CAPÍTULO 1
"Somente quando encontramos o amor, é que descobrimos o que nos faltava na vida" - John Ruskin
Que pôr-do-sol espetacular é esse?
Hoje o dia foi preguiçoso, Athos e eu tivemos uma noite e tanto, nos divertimos demais na festa de aniversário e noivado da MJ. Sem nenhuma novidade, ela estava lindíssima e radiante. Quase desmaiou com a surpresa que Vicenzo preparou para ela.
Dançamos até o sol raiar e eu sai de lá com as sandálias na mão. Meu deus Grego, como sempre, arrancou suspiros da mulherada, estava divino, cheiroso e galanteador... Na verdade, estava apenas sendo o Athos por quem me apaixonei. Mas desta vez, ele também estava sendo meu. Apenas meu e de mais ninguém. Poder abraçá-lo e beijá-lo na frente de todas as pessoas, sem precisar nos escondermos, me fez muito feliz e com uma sensação de liberdade sem igual.
Desde que voltamos da nossa "pré lua-de-mel" no Brasil - que a princípio seria uma viagem solitária de três semanas, mas acabou se tornando um tour pelo meu País por um mês e meio - esta é a primeira vez que saímos juntos, oficialmente como um casal em um evento social onde muitos dos convidados são membros da alta sociedade, afinal, não era apenas a festa de aniversário da minha amiga de infância. Era também o noivado do presidente do maior escritório de advogados do México.
Ainda senti alguns olhares duvidosos e posso afirmar que houve comentários maldosos a nosso respeito. Mas nenhum deles prosperou. Pois diferente da outra vez, agora eu me sinto mais forte, mais adulta, com maturidade para enfrentar certos encalços e tenho ao meu lado a segurança de um homem completamente apaixonado, disposto a me proteger de tudo e todos. Temos certeza de que as colunas sociais e sites de fofocas devem ter amanhecido recheados de noticias venenosas, mas não nos interessa em nada, saber sobre elas. A verdade é apenas uma: Eu o amo, ele me ama. E estamos juntos. É o que me importa.
Dormi pouco, por que quando chegamos tive que tomar banho, era impossível me deitar no estado em que eu estava: toda suada, descabelada, maquiagem derretendo e os pés pretos. Athos resolveu me acompanhar e acabamos fazendo amor naquela maravilhosa e convidativa banheira que há no banheiro do seu quarto.
Fazer amor com o meu namorado tem sido a rotina mais prazerosa em nossas vidas nos últimos três meses. Quando estamos juntos, não conseguimos evitar de nos tocar, acariciar, paquerar a todo instante. É como se houvesse um imã que nos puxa um para o outro. Contamos os minutos para estarmos juntos e ele tem me ensinado a descobrir sensações em meu corpo que eu jamais imaginei capaz de sentir. Athos é um amante por natureza.
Após uma noite de tantas comemorações, tantas declarações, tanto amor envolvido, meu noivo e eu contemplamos o nascer do sol, através das janelas da varanda, enquanto tomávamos um belo café da manhã.
Dormimos até depois do meio dia, preparei um almoço leve e rápido e então Athos precisou trabalhar. Embora esteja oficialmente afastado do escritório, meu deus Grego é um homem responsável e não gosta de deixar coisas inacabadas, ainda existem alguns processos em seu nome e ele faz questão de cuidar pessoalmente.
O deixei concentrado em seus afazeres e resolvi caminhar pelo jardim, me exercitar, ler e agora estou aqui, deitada na grama do mirante, perdida em um misto de nostalgia das maravilhosas lembranças dos últimos meses enquanto assisto o majestoso espetáculo do sol se pondo.
Chego a conclusão de que quando estamos apaixonados tudo tem uma visão diferente aos nossos olhos, as coisas simples, os gestos despretensiosos, a beleza da natureza em todas as suas formas e gêneros... tudo se transforma em poesia e cor.
–– Não se mova! – Athos aparece de surpresa.
–– Athos! – Cubro o rosto e o repreendo –– o que você está fazendo?
–– Ué? Eternizando a imagem mais linda que já vi! – Ele é galanteador, enquanto me fotografa com seu celular.
–– Pare com isso! Estou h******l, cheia de olheiras e toda descabelada. – Jogo grama nele.
–– Está perfeita! Amo você assim, ao natural. – Senta-se ao meu lado e me beija docemente. –– Eu estava te procurando, então vi que o Sol estava se pondo e me lembrei que você adora assisti-lo. Não poderia perder essas duas visões maravilhosas.
