Capítulo 16

1730 Words
POV ORION Eu podia esperar literalmente qualquer coisa -ok, talvez não LITERALMENTE qualquer coisa, mas por isso eu definitivamente não estava esperando. Me deixou de queixo caído. Parece que minha obsessão está se tornando cada vez mais deliciosa. A apresentação é um show por si só para cada um dos presentes naquele cômodo. Eles não deviam estar vendo isso, eu deveria ser o único no mundo que pudesse ver isso. A forma como ela faz uma dança ágil segurando aqueles leques, como uma pintura contemporânea, ou uma figura monumental vinda diretamente dos meus sonhos mais devassos, das profundezas do inferno ou da mais distante das províncias. É magnífico de se ver, mas eu deveria ser o único. Por que tem que ser assim? O que me impede de trancafiar minha dançarina em uma das minhas torres somente pros meus olhos verem e os de mais ninguém? Será que ela acha que eu não iria reconhecê-la? Que qualquer um não iria reconhecê-la? Eu sinto sua presença, eu consigo sentir seu cheiro a distância, ele preenche o ar e me deixa louco, alucinado. Nem a melhor maquiagem do mundo, nem uma cirurgia plástica ou qualquer outra coisa conseguiria te esconder de mim, meu bem. E depois de hoje, eu te garanto que nem correr o máximo que essas suas pernas deliciosas conseguirem, não vai te fazer escapar de mim. Ela dança como uma fênix, uma serpente do deserto, e eu não consigo desviar meus olhos. Nenhum dos presentes consegue, e isso me deixa irado. Meus punhos e meu maxilar já estão cerrados com esses pensamentos. Até que ela faz uma coisa que eu definitivamente também não estava esperando. Hoje está sendo um dia cheio de surpresas. Ela vai um pouco pra trás, põe seus leques ainda em chamas no chão por alguns minutos, e pega uma pequena tampinha com algum líquido dentro que havia sido preparada anteriormente e deixada de canto. Ela coloca o líquido desconhecido na boca, e pegando os leques novamente e voltando pra frente de todos, ela coloca a chama na ponta do leque bem na frente da boca. Ela cospe e o fogo vai a sua frente sendo projetado. Ela faz isso mais uma vez, e na terceira ela chega perto de mais de onde eu estou, e eu só vejo a garota que estava no meu colo saindo correndo gritando, apagando algum fogo que acabou pegando de leve no seu cabelo que provavelmente é mais inflamável que todas as cortinas desta casa. Eu sinceramente, nem me lembrava que ela ainda estava aqui. Minha fenix continua dançando como um pássaro, e eu continuo pensando o quanto que eu queria trancar ela dentro de uma de minhas gaiolas de ouro. Em um dado momento ela apaga a ponta dos leques com um sopro e pega um dos bastões, que ainda estavam acesos. Ela vai até onde Kaio está sentado com outros homens, e por cima da música alta, ouço seus grunhidos, uivos e gritos ridículos de novo, quando volto a prestar atenção neles graças a proximidade que estavam da minha obsessão. Ela gira aquele bastão em cima da cabeça e sem perder o controle dele, senta em seu colo com ele girando em cima da cabeça dos dois. Eu me levanto e perco a cabeça na mesma hora, como num estalo de dedos. Não ouço seus comentários escrotos, nem dos que estão ao nosso redor, e fico feliz por isso, pois sei que se conseguisse ouvir minha raiva seria ainda maior e eu não conseguiria parar nada que começasse a partir de um certo ponto. Eu me levanto e enxergo sangue, só sangue na minha visão e nos meus pensamentos. Ninguém percebe porque é tudo muito rápido. Uma hora ela está rebolando no colo aquele filho da p**a, há palmas e todos estão sorrindo de uma forma que me dá nojo, e na outra ela está do lado de pé, aterrorizada enquanto eu estou esmurrando a cara do meu irmão de criação da mesma forma que eu fazia como quando éramos crianças. Mas dessa vez eu estou arrebentando a cara dele pra valer, eu não diria com todo o ódio dentro de mim mas boa parte dele enquanto eu amasso a cara dele. Tem sangue por todo lado e ele cospe pelo menos um dos dentes antes de dois dos homens chegarem por atrás de mim e tentarem me segurar. Eu gosto da visão daquele sangue, gosto de como ele suja minhas mãos e também todos que estão ao redor, e gosto de pensar que, mesmo que a cara dele possa estar dormente graças às drogas hoje, amanhã ele vai sentir cada um desses socos duas vezes mais, ele vai sentir e vai se lembrar de que fui eu que o deixei assim. Queria fazer todos daqui sangrarem também, todos esses ao meu redor, eu adoraria essa visão, mas não vou fazer isso hoje A verdade é que todo o meu teatrinho que comecei no início da noite e me esforcei tanto pra manter foi perdido em sua maior parte, mas não estou nem aí. Eu dou um jeito nisso depois. Sou um homem de impulsos, eles me dizem o que fazer agora e não vou lutar contra a minha natureza. Passo tempo demais limpando a bagunça dos outros pra saber bem como limpar a minha própria como preciso. Eu tento ir pelo caminho mais fácil, mas às vezes o difícil é mais divertido. Às vezes o difícil é também inevitável, principalmente para alguém como eu. Um soco vem da direita e eu desvio, uma garrafa é arremessada da esquerda mas ela atinge o sujeito atrás de mim, seja lá quem for. -PORRADARIA c*****o, É ISSO QUE EU QUERO VER!