Não faço seu tipo, né ferinha...

1352 Words
OLIVER: A adrenalina ainda pulsa no meu pescoço, quente e irritante. Olho para o Malcon, que me encara com aquela cara de quem sabe demais. — Ela mentiu, c*****o. rosno, batendo com a mão no balcão. — Tinha dito que o cara era um ex-namorado da primeira vez. Agora descubro que o infeliz é o padrasto? Malcon cruza os braços, o semblante obscurecido. — Você tem noção de que a gente pode estar lidando com um a******r aqui, Oliver? Meu sangue gela e depois ferve. A imagem daquele sujeito santarrão tocando naquela garota, faz minha visão escurecer. Se eu puser as mãos nele de novo, não vai ser só um empurrão. — A parada é séria. Malcon continua. — É um bom momento pra passar aquele contato do cartão pro Kauan. Ele é investigador, vai saber cavar o passado desse desgraçado. — Vou fazer isso agora. respondo, seco. Tiro o cartão do cara do bolso, não consegui jogar fora aquela m***a, porque sabia que não ia sossegar até saber o que trava pegando. Escrevi o número pro Kauan e pedi pra ele rastrear aquele número, tentar encontrar a identidade do cara, que com certeza era um caso de a***o pra ele. A mensagem é enviada, mas não é visualizada. — Me serve um copo. Preciso baixar essa pressão. O bar começa a lotar. O som da banda de rock e o falatório deviam me distrair, mas meus olhos não saem dela. Maya... esse era o nome dela. Ela voltou pro salão, o rosto tenso, mas trabalhando como se nada tivesse acontecido. Atrevida. Teimosa. — Libera o adiantamento do mês dela. Malcon diz. — Eu vou fazer isso. Digo sem tirar os olhos da garota. — Vai continuar com esse joguinho de não contar que você é o sócio do Kauan e quem manda na direção aqui? Malcon pergunta com um sorriso de canto. — Você viu o jeito que ela me trata? É divertido assim. Não quero ninguém babando meu ovo. Malcon n**a com a cabeça, rindo baixo. — Brincadeira de gato e rato nunca acaba como a gente espera, irmão. Mas vou gostar de ver você amarrado. — Amarrado? solto uma risada irônica. — Que conversa tosca, Malcon. Bebeu o estoque todo? O turno vai chegando ao fim. Estou falando com o Malcon sobre a carga de bebidas importadas quando vejo um sujeito no balcão inclinado demais pra cima da Maya. Ele diz algo, oferece uma nota alta, uma proposta direta: — Pode ser seu, se sair daqui comigo, gatinha. A raiva sobe como um tiro. Quando ela entra na área interna pra deixar a bandeja, eu corto o caminho. — Não deixa ninguém passar por aquela porta, ouviu?! ordeno pro Malcon. — Oliver? O que vai fazer? Ha... O que eu vou fazer? Acabar com a hipocrisia dessa garota. Entro com tudo no depósito. O lado controlador fala mais alto que o senso comum. — Se prostituir, é sério? a pergunta sai como um chicote. Ela pula de susto, os olhos arregalados. — O que você está fazendo aqui? Clientes não podem entrar! — Eu te defendo de um louco de tarde pra você se jogar nas mãos de um qualquer por meia dúzia de notas à noite? dou um passo à frente, invadindo o espaço dela. — Isso não é da sua conta! — É minha conta sim! dou um sorriso carregado de veneno. — Que tipo de garota você é? Diz que precisa desse trabalho pro Malcon pra quê? Pra bater poit? O estalo do t**a dela ecoa no depósito. Meu rosto vira pro lado e o ardor é imediato. Porra! Ela me bateu c*****o!? Olhei pra ela indgnado, e os olhos dela queimava. — Você não sabe nada da minha vida! ela vocifera, a voz embargada de fúria. — Eu preciso de grana, mas nunca faria uma coisa dessas! Me deixa em paz, ouviu? A vida é minha! Ela dá um passo pra trás, tremendo. Mas vira com olhos