CAPÍTULO 2

4460 Words
"Há pessoas que amam o poder, e outras que tem o poder de amar." - Bob Marley             No aeroporto nos aguardava um senhor aparentando entre sessenta, setenta anos, muito bem alinhado, com barba branca elegantemente feita e cabelo grisalho meticulosamente penteado para trás. Seu nome é Basílio Lopes, e provavelmente trabalha para a família de Athos há anos. Deduzo, por perceber que os Gonzalez dão muito valor aos seus funcionários pessoais e a grande maioria trabalha para eles há muito tempo, alguns, como no caso de Vicenzo, são filhos de antigos empregados que já se aposentaram ou continuam na ativa. Acho isso muito bonito da parte deles, embora seja uma das poucas coisas que realmente sei sobre a poderosa família do sr. Mandão, confesso que isso me deixa um pouco apreensiva.             Se com Athos, m*l consigo lidar, imagina meia dúzia dele, dando piti, tendo ataque de histerismo, ficando felizes e tristes ao mesmo tempo...             Acho melhor deixar para pensar sobre isto quando for a hora de lidar com as feras!             O sr. Lopes nos ajuda a descer do carro e na porta da imponente mansão dos pais de Athos, estão três funcionários que são instruídos pelo motorista a carregarem nossas bagagens para os "devidos aposentos".             Todos nos cumprimentam cordialmente, com especial carinho ao se direcionarem a Athos. Ele é um ogro quando quer, mas um lorde quando se trata dos seus empregados. O que me faz cair por dentro, suspirando por ele.             — Sério que ele disse "devidos aposentos"? – Cochicho em seu ouvido.             — O Basílio é um cara das antigas, cheio de regras, hábitos e códigos profissionais rígidos. Leva seu trabalho muito a sério. Já estava por aqui antes mesmo de meu pai pensar em se casar... não sei de qual conto de fadas dom Marco Polo o tirou, mas... – Athos põe as mãos no bolso e analisa a figura de quem falamos, enquanto este faz seu trabalho —  essa é a sua história. Não se sinta m*l caso ele não lhe dirija um sorriso ou tratamento mais caloroso. Este homem é feito de ferro e gelo. E é também de longe o melhor funcionário que o sr. Gonzalez já teve em toda a sua existência!             Após me dar uma breve aula sobre o "funcionário de todos os meses", meu lindo noivo, com ar sério e de poucos amigos, começa a caminhar em direção a casa.             Será que eu falei algo que não devia? Ou devo ter feito uma piadinha de mau gosto com o empregado de honra do Todo Poderoso Pai? d***a Esther, este não é o momento de piadinhas e risinhos... se comporte!             Athos para em frente ao degrau que leva a uma majestosa porta de madeira e vira-se para mim.             — Você não vem?­ – Continua indecifrável.             — Sim! – Respondo e me apresso em alcançá-lo.             Athos me estende a mão e eu a seguro. Ele aperta meus dedos com mais firmeza que de costume.             Está completamente nervoso. Como não pude perceber?             — Pronta? ­– Me pergunta.             — Prontíssima! – Sorrio nervosa.             Minha ficha acaba de cair. Vou conhecer a família de Athos, a mesma família que só vi uma vez e não tive a melhor das experiências... a mesma família que em breve também será a minha. Meu estômago desabafa. Ele devolve o mesmo sorriso a mim. Ele aperta ainda mais meus dedos entre os seus. Está tão ansioso quanto eu.             Entramos pela porta da frente e eu quase desmaio com o gigantesco e luxuoso hall de recepção. Provavelmente é uma antessala, salão de recepção, ou seja lá o nome que dão há isso. Para mim é um lugar previamente intimidante. Destes que já mostram logo de cara a quem chega, que estão em uma casa onde mora "o poder". É um daqueles avisos implícitos de que você deve se pôr no seu lugar de reles mortal e recluir-se a sua insignificância.             Bom, pelo menos é assim que estou me sentindo.             Uma jovem aparece vinda de uma porta no final da sala. Ela traja uniforme como os primeiros funcionários. Seu cabelo está preso em um coque que fica escondido sob uma redinha e seu rosto é adornado com discreta maquiagem.             — Sr. Gonzalez, boa noite. – É educada, mas seus olhos negros parecem brilhar mais que o comum ao cumprimenta-lo com um leve abraço. Essa i********e velada me incomoda, confesso. — Srta. Guimarães, muito prazer em conhece-la. – Volta-se para mim, aderindo um tom mais profissional. Ela sabe meu sobrenome? Claro que sabe!             