- um bêbado fala, com sua voz arrastada e o nariz todo sujo de cocaína antes de levar um murro na cara. Talvez a maioria deles esteja vendo isso como parte da brincadeirinha da noite. Com certeza não as prostitutas, pelo menos duas delas estão gritando e gritando para pararmos, enquanto as outras só Deus sabe. É uma confusão terrível agora e braços, pernas e socos, todos estão se destruindo mesmo quando eu paro de bater no Kaio, que a esse momento já está num dos últimos estágios de inconsciência no chão, sendo pisoteado pelos seus "amigos". Quando sinto minha respiração se acalmar, minha visão começar a voltar ao normal e eu conseguir não só enxergar o que acontece ao meu redor, mas também pensar de forma um pouco mais coerente do que a minutos atrás, eu analiso em volta. Os dançarinos foram embora a essa altura, acho que eles não tinham mais nada pra fazer aqui mesmo, mas o que realmente me interessa também não estava à vista. Eu vou voando em direção às cortinas improvisadas que separam o exterior do anterior, e assim que eu consigo ter uma visão da sala, que percebo que estava vazia, é a luz do elevador descendo os andares do prédio. Você não vai fugir de mim dessa vez. POV CASSY Aquela gente doida, nem fodendo que eu vou ficar no meio daqueles animais se socando. Quem era aquele cara e por que ele simplesmente começou a bater naquele cara sem mais nem menos? Por que tudo isso está acontecendo comigo?! Droga! Muito azar pra uma pessoa só. Já deu pra mim, vou pra casa. Já fiz a minha parte aqui, já fiz a minha apresentação e tudo mais que tinha direito. f**a-se aqueles riquinhos de merda. Não vão nem notar que eu saí pelo jeito que estavam as coisas. Estou descendo o elevador quando a luz começa a piscar. O silêncio me dá uma agonia terrível. Parece que a qualquer momento vai sair uma criatura do espelho pra agarrar o meu pé, ou ele vai simplesmente travar aqui e me deixar presa nessa situação claustrofóbica antes de despencar todos os 9 andares que faltam. Esse prédio é realmente muito alto, e demora uma eternidade até que ele desça até o térreo. Infelizmente, ainda tenho que passar por todo o estacionamento antes de conseguir chegar na saída, onde eu posso pedir um táxi e me levar embora daqui. Enquanto isso, continuo com os possíveis cenários de filmes de terror passando e repassando na minha mente, como se realmente fosse provável alguma coisa acontecer. Não consigo evitar de pensar na minha noite na casa dos horrores, de todos aqueles fantasmas falsos e como eu me senti encurralada também, até que o verdadeiro monstro apareceu, mas diferente de como seria nos filmes, eu não fiquei nem um pouco assustada. Mas por alguma razão desconhecida, estar agora sozinha nesse elevador me causou uma sensação r**m subindo na espinha, um frio na barriga ou talvez até um arrepio na nuca. É incrível a quantidade de nomes pra descrever essa sensação agoniante. Quando o elevador finalmente para no último andar, fazendo o leve Plim e piscando a pequena luz vermelha antes de abrir a porta, eu quase suspiro de alívio. Poderia jurar que as portas estavam se abrindo mais devagar do que normalmente se abriam, mas essa parte eu tenho certeza de que era coisa da minha cabeça. Eu saio do elevador tirando aquela peruca i****a e jogando na bolsa. Minhas botas de salto fazem um barulho oco contra o chão do estacionamento que ressoa por todo lugar. Não tem nem mais um mísero som além dos meus sapatos barulhentos. Ainda tenho que passar por fileiras de carros e subir uma rampa a pé antes que possa começar a ouvir os sons da noite do lado de fora. Aqui dentro o único ruído que ouço é o da minha respiração e esses sapatos que estão transformando meus pés em carne viva a essa altura do campeonato. Eu passo por números carros caros e importados que definitivamente não estou acostumada a ver. A iluminação aqui é péssima apesar de todo esse luxo, e hora outra vejo algumas luzes piscando. Me sinto observada, mas tento ignorar essa sensação e continuo andando, apressando quase que de forma involuntária meus passos pra sair dali logo, mas parece que quanto mais eu ando mais longe fico da saída. Até que eu ouço um barulho, algo batendo, talvez passos ou algo mais pesado. Não quero olhar pra trás, meu coração está acelerado e a sensação de que tem alguém me observando é como uma faca nas minhas costas. Definitivamente não quero olhar para trás…
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