negros, indignado. — Eu posso não ter onde passar a noite, mas preferia dormir embaixo da ponte do que fazer o que você sugeriu. E quer saber? Vai se ferrar cara! Ela passa por mim como um furacão, joga o avental na bancada e sai disparada pelo salão. Kely tenta chamar ela. — Maya? Ei... Onde você vai!? Mas ela sai atropelando quem estiver na frente. — p**a que pariu, e ainda dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar... Malcon diz negando, me olhando com repreensão. — O que você fez!? Não perco tempo dando satisfação. — Que m***a! praguejo, saindo logo atrás. Pego a moto e acelero. Nem sei pra que lado ir, mas busco o mais claro, ela não seria maluca de ir pelo escuro, nesse horário. Vejo ela andando rápido pela calçada escura da estrada. Emparelho a moto ao lado dela. — Para garota! Me escuta! — Me deixa em paz! Você é perturbado? ela grita sem parar de andar. — Eu vacilei, tá legal? digo, desligando o motor e descendo. — Eu ouvi aquele m***a falar e pensei que você fosse aceitar. Foi m*l. — E você queria que eu fizesse o quê? Outra confusão? Eu preciso do trabalho, o Malcon vai acabar me demitindo por sua causa! Escuta aqui cara, não é porque me ajudou duas vezes que você tem algum direito de se meter na minha vida. Beleza... Caralho, ela tá certa. Solto a respiração pesada. —Ele não vai te demitir. Eu garanto. — E como você sabe, gênio? Porque é amigo dele? Grande coisa! ela para, me encarando com ódio. — Você vai ferrar minha vida, e eu não tenho mais nada pra ser tirado. Suspiro pesado, passando a mão no rosto. — Eu sei porque eu sou o cara que dirige este lugar junto com o Malcon. Eu sou o sócio do dono. O olhar dela muda na hora. O choque substitui a raiva. — Você o quê? — Você não vai ser demitida. Eu sei que você estava dormindo no pub, eu te vi na noite anterior. Ela entra em pânico. — Oh, droga... eu tinha que estragar tudo! Leva as mãos as cabelos, fazendo os fios cair sobre o rosto. — O chefe que a Kely falava... era você o tempo todo... Acenei que sim. Que inferno cara, acabou com toda a diversão. — É o seguinte: eu vou te adiantar o mês todo de trabalho amanhã. digo, tentando soar prático pra cortar o drama. — Aí você arranja um lugar seguro pra ficar. Ela me olha incrédula, mas o medo volta aos olhos dela. — O Malcon me avisou que eu não podia dormir lá hoje... Foi você? Soltei o ar e ela entendeu. — Ótimo, eu não ia dormir lá mesmo, Não depois que o... Suas palavras cortam. Ela não precisa dizer o nome do padrasto. Eu vejo o pânico no fundo das pupilas dela. — Eu te levo pra um lugar seguro. Só por essa noite. Pra compensar a m***a que eu falei. Amanhã você recebe a grana e fica por conta própria. Ela me olha como uma gata acuada, desconfiada de tudo. — Você não tem outra escolha, Maya. Ou tem? Isso é arriscado pra mim também, Vai que você é um serial killer. — Eu vou verificar se você é mesmo o que diz ser antes. — Se eu fosse fazer algo r**m, não teria te defendido de tarde. Quem tem o que esconder aqui não sou eu. Voltamos pro bar em silêncio. Ao entrar, nos separamos e ela foi confirma a história com a Kely, que dá uma olhada pra mim, era óbvio, ela estava falando de mim. Me aproximo do malcon pra terminar de acertar os horários no escritório. Quando saio, o bar já está fechado. Passo por ela, que está limpando uma mesa e digo baixo: — Te espero lá fora. Vejo seu corpo tencionar, um sorriso sorrateiro surge em meus lábios. Não faço seu tipo né Ferinha? Saiu sem olhar pra trás e fico encostado na moto, sentindo o ar frio da noite. ...
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD