A música vai diminuindo aos poucos e então começa a tocar Bad romance, da Lady Gaga.
Os dois homens se afastam da porta, e a única pessoa que eu realmente não queria e nem esperava que estivesse ali entra pela porta.
Mas ela não SÓ entra pela porta. Usando uma peruca laranja, maquiagem branca que lembra muito vagamente a de um palhaço, vestida com uma roupa escandalosa, com um corpete apertado, e segurando dois leques de metal em cada mão, elas os acende, passando a ponta deles pelos bastões dos homens.
Ela olha diretamente pra mim, assim que entra na sala.
Eu também não consigo desviar meus olhos.