Com a luz solar se dissipando no horizonte, as luzes do jardim começaram a acender, iluminando o rosto perfeito e bem desenhado de Athos.
É o homem mais lindo aos meus olhos! E é todo meu... m*l posso crer que é.
–– Já é noite. – Digo abraçando-me a ele. –– Vamos entrar? – Proponho.
Ele aninha-se a mim, compartilhando da minha total falta de vontade em sair do nosso momento mágico a sós, no silêncio da noite tendo apenas como companhia as estrelas e a bela e encantadora Lua que tomou seu lugar acima de nós, tornando nossa noite ainda mais romântica.
–– Vamos entrar? – Repito a pergunta alguns minutos depois. – Preciso ir para casa.
–– Está um tempo tão gostoso. Vamos ficar aqui mesmo! – Responde preguiçosamente.
–– Athos, você precisa trabalhar amanhã e eu ir para a faculdade – levanto, saindo forçosamente de seus braços. –– Levante. Precisamos entrar! – Insisto puxando-o pelas mãos.
–– Não! – Ele faz corpo mole, negando-se a sair do lugar, como se fosse uma criança birrenta.
–– Venha! – Sou firme.
–– Só mais um pouquinho... – pede manhoso abraçando minhas pernas e me puxando para cima dele.
–– Athos, não!! – Grito ao cair sobre seu corpo.
Saímos rolando pelo gramado, nos embolando feito dois adolescentes felizes e sem nenhum tipo de preocupação.
–– Senhor! – A voz baixa de Moisés nos devolve à realidade.
–– Não vamos sair hoje Moisés, pode se retirar se quiser e se for o telefone, diga que não estamos! – Athos diz sem dar muita importância ao homem constrangido que está em pé a nossa frente.
–– Senhor! – Moisés é repetitivo, mas agora sua voz é mais alta e insistente.
–– Isto é tudo Moisés. Pode ir! – O Sr. Irritadinho está de volta a cena e visivelmente contrariado.
Percebo que é algo urgente. Ajeito-me e encaro Athos.
–– Ele não estaria aqui plantado se não fosse algo importante, Athos. – Olho para Moisés. –– Aconteceu alguma coisa? É minha mãe? – Me preocupo.
–– Está tudo bem com sua mãe...
Moisés tenta responder e novamente é cortado pelo impaciente Dono do Mundo.
–– Se está tudo bem com a Lourdes, então você já...
–– É a sua mãe! – Agora é Moisés quem corta Athos, de forma brusca e direta.
Athos arregala os olhos e em um pulo já está em pé.
–– O que tem minha mãe? – Sua voz está alterada e trêmula –– Diga logo homem, o que há com ela? – Grita enquanto caminha na direção do motorista.
–– Athos, controle-se! – Corro atrás dele.
–– A Dona Carmem acaba de comunicar que os médicos estão levando a Sra. Gonzalez para o hospital...
–– Como assim hospital? O que está acontecendo? O que estão fazendo? Ela tem todos aqueles malditos médicos para atendê-la vinte e quatro horas em casa...
Mais uma vez meu noivo interrompe Moisés e imita minha mãe, disparando sobre o pobre homem, uma metralhadora incontrolável de perguntas.
–– Athos pelo amor de Deus, fique calmo... – entro em sua frente, antes que ele consiga avançar sobre meu padrasto. –– Por favor, deixe que ele termine de dizer.
Me ignorando por completo, ele continua tentando chegar até Moisés. Seus olhos transparecem todo o desespero e pavor. E é praticamente palpável o que sente. Me agarro a ele pela cintura.
–– Athos! – Moisés é firme ao chamá-lo pelo nome. Meu lindo noivo para bruscamente e o fita. –– Ela precisa de atendimento hospitalar, os médicos não podem mais fazer isso em casa. Já está além das forças deles... – o motorista sente-se culpado por ter que ser ele a dar a notícia.
–– Ligue para o pessoal do aeroporto, peça para prepararem o jatinho! – Ele ordena, mas percebo que não tem muita noção do que precisa fazer.
–– Já liguei, senhor! – Moisés responde de pronto.
Athos começa a caminhar em passos largos em direção à casa enquanto é seguido por nós.
–– Avise ao Vicenzo que preciso dele agora! – Diz enquanto aumenta os passos.
–– O Sr. Sanches já está a caminho do aeroporto... – De novo o namorado da minha mãe está um passo a frente.
–– Vou precisar da minha maleta, há alguns documentos nela e outros na minha mesa, que ainda estou trabalhando... tenho que levar, caso precise ficar mais dias...
–– Eu posso arrumar isto! – Digo enquanto tento alcançá-lo.
–– Perdão senhor, mas tomei a liberdade de providenciar tudo isso. Sua maleta está pronta na sala de estar. – Minha Nossa Senhora! Este homem realmente pensa em tudo mesmo!
O Gonzalez caçula para de repente, Moisés e eu quase trombamos em suas costas. Ele então vira-se para nós.
–– Que horas recebeu essa ligação? – Ele espreme um dos olhos e desconfia.
–– Há cerca de uns dez minutos senhor... ou menos! – Moisés responde, dando os ombros.
Meu sr. Mandão volta até nós e põe a mão sobre os ombros de Moisés.
–– Obrigado! – Ele diz, mais calmo.
Moisés apenas acena com a cabeça e lhe estende um meio sorriso. Athos me olha.
— Vou precisar de você, meu amor! Será que pode me acompanhar?
Me pergunta ternamente, mas eu sei que por dentro está implorando. Seus olhos são expressivos demais e nunca deixam que ele esconda o que sente. Eu não havia cogitado a ideia de não o acompanhar. Estar ao seu lado neste momento é o mínimo que posso fazer por ele.
— Com toda certeza! – Respondo sem pensar duas vezes.
— Eu ligaria para a sua mãe para pedir permissão, mas preciso tomar um banho rápido e não posso perder tempo, você pode fazer isso por mim?
— Sim, claro! – Respondo, mas algo me diz que não será necessário. — Embora eu ache que ela já deva estar ciente. E certamente não teremos problemas! – Ambos olhamos para Moisés.
— Bem... – limpa a garganta para prosseguir — perdão pela indiscrição, mas enquanto eu arrumava a sua maleta a Lourdes me ligou e eu acabei comentando com ela. Logo imaginou que a srta. Esther fosse acompanhá-lo...
Ele diz sem jeito. Não sei se por ser o motorista do meu noivo e namorado da minha mãe lhe causa certo desconforto ou pelo fato de ter sido ele a contar para a dona Lourdes algo pessoal do seu patrão. Não acho que isso faça dele um fofoqueiro. Moisés é muito discreto e zeloso com o patrão. Mas esse homem é muito profissional e o fato de ter se apaixonado pela sogra do chefe o deixa completamente embaraçado.
Todos recebemos bem a notícia, Athos mais ainda, afinal sempre soube do interesse mútuo dos dois e junto com Carmencita foi grande incentivador desse namoro.
Achei estranho no começo, confesso, mais por nunca ter visto minha mãe sequer flertar com alguém que não seja meu pai; porém sei que Moisés é o homem certo para ela. Decente, trabalhador, educado, prestativo, confiável, preocupado conosco... não é muito comunicativo, mas é extremamente observador e sempre age adequadamente na hora que mais precisamos. Como agora.
— Obrigado novamente Moisés! – Athos agradece.
— Não tem de quê! – Responde sem conseguir esconder o rubor. –– Se me dão licença, vou preparar o carro! – Moisés nos deixa e segue para a garagem.
— Vá se preparar. Eu já tomei banho, vou apenas trocar de roupa. No caminho ligo para mamãe, não quero preocupa-la. - Digo.
Athos deixa os ombros caírem. O abraço e afago seus cabelos. Ele deixa a respiração sair.
— Você tem aula amanhã! – Diz desaminado, porque sabe que eu tenho minhas próprias preocupações. — E eu não sei se posso voltar logo. Talvez... talvez terei de ficar alguns dias, até que...
— Eu vou com você! – O interrompo — estamos no comecinho das aulas, não estamos tendo matérias tão importantes que eu não possa pegar com alguém depois. Eu ficarei com você o tempo que for preciso, isso é indiscutível. E depois pensaremos nas minhas faltas, nas matérias que perdi... nada é mais importante que você e sua mãe, neste momento. – Digo olhando em seus olhos, para transmitir todo meu amor e segurança.
— Eu te amo Esther!
— Eu sei! Agora precisamos ir... – Pego em sua mão, ela está gelada.
Beijo seus lábios e acaricio seu rosto. Ele devolve o carinho. Respira fundo como se estivesse se preparando para uma maratona e então seguimos para dentro.
No caminho para o aeroporto enquanto falo com mamãe, Athos recebe algumas ligações, ele não aparenta estar paciente para falar ao telefone, mas precisa deixar algumas coisas resolvidas por aqui e agilizar outras antes de chegar a Capital.
— Mas o que foi isso agora? – Minha mãe pergunta do outro lado da linha.
— Athos e mais um de seus gritos histéricos! – Respondo baixo e me viro para a janela, para não o atrapalhar.
— Você precisa acalmá-lo querida. – Ela me aconselha. Como se já não tivesse tentado!
— Mãe, a senhora sabe bem que não há Cristo que faça esse homem ficar calmo em situações como essa. Ele não ficará em paz até que veja a dona Oletta. – Explico o óbvio.
— Entendo! – Ela respira fundo — bem meu amor, seja forte e firme com ele. Sabe que está prestes a acontecer. Não sabemos qual será a reação dele quando o inevitável se tornar um fato. No entanto, tenho certeza que a única coisa que o fará se manter nos eixos, é você! – Mamãe lamenta a própria constatação.
— Eu sei, mãe. – Suspiro baixinho. –– Tente não se preocupar. – Peço, já resignada com o que me aguarda.
— Impossível não me preocupar com você, filha. Ainda mais nesse tipo de situação. Athos é um excelente rapaz, mas é muito instável. Nunca sabemos como ele reagirá a determinadas coisas, e eu tenho medo que esta reação te afete. – Se explica.
— Mãe, indiferente de como ele vá se portar quando acontecer... – faço uma pausa e o observo ao telefone, para ter certeza de que não está me ouvindo — sempre irá me afetar. Ele é meu noivo. Quando está feliz eu fico extremamente feliz, quando está triste, eu fico em pedaços! O que posso fazer? Eu o amo... – digo baixinho.
— Tudo bem meu amor! Eu a entendo. Você está se transformando em uma mulher tão cedo, tão rápido... – mais uma vez, ela está lamentando. Embora eu saiba que sente orgulho de mim –– passando por tantas coisas... eu queria apenas desacelerar todos esses acontecimentos, para poder manter mais tempo sua inocência, sua imaturidade... sou apenas uma mãe, querendo cuidar da sua filhinha. – Sei que dona Lourdes está toda chorosa.
— Madrecita... não depende mais da senhora. E eu sempre serei sua filhinha. – Coloco ânimo na minha voz, para que ela se acalme. –– Fique tranquila, está bem? Athos pode ser um louco, mas, ele cuida muito bem de mim! – Tento tranquilizá-la.
— Eu sei. Faça uma boa viagem. Dê um beijo nele e cuide desse menino, porque agora é ele quem precisa. – Já está mais resignada.
— Te amo, dona Lourdes. – Me despeço, finalizando as lamúrias evitando que ela desate a chorar e aí, terei que me dividir contendo uma dupla de dramáticos.
— Te amo, filha!
Desligo o celular antes que eu mesma comece a chorar igual menininha. Limpo discretamente uma insistente lágrima que teima em sair. Quando levanto meus olhos, flagro Athos segurando o celular no ouvido enquanto me olha firmemente, sem qualquer expressão. Desvio o olhar para que ele não perceba minha angustia, preciso que ser forte agora. Por ele eu tenho que ser muito forte.
Athos finaliza a ligação quando Moisés estaciona o carro próximo ao jatinho que irá nos levar para a Capital. O motorista vem abrir a porta para que eu desça, mas Athos segura minha mão antes que eu saia e faz um sinal, pedindo um minuto ao funcionário, que entende o recado e fecha a porta, nos deixando a sós.
— Seja lá o que ela esteja tentando evitar, está certa! – Athos continua segurando minha mão, está triste em ter que me dizer isso. O conheço o bastante para saber como se sente!
— Estava ouvindo minha conversa? – Pergunto forçando ares de indignação.
— Não pude deixar de ouvir. Mas esse não é o ponto aqui. Sua mãe quer o melhor para você e talvez eu não seja este "melhor", eu sei o que vai acontecer, e também não sei como serão as coisas para mim quando tudo acabar! – Tento desviar o olhar, mas ele segura meu rosto evitando que eu tire meus olhos dos seus — eu não posso desgraçar a sua jovem vida, Flor! Estou prestes a enfrentar uma pressão esmagadora. Se você decidir ficar, eu irei entender! – Agora quem foge do meu olhar é ele. Se escondendo, pois tem certeza que eu sei que está mentindo. Ele também me conhece ao ponto de decifrar meus sentimentos.
— Athos, se você começar a ouvir as minhas conversas com a minha mãe ou quem quer que seja, irá comprar uma briga f**a comigo. – Quebro o clima precoce de sofrimento, mudando completamente o foco. –– O fato de ser meu noivo não lhe dá direito a invadir a minha privacidade. Mas se ouviu bem o que falamos, já sabe a resposta, então por favor, não vamos nos atrasar com assuntos sem importância, ok? – Dou bronca, seguindo o conselho da minha mãe em ser firme, porque parece que o sofrimento do meu pobre menino rico começa aqui.
Abro a porta do carro e desço. Moisés vem em minha direção para ajudar. Saio do carro e caminho rápido em direção ao avião. Na ponta da escada estão Maria José e Vicenzo. Sou grata aos céus por ela ter acompanhado o noivo.
— Olá Vicenzo. – O cumprimento com um breve beijo.
— Olá Esther! – Ele corresponde.
— Amiga! – MJ, menos contida, me abraça.
— Obrigada por vir! – Beijo seu rosto.
— Quando o Vi me disse que teria de ir acompanhar Athos, logo imaginei que você iria junto, aí pensei: "Mas quem é que vai acompanhar a minha amiga?" – Ela sorri amavelmente e então se aproxima para um cochicho. — Não vou te deixar sozinha naquele ninho de cobras, Estherzinha! – Entrega.
Observamos Athos terminar de instruir Moisés. Vicenzo foi até eles, cumprimentou o motorista e depois deu um longo e forte abraço no amigo. Maria José e eu resolvemos adiantar e nos acomodar no jato.
Cerca de uns cinco minutos depois a dupla de belos homens entra no avião. Athos senta-se ao meu lado, afivela meu cinto e depois o seu.
— Você está muito zangada comigo? – Pergunta sem me olhar.
— Vamos deixar esse assunto para depois, certo? – Proponho.
Estou brava com ele, mas esse não é o momento para picuinhas. Nossas vidas estão prontas para tomar um rumo do qual sabemos pouco ou quase nada. Sei que assim que a sra. Gonzalez fechar os olhos, grandes responsabilidades cairão sobre os ombros do filho mais novo. Não duvido de sua capacidade em suportar todas elas, apenas sinto que por dentro, ele não estará agindo com o coração. Os bens familiares nunca foram algo que lhe fizesse falta ou foram alvo dos seus desejos. Ele sempre ansiou única e exclusivamente por amor.
Agora que refez os laços com a mãe, que ambos se perdoaram, que ele sabe o quanto é amado por ela... quando dona Oletta enfim partir, nada material será de seu interesse. Ele nunca me disse qualquer coisa a esse respeito. E nem é preciso. Athos é muito sincero e seguro do que quer e sente, exatamente por esse motivo, sei que inevitavelmente, obrigações que ele nunca pediu ou desejou serão despejadas em seu colo e ele ficará completamente arredio e infeliz, por ter que cumprir um papel que não lhe agrada, sem pensar em si, sem abrir mão em prol da própria felicidade, porquê ele sabe que essa é a última vontade da matriarca, que também foi de seu pai, e o meu deus Grego jamais deixa de cumprir a sua palavra.
— Eu também só quero o melhor para você. – Murmura.
— Você é o melhor para mim! – Respondo, observando a pista de voo pela janela.
Surpreendendo-o, seguro sua mão. Ele passa o dedo polegar sobre meu anel de noivado, o mesmo que foi de sua mãe, leva até a boca e o beija; em resposta, aperto seus dedos, mas mantenho o olhar distante.
— Eu preciso mais de você do que possa imaginar! – Não posso dizer isso sem olhar em seus olhos. Pois agora não tenho nada a encobrir. –– Então nunca mais duvide que eu estarei contigo nos momentos mais difíceis, entendeu? – Tento demonstrar irritação, mas minha ceninha não dura muito. Com um sorriso caloroso e olhar de cachorro abandonado, ele me desarma.
Porra como eu amo esse homem!
Encosto minha cabeça em seu ombro e já estou pronta para decolar, assim como para qualquer coisa que nos espere.