Me cumprimenta, mas não me toca. Essas etiquetas da classe "A" me deixam completamente deslocada e perdida.             — O prazer é todo meu! ­– Retribuo o tratamento na mesma medida.             — A sra. Chelsea irá descer para recebê-los em instantes. – A educadíssima funcionária nos avisa.             — Obrigado, mas eu dispenso essas formalidades todas, aqui é minha casa, não preciso ser recebido por ninguém e a minha noiva não se importa com essa idiotice toda... – o cansaço começa a transparecer junto com a impaciência. Em certos pontos, somos totalmente parecidos e concordo plenamente em dispensar esse teatrinho de apresentações e recepção, afinal, não estamos em nenhum evento. –– Por favor, apenas me diga se meu quarto está em ordem. - E assim o maravilhoso Dono do Mundo acaba com toda a pompa que tentaram nos oferecer.             A moça pisca sem jeito e acena com a cabeça. Devia estar acostumada, queridinha!             — Claro que sim, a sra. Chelsea está apenas conferindo se os outros quartos estão, ok...             — Outros quartos? Quantas pessoas estão vindo para casa? – Ele a interrompe completamente impaciente.             — Ninguém além do senhor e sua noiva, junto com o sr. Sanchez e a noiva dele. – Ela confere rapidamente um papel com algumas anotações, tentando manter a voz inalterada, mas é delatada por sua face em chamas.             — Ok! – Ele se aproxima dela e se inclina em sua direção — se eu ainda for bom em contas, e eu sempre fui muito bom nisso, estamos em quatro pessoas, obviamente dois casais, o que significa que só precisaremos de dois quartos. O meu e o do Vicenzo. – Ajeita a camisa e quebra o pescoço para os dois lados. Alguém aqui está perdendo a paciência.             Se eu estava começando a me sentir enciumada, agora tenho pena desta moça. Chego a deixar um ligeiro sorriso escapar.             Athos está sendo um ogro com ela. E pensar que eu estava me derretendo em elogios para ele no que diz respeito a seus funcionários.             — Querido Athos! – A cunhada aponta no andar de cima — Desculpe a demora, estava terminando de checar os dormitórios.             A escada é em formato de "Y", começando reta no centro do hall de entrada e divide-se em duas, cada um dos seus extremos levam ao segundo piso, ela tem carpete grosso e corrimão de madeira maciça e escura, mas o que me impressiona não é a escada de cinema e sim o enorme vitral que fica no local onde ela se divide. É uma parede toda feita de vidros gravados com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. É algo tão lindo, perfeito e grandioso, tal como a própria Virgem, que meus olhos chegam a marejar. Tenho certeza que se Lupe estive aqui, estaria de joelhos aos prantos.             Chelsea começa a descer as escadas elegantemente, cortando meu contato visual com a Santa. Ela para no centro e nos olha.             — Já instalei seus amigos em seus quartos. Acredito que você queira levar sua jovem amiga pessoalmente até o dela. – Ela diz com uma calma que se me incomoda, fico imaginando o que causa em Athos.             Olho para o homem bufante ao meu lado e ele começa a ficar com as bochechas infladas. Acho melhor me afastar.             Athos coça a nuca, respira fundo e dispara.             — Ouça Chelsea, esta ainda é a casa da minha mãe. Portanto não se apresse em tomar posse. Você ainda terá de dividi-la em outras duas partes. – Segura minha mão e me arrasta até a escada.             Subimos e paramos frente a moça de cabelo preso a um coque desses que chamam de "banana", o penteado irretocável é finalizado com um lustroso topete em seus fios claros. Ela tem a pele mais branca do que eu pensei. Também, na ocasião em que estivemos frente a frente, não tive muito tempo em reparar nos detalhes de cada integrante da família Gonzalez... estava ocupada na minha tentativa falha de me esconder de todos eles.             — A jovem a quem se refere, chama-se Esther, e você certamente sabe bem disso! – Ele ergue minha mão a altura do rosto da cunhada — Assim como deve saber também que o fato dela ostentar este enorme diamante, diga-se de passagem, que um dia foi da senhora desta casa, a torna muito mais que uma simples “amiga”. É minha noiva. Minha futura esposa. – Meu rosto ferve, poderia me sentir orgulhosa, mas quero me esconder em qualquer lugar longe dessa bomba relógio prestes a explodir entre os dois. –– Agora que as devidas apresentações de praxe foram feitas, nos dê licença. Nós vamos para o meu quarto.             Meu Deus! O que foi essa trocação de farpas? Que ele não é fã da cunhada eu já sabia, só não tinha noção do nível de falta de "amor" entre eles.             Athos vira-se para a esquerda e passa pela mulher que parece uma estátua de cera. Começamos a subir o outro lance de escadas, quando ela resolve respondê-lo. m***a!             — Athos, eu sei que está nervoso! – A voz é inabalável. –– Todos estamos. Mas eu acho que este não é o momento. Acredito que não seja de bom tom, ainda mais na atual situação, que a sua... – ela pausa, me olha e depois continua — noiva e você dividam o mesmo quarto. É mais por uma questão de respeito a sua própria mãe! – O tom de voz dela é baixo e tranquilo. Minha nossa! Mais uma discípula da Toda Poderosa Mãe? Será que eu também vou ficar assim um dia? Cruz e credo!             O meu deus Grego para no meio da escada, solta minha mão e desce até a esposa de seu irmão. Ok, lá vamos nós de novo!              Reviro os olhos.             — Cunhada... – começa falando baixo. O que me deixa alerta. — Todos aqui, inclusive a minha mãe, sempre soubemos que em seu tempo de namoro com Diógenes, embora estivesse hospedada em outra ala da casa, nunca dormiu em seu quarto, não é mesmo? – Ele aproxima-se ainda mais da Barbie Importada.             Isto não vai prestar!             Preciso fazer algo! Mais o quê?             Pense Esther!             — Athos! – Eu o chamo.             — Já estou indo Flor! – Me responde carinhosamente de costas, enquanto mantém seu duelo de olhares em chamas com a cunhada.             — Está tudo bem. ­– Ponho panos quentes. –– Ela tem razão. Eu fico em outro quarto. Posso até dividir com a Maria José. – Proponho, na esperança de impedir a Terceira Guerra.             — A própria moça... – Chelsea tenta falar algo, que deduzo ser complemento do que acabei de dizer.             — Esther! – Athos a corrige.             — Até mesmo Esther, concorda que não é apropriado. E se um dia cheguei a dormir com seu irmão no mesmo quarto, sei que errei e hoje não faria o mesmo. Sendo uma Gonzalez, aprendi que a família vem em primeiro lugar. Respeitá-la e preservá-la é um dos grandes aprendizados, deixados por dom Marco Polo. Acredito que você não vá querer cometer o mesmo erro e manchar o ensinamento do seu pai. Não é mesmo? — Ela termina seu discurso, continua com a serenidade de quem tem o texto decorado na ponta da língua e sabe que pronunciou cada palavra de acordo com o manual de instruções dos bons modos, instituído pela grande matriarca da família. Caraca! Essa mulher é a cópia da dona Oletta! Até na maneira de vestir.             Olho para meus All Stars desbotados e jeans surrados. Me encolho. Realmente estou muito aquém de uma Gonzalez de verdade.             — Se Vicenzo e a noiva quiserem ficar em quartos separados, que fiquem! A minha mulher vai ficar comigo. É assunto meu e da minha mãe, exclusivamente. Sobre sua teoria barata sobre a "Família Gonzalez", poupe meu tempo. Dom Marco Polo teve mais amantes que você tem de idade. ­– Ele sai feito um foguete, trombando com a mulher de vestido salmão.             — Eu só quero ajudar, Athos! – Ela insiste, mas de nada adianta toda sua cordialidade forçada, acabou sendo deixada para trás e duvido muito que ele tenha dado ouvidos à um terço do que ela disse.             — Ajudará mais me deixando em paz! – O homem enfezado responde ao me pegar novamente pela mão, sem mesmo se dar ao trabalho de olhar para trás.             Esboço algo mais próximo a um sorriso de desculpas e não tenho tempo para qualquer palavra de despedida, logo estou sendo arrastada corredor a dentro. ****             Algumas portas depois, o Irritadinho me enfia dentro de uma espécie de sala de estar, bate a porta e urra, xingando todos os palavrões conhecidos e outros nem tanto. Não me abalo com seus chiliques, afinal, ele costuma latir, mas a mim, nunca mordeu. Continuando com seu showzinho, atravessa o cômodo pisando duro e abre uma enorme porta de correr, atrás dela um quarto se revela. Eu o sigo tentando me situar dentro do lugar.             — Meu Deus, Athos. Para que tudo isso? – Chamo sua atenção. –– Eu realmente não entendi porquê tanta confusão. É apenas um quarto. Não vão nos separar de casa ou nos impedir de nos ver... – Tento acalmá-lo.             — Você não a conhece. – Ele diz arrancando a jaqueta e gaguejando furiosamente. –– Essa sonsa não suporta minha mãe e quer pregar a moral e os bons costumes, como se fosse algo que ela mesmo fizesse uso... – resmunga enquanto passa para outro ambiente, um closet, menor que o de sua casa, porém tão asséptico quanto.             — Tudo bem. Eu entendo você... – por trás dele, passo as mãos em seus ombros — e você mesmo sabe que sua mãe não é a pessoa mais fácil de lidar. Aquela Vassoura de Pernas é outra que também não morria de amores por ela e estava sempre a lambendo... parece que esse tipo de "tratamento" já é normal por aqui! – Digo, me referindo ao falso respeito e carinho, como as pessoas dessa família costumam se tratar.             Athos folheia algumas camisas, nada é do seu agrado, talvez porque nem mesmo esteja procurando algo, apenas agindo no automático, enquanto tenta se acalmar.             — E é por isto que a Chelsea não gosta de você! – Ele solta secamente.             — O que? Como? Ela não gosta de mim? Mas ela sequer me conhece! – Me afasto e ele se vira em minha direção.             Não esperava flores e chocolates, nem juras de amor, mas achei que ela ao menos me daria a chance de mostrar quem sou antes de fazer qualquer juízo ao meu respeito.             — Não é difícil saber disso! – Suas sobrancelhas se unem, como se ele lamentasse por mim. ­­–– Bastou ver como te olhou, te tratou... com certeza deve ter ficado possessa de inveja e ciúmes quando descobriu que o anel de noivado da minha mãe é carregado pela única mulher que teve coragem de bater de frente com ela sem ter que fingir ser quem não é. – Ele alisa meu cabelo ainda contrariado.             — Não imaginava que isso fosse tão importante para sua cunhada. Digo, eu também fiquei extremamente surpresa e até achei que fosse conversa sua, quando soube que a própria dona Toda Poderosa havia me enviado esse anel – acaricio a joia em meu anelar – mas nunca achei que fosse motivo de desavença para Chelsea. – Fico perplexa.             — Meu amor, essa sua inocência faz meu coração transbordar! – Planta um beijo na ponta do meu nariz. — O que a minha mãe fez, deixou bem claro tanto para Chelsea, Beatrice, até mesmo à Rosário e quem mais quer que seja, que você é bem-vinda e mais que isso: é digna de carregar o sobrenome que a dona Oletta ostenta com tanto orgulho! Você certamente bagunçou a cabeça das mulheres desta casa... — Sorri de lado, satisfeito.             Desde que chegamos é a primeira vez que seu rosto está leve e aparentemente tranquilo. Acho que os cinco minutos de destempero se foram.             — Me sinto muito honrada pela sua mãe, embora só tenhamos tido contato por telefone, desde o meu aniversário... senti que ela me trata com mais respeito, mesmo sendo dura feito pedra. – Deixo uma careta de confusão nascer em meu rosto. –– Fico feliz demais por esse reconhecimento. Mas me entristece saber que por conta disso, ganhei a inimizade de pessoas que sequer chegaram a me dar uma chance. – Olho para os meus dedos desanimadamente.             — Você não tem culpa, meu amor. Você está tão acima delas e todas as outras pessoas, que é até compreensível que reajam assim. – Athos me abraça feito um urso. Sinto-me protegida.             — Você me chamou de "sua mulher"! – Meu risinho b***a é abafado em seu peito.             — Chamei? – O bonitão se faz de desentendido.             — Chamou sim! – Reafirmo.             — Sim. Chamei! – Ele firma seu olhar no meu — e não é isso que você é? Minha mulher! – Repete o que já havia dito mais cedo, mas dessa vez com ternura.             — Bem, até onde sei, somos apenas noivos... acho que para que eu possa subir de cargo, existem algumas burocracias e papeladas pelo caminho, não é mesmo, sr. Gonzalez? – Brinco com ele, embolado sua gravata entre meus dedos.             — Não preciso de todas essas formalidades para torná-la minha. Sinto que nos pertencemos desde o dia em que você me aceitou. Mas se faz questão, podemos resolver agora mesmo.             — O que? Casarmos? – Arregalo os olhos. Athos não é do tipo que sabe brincar.             — Sim!             — Agora? – Comprimo o olhar.             — Nesse exato momento, Sra. Gonzalez! – Meu bonitão é firme em suas palavras.             — Não! – Me afasto sorrindo. — Não precisamos disso. Não por enquanto... estou satisfeita com o que temos e na atualidade nossa prioridade é outra. ­– Trago-o de volta a realidade.             Athos esfrega o rosto com as duas mãos e de fato toma ciência do que nos trouxe até aqui.             — Preciso ir até o hospital. Ver como estão as coisas por lá, o que é possível fazer... – suspira — gostaria que você descansasse e me aguardasse até eu voltar.             — Pensei que eu fosse com você! – Realmente achei que esse fosse o plano.             — Você precisa descansar, estudar um pouco. Não quero exigir de você mais do que já tem se doado a mim. E não sabemos quem iremos encontrar por lá... enfim, quero te preservar de tudo o que eu puder, o máximo possível. Até porque, se você não estiver bem, eu também não estarei.             Pobre menino rico, mesmo passando pelo seu pior período, não consegue pensar em si. E eu, que o achava o cara mais egoísta do mundo.             — Não se preocupe comigo. Sabe que sei me defender. E depois de tudo que passamos, dificilmente alguém poderá me desestabilizar. – Asseguro e rezo mentalmente para que assim seja.             De volta ao quarto, ele senta-se ao pé da cama e me puxa para o meio de suas pernas.             — Eu sei bem disso. Mesmo assim, com tantas preocupações, não sei como reagirei se alguém tentar lhe fazer m*l, Florzinha! – Beija meu ombro.             — Tudo bem. Eu estarei aqui te esperando! – Aceito seu pedido. Não quero ser eu, mais um motivo de suas preocupações.             — Obrigado! – Ele fecha os olhos e me agradece.             — Mantenha-me informada. – Peço.             — Ok! Se precisar de algo, diga ao Basílio pelo interfone. Ele irá ajudá-la no que for possível, até que eu volte. – Me instrui.             — Não se preocupe. Posso me virar. – O que mais eu precisaria dentro deste mini-apartamento?             — Eu gostaria que você evitasse encontrar a Chelsea pela casa... – cheira meus cabelos — pelo menos por hoje, pode fazer isso por mim?             — Está me pedindo para ficar trancada aqui... – olho ao redor. — Neste quarto imenso e luxuoso? – Quase rio com o que me pede. Não será nenhum grande desafio.             — Sim! – Mas ele responde mesmo entendendo meu sarcasmo.             — Não é sacrifício algum. Aqui tem tudo que preciso e mais um pouco! – Afirmo com um sorriso nos lábios.             E tem mesmo. Poderia ficar de castigo dentre desse quarto por uma semana. O lugar parece mais uma casa que um mero dormitório.             — Vou pedir para que o Vicenzo mande MJ para te fazer companhia. – Me dá um beijo rápido e se levanta.             — Fechado! – Retribuo com um carinhoso sorriso.             Athos pega sua jaqueta no chão e me beija novamente, agora mais terno e demorado.             — Avise Lourdes que já estamos aqui e está tudo bem com você. Diga a ela para não se preocupar, nada vai lhe acontecer. Eu juro! – Meu sr. Mandão dá sua as ordens de costume.             — Ok, Senhor! – Brinco e me jogo na cama.             Ele sai, mas não antes de dar uma última olhada por todos os cantos e por fim para mim. Então finalmente a porta se fecha.             Finalmente sozinha, chuto meu tênis para longe e me largo na cama. Respiro fundo e miro o teto. Não me importaria em ficar trancada aqui alguns dias. Não mesmo! Mas e depois?             E quando dona Oletta morrer? Quando Athos tiver que assumir de fato a nossa relação? Quando eu me tornar de fato um deles?              Não pretendo ficar trancada nesse quarto pelo resto da vida. Não quero ter que me esconder para sempre. Mas hoje, pelo menos por enquanto, vou me manter quietinha no "calabouço cinco estrelas" do Dono do Mundo. E depois? O depois, teremos que encarar. ****             Atendendo a pedidos, aviso dona Lourdes que chegamos. Não estou muito a fim de conversa, por isso mando uma mensagem.             — Esther? – Ouço a voz de Maria José do lado de fora.             — Entre!             — Minha amiga linda... – Maria, toda faceira, já invadiu o espaço. — Que palácio é este? – Assovia extasiada.             — Ainda não tive tempo de conhecer – sento-me na cama. — Mas só por aquela sala de entrada e esse quarto aqui... dá para ter uma boa ideia.             MJ corre e com um pulinho se joga na cama alta de Athos.             — Se aquele turrão me flagra fazendo assim é capaz de me pegar pelos cabelos. – Ri se espalhando na gigante cama. ****             Deitadas no carpete na sala, jogamos conversa fora e comemos algumas guloseimas que encontramos em um frigobar. Dá para entender o porquê de ser tão egoísta quando o conheci, Athos tem seu próprio apartamento dentro da casa dos pais!             Enquanto nos deliciávamos e ouvíamos música, ela me contava com riquezas de detalhes sua e*****a e apimentada primeira noite como noiva do sr. Sanches. Confesso que me sinto uma virgem perto dela. Muito virgem mesmo. Mas estranhamente não me sinto incomodada ou tímida – como talvez me sentiria antes de Athos – posso dizer que ao contrário, sinto-me, curiosa... instigada!             — O quê? Vai me dizer que você e o seu bonitão ainda não fizeram... hummm... – ela fica reticente para concluir, talvez tentando encontrar um adjetivo menos p********o para o que deseja me perguntar.             — m*l perdi minha virgindade, não tive tempo de praticar todas essas loucuras sexuais... – Sorrio e jogo uma almofada nela.             — Nem quando estiveram juntinhos e sozinhos na sua viagem romântica lá no Brasil? – Ela é curiosa e nem um pouco discreta.             — Nem mesmo lá... – não dou maiores detalhes. Apesar dos avanços em nossa amizade, prefiro manter um pouco da minha i********e com meu noivo apenas para nós dois.             — Garota, você tem muito o que aprender. – A experiente MJ, resmunga enquanto desembrulha outro chocolate.             — Imagino que sim! Mas não tenho pressa... – Desconverso. Embora essa conversa esteja me deixando tentada a experimentar coisas novas. Coisa que não vou confessar a ela, obviamente!             — E eu que achei que Athos fosse mais "intenso" na cama. – Ela dá muito ênfase no adjetivo.             — Athos é intenso. É um cara muito quente na cama. Claro que não tenho com quem compará-lo, por motivos óbvios. Mas ele também é um cavalheiro, embora não pareça. Sempre muito cuidadoso, carinhoso... conhece e respeita meus limites e bem, sei lá... ele me satisfaz e acho que para uma vida s****l perfeita, basta!             Defendo meu deus Grego e sei que sou suspeita para dizer, mas meu noivo é sim, um homem quentíssimo na cama. E mesmo que ainda não tenhamos feito tudo que MJ e todas as outras mulheres que têm uma vida s****l bem mais extensa que a minha, já praticamos coisas que deixariam minha mãe estiradinha no chão, babando feito um cão raivoso.             — Uiiii... desculpe. Alguém parece estar escondendo o jogo. – Ela me cutuca — abre logo para mim amiga, diz a verdade, estamos só nós duas aqui e eu prometo não contar... este cara te faz gozar feito louca. Confesse! – Me provoca, achando que vou morder a isca.             — Esquece Maria, eu não vou falar mais nada... – Tampo a boca com as duas mãos.             Rimos e um barulho na porta nos faz parar instantaneamente.             — Desculpem. Eu bati, mas acho que a diversão está tão boa aqui que acabei não sendo ouvida. – Chelsea diz ao colocar a cabeça do lado de dentro do cômodo.             — Não precisa se desculpar. ­– Levanto-me desajeitadamente — Maria José e eu estávamos apenas falando sobre a festa de noivado dela e Vicenzo. – Explico, um tanto encabulada, rezando para que ela não tenha nos escutado atrás da porta.             — Ah, é verdade! – Ela se volta para MJ. — Meus parabéns, senhorita...? – Apesar de não acreditar em seu interesse, ela quer saber o sobrenome da minha amiga. Formalidades idiotas!             — De La Fuentes, senhora! – MJ se levanta rapidamente. — Maria José é o suficiente. Ou apenas MJ, como a Esther costuma me chamar... – Sorri sendo verdadeiramente simpática.             — Bem, vim para dizer que o jantar está servido. – A desgraçada ignora minha amiga por completo. –– Mas parece que a festinha particular está mais agitada. – Olha ao redor e vê as embalagens de chocolates e doces pelo chão.              Ei, não estamos fazendo festa!
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