OLIVER:
A adrenalina ainda pulsa no meu pescoço, quente e irritante.
Olho para o Malcon, que me encara com aquela cara de quem sabe demais.
— Ela mentiu, c*****o.
rosno, batendo com a mão no balcão.
— Tinha dito que o cara era um ex-namorado da primeira vez. Agora descubro que o infeliz é o padrasto?
Malcon cruza os braços, o semblante obscurecido.
— Você tem noção de que a gente pode estar lidando com um a******r aqui, Oliver?
Meu sangue gela e depois ferve.
A imagem daquele sujeito santarrão tocando naquela garota, faz minha visão escurecer.
Se eu puser as mãos nele de novo, não vai ser só um empurrão.
— A parada é séria.
Malcon continua.
— É um bom momento pra passar aquele contato do cartão pro Kauan. Ele é investigador, vai saber cavar o passado desse desgraçado.
— Vou fazer isso agora.
respondo, seco.
Tiro o cartão do cara do bolso, não consegui jogar fora aquela m***a, porque sabia que não ia sossegar até saber o que trava pegando.
Escrevi o número pro Kauan e pedi pra ele rastrear aquele número, tentar encontrar a identidade do cara, que com certeza era um caso de a***o pra ele.
A mensagem é enviada, mas não é visualizada.
— Me serve um copo. Preciso baixar essa pressão.
O bar começa a lotar.
O som da banda de rock e o falatório deviam me distrair, mas meus olhos não saem dela.
Maya... esse era o nome dela.
Ela voltou pro salão, o rosto tenso, mas trabalhando como se nada tivesse acontecido. Atrevida. Teimosa.
— Libera o adiantamento do mês dela.
Malcon diz.
— Eu vou fazer isso.
Digo sem tirar os olhos da garota.
— Vai continuar com esse joguinho de não contar que você é o sócio do Kauan e quem manda na direção aqui?
Malcon pergunta com um sorriso de canto.
— Você viu o jeito que ela me trata? É divertido assim. Não quero ninguém babando meu ovo.
Malcon n**a com a cabeça, rindo baixo.
— Brincadeira de gato e rato nunca acaba como a gente espera, irmão. Mas vou gostar de ver você amarrado.
— Amarrado?
solto uma risada irônica.
— Que conversa tosca, Malcon. Bebeu o estoque todo?
O turno vai chegando ao fim.
Estou falando com o Malcon sobre a carga de bebidas importadas quando vejo um sujeito no balcão inclinado demais pra cima da Maya.
Ele diz algo, oferece uma nota alta, uma proposta direta:
— Pode ser seu, se sair daqui comigo, gatinha.
A raiva sobe como um tiro. Quando ela entra na área interna pra deixar a bandeja, eu corto o caminho.
— Não deixa ninguém passar por aquela porta, ouviu?!
ordeno pro Malcon.
— Oliver? O que vai fazer?
Ha... O que eu vou fazer? Acabar com a hipocrisia dessa garota.
Entro com tudo no depósito. O lado controlador fala mais alto que o senso comum.
— Se prostituir, é sério?
a pergunta sai como um chicote.
Ela pula de susto, os olhos arregalados.
— O que você está fazendo aqui? Clientes não podem entrar!
— Eu te defendo de um louco de tarde pra você se jogar nas mãos de um qualquer por meia dúzia de notas à noite?
dou um passo à frente, invadindo o espaço dela.
— Isso não é da sua conta!
— É minha conta sim!
dou um sorriso carregado de veneno.
— Que tipo de garota você é? Diz que precisa desse trabalho pro Malcon pra quê? Pra bater poit?
O estalo do t**a dela ecoa no depósito. Meu rosto vira pro lado e o ardor é imediato.
Porra! Ela me bateu c*****o!?
Olhei pra ela indgnado, e os olhos dela queimava.
— Você não sabe nada da minha vida!
ela vocifera, a voz embargada de fúria.
— Eu preciso de grana, mas nunca faria uma coisa dessas! Me deixa em paz, ouviu? A vida é minha!
Ela dá um passo pra trás, tremendo.
Mas vira com olhos negros, indignado.
— Eu posso não ter onde passar a noite, mas preferia dormir embaixo da ponte do que fazer o que você sugeriu. E quer saber? Vai se ferrar cara!
Ela passa por mim como um furacão, joga o avental na bancada e sai disparada pelo salão.
Kely tenta chamar ela.
— Maya? Ei... Onde você vai!?
Mas ela sai atropelando quem estiver na frente.
— p**a que pariu, e ainda dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar...
Malcon diz negando, me olhando com repreensão.
— O que você fez!?
Não perco tempo dando satisfação.
— Que m***a!
praguejo, saindo logo atrás.
Pego a moto e acelero. Nem sei pra que lado ir, mas busco o mais claro, ela não seria maluca de ir pelo escuro, nesse horário.
Vejo ela andando rápido pela calçada escura da estrada.
Emparelho a moto ao lado dela.
— Para garota! Me escuta!
— Me deixa em paz! Você é perturbado?
ela grita sem parar de andar.
— Eu vacilei, tá legal?
digo, desligando o motor e descendo.
— Eu ouvi aquele m***a falar e pensei que você fosse aceitar. Foi m*l.
— E você queria que eu fizesse o quê? Outra confusão? Eu preciso do trabalho, o Malcon vai acabar me demitindo por sua causa! Escuta aqui cara, não é porque me ajudou duas vezes que você tem algum direito de se meter na minha vida.
Beleza...
Caralho, ela tá certa.
Solto a respiração pesada.
—Ele não vai te demitir. Eu garanto.
— E como você sabe, gênio? Porque é amigo dele? Grande coisa!
ela para, me encarando com ódio.
— Você vai ferrar minha vida, e eu não tenho mais nada pra ser tirado.
Suspiro pesado, passando a mão no rosto.
— Eu sei porque eu sou o cara que dirige este lugar junto com o Malcon. Eu sou o sócio do dono.
O olhar dela muda na hora. O choque substitui a raiva.
— Você o quê?
— Você não vai ser demitida. Eu sei que você estava dormindo no pub, eu te vi na noite anterior.
Ela entra em pânico.
— Oh, droga... eu tinha que estragar tudo!
Leva as mãos as cabelos, fazendo os fios cair sobre o rosto.
— O chefe que a Kely falava... era você o tempo todo...
Acenei que sim. Que inferno cara, acabou com toda a diversão.
— É o seguinte: eu vou te adiantar o mês todo de trabalho amanhã.
digo, tentando soar prático pra cortar o drama.
— Aí você arranja um lugar seguro pra ficar.
Ela me olha incrédula, mas o medo volta aos olhos dela.
— O Malcon me avisou que eu não podia dormir lá hoje... Foi você?
Soltei o ar e ela entendeu.
— Ótimo, eu não ia dormir lá mesmo, Não depois que o...
Suas palavras cortam.
Ela não precisa dizer o nome do padrasto. Eu vejo o pânico no fundo das pupilas dela.
— Eu te levo pra um lugar seguro. Só por essa noite. Pra compensar a m***a que eu falei. Amanhã você recebe a grana e fica por conta própria.
Ela me olha como uma gata acuada, desconfiada de tudo.
— Você não tem outra escolha, Maya. Ou tem? Isso é arriscado pra mim também, Vai que você é um serial killer.
— Eu vou verificar se você é mesmo o que diz ser antes.
— Se eu fosse fazer algo r**m, não teria te defendido de tarde. Quem tem o que esconder aqui não sou eu.
Voltamos pro bar em silêncio.
Ao entrar, nos separamos e ela foi
confirma a história com a Kely, que dá uma olhada pra mim, era óbvio, ela estava falando de mim.
Me aproximo do malcon pra terminar de acertar os horários no escritório.
Quando saio, o bar já está fechado. Passo por ela, que está limpando uma mesa e digo baixo:
— Te espero lá fora.
Vejo seu corpo tencionar, um sorriso sorrateiro surge em meus lábios.
Não faço seu tipo né Ferinha?
Saiu sem olhar pra trás e fico encostado na moto, sentindo o ar frio da noite.
...