OLIVER FICHER:
chego no bar antes de abrir.
Malcon estava na frente, fumando um cigarro em cima da sua moto.
Quando me vê, n**a com sua repreensão.
— Cara, você é chato pra c*****o, o que tá fazendo aqui?
Desço da moto o encarnado.
— Consertando suas merdas, o que acha?
Ele n**a levando o cabelo longo pra trás.
— Escuta, a garota não tá fazendo nada de mais, pelo contrário, a gente chegou e ela tinha dado conta da bagunça da noite.
— Ótimo, exploração no trabalho, isso é perfeito não acha?
Ele n**a me olhando sério.
— Eu vou falar com ela beleza? Ela não passa a noite aqui hoje.
— Ótimo!
Passo por ele entrando no pub, vejo ela de longe perto da Kely.
— Ele é s*******o mesmo, sabe o que você faz quando esses caras te oferecer algo, manda eles se ferrar.
Kely falava pra ela, as duas agindo como se não tivessem quebrando regras.
E eu sei bem que isso é coisa da Kely, malcon é p*u mandado dela.
E isso me deixa puto. Odeio perder o controle.
Caminho até o balcão, a bota batendo pesado no piso.
— Oh, garota. Me serve alguma coisa.
Ela levanta os olhos. Não tem medo, só marra.
— Não estamos abertos, ainda.
— Pra mim essa p***a nunca fecha, não é Kely!?
respondo, seco.
A Kely, que sabe quem manda aqui, solta uma risadinha.
— Serve ele, Maya. Relaxa.
Fico ali, parado, observando o jeito que ela se mexe.
Ela é nova demais pra esse ambiente, mas tem um peso nos ombros que eu reconheço de longe. É bicho escaldado.
— Foi promovida? Você é meio nova pra esse balcão, não acha?
provoco, só pra ver o fogo nos olhos dela. Ela ignora.
Caralho, essa tensão me consome, e eu sei exatamente que p***a é essa...
E eu gosto dessa adrenalina, de como meu sangue corre perto dela.
— Você entende de bebida. Eu vi ontem.
insisto.
Dessa vez ela para. Me encara de frente.
— Qual é a sua, cara?
Dou um sorriso de lado, sem pressa.
— Só curiosidade.
— Pois eu já vou avisando.
ela diz, a voz fria como gelo.
— Você não faz o meu tipo.
O sorriso na minha cara aumenta. Atrevida.
Não faço seu tipo? Rsrs.. ela que não faz o meu, patricinha do c*****o.
Já ia responder a altura, não levo desaforo pra casa, mas o corpo dela trava.
O olhar dela congela na direção da porta, além de mim e ela se encolhe, rápida, instintiva.
— Ai merda...
Ela pragueja.
Sigo a linha dos olhos dela e vejo uma mulher lá fora, inquieta, farejando o ar.
Caralho. Agora a brincadeira ficou séria.
É hoje que eu descubro quem é essa garota.
...
NARRAÇÃO MAYA:
O ar parece sumir dos meus pulmões.
Quando vejo a silhueta dela através do vidro embaçado. Minha mãe. Ela olha em volta, farejando o ar como se sentisse meu medo.
E então, o estômago revira: ele está logo atrás. O desgraçado do meu padrasto.
— Tem certeza que viu ela por aqui?
A voz dela abafada chega até mim.
O pânico é uma descarga elétrica que me trava no lugar.
Eu não devia ter voltado pra cá. Agora ele sabe onde eu estou.
Quando a porta range e ela entra, meus olhos batem direto no homem à minha frente.
O cara da jaqueta. Ele está ali, sólido como uma rocha, observando o movimento com aquele olhar que parece ler até o que eu não digo.
— Algum problema?
a voz dele é um trovão de ironia.
Minha mãe me encontra.
O choque no rosto dela vira uma máscara de autoridade ferida.
Ela caminha até o balcão, ignorando o cara por um segundo.
— O que deu na sua cabeça, Maya? Você não podia ter saído de casa daquele jeito! O que você está fazendo em um lugar como esse!
— Eu não posso falar agora.
sinto minhas mãos tremerem enquanto tento segurar um pano de prato.
— Você vai voltar agora!
ela exige, a voz subindo de tom.
— O que você está fazendo num lugar como esse, a mim não foi suficiente?
Olho por cima do ombro dela.
Ele está lá, com aquele sorrisinho cínico, fingindo preocupação.
— Eu não volto, mãe. Não enquanto esse homem estiver debaixo do nosso teto.
— Maya, por que está agindo assim?
O canalha intervém, fazendo a voz de santo que me dá nojo.
— Eu sempre te dei tudo, sou como um pai pra você. Que ingratidão...
— Cala a p***a da boca!
sinto as lágrimas de ódio queimarem.
— Você sabe muito bem o porquê!
Minha mãe me olha com julgamento, como se eu fosse a louca.
— Maya, você está se perdendo... repetindo os mesmos erros que eu. Esse lugar não é pra você. Vem embora.
— Eu volto se ele sair!
grito.
— Escolhe, mãe. Ele ou eu!
O silêncio dela dói mais que um t**a. Ela não escolhe. Ela nunca escolhe. Porque é uma maldita dependente desse monstro.
Enche a cara, alcoólatra, viciada e capota enquanto aquele mostro ficava me olhando...
Mas ele passou dos limites, isso eu não tolero mais. Nunca mais!
— Não fico mais um segundo em baixo do mesmo teto que esse mostro.
O meu padrasto, perdendo a paciência com a minha resistência, avança. Ele segura meu braço com força, os dedos cravando na minha pele.
— Chega de show. Você vem agora!
Meu coração dá um solavanco, sentindo seu aperto. Tento puxar, mas ele é mais forte. É aí que o mundo parece desacelerar.
O cara se move com uma rapidez que eu não esperava para um cara do tamanho dele.
Ele atravessa o espaço entre o balcão e a porta e empurra o peito do meu padrasto com tanta força que o homem cambaleia para trás.
Sua mão me puxa, me jogando para trás da bancada, servindo de escudo a minha frente.
— Ô cara, você não vai pegar ela assim aqui não!
o tom dele é letal, despido de qualquer civilidade.
— Não na minha frente, p***a!
Minha mãe recua, assustada.
— Quem é esse homem, Maya? O que você está fazendo com gente assim?
— Ele não é ninguém, mãe! Só vai embora!
peço, sentindo o coração esmagado.
O Malcon e a Kely aparecem na porta lateral, atraídos pela confusão. O olhar do Malcon está sério, avaliando o estrago. Não não...
Se ele me demitir agora, eu viro fumaça.
— Não me faz perder esse emprego, mãe. Por favor.
O meu padrasto, recuperando a audácia, tenta avançar de novo, apontando o dedo pra mim.
— Você vai se arrepender disso, sua garota mimada! Tentando por sua mãe contra mim, eu te dei tudo.
Ele tenta me puxar mais uma vez mais o estalo da mão do homem à minha frente, afastando o braço dele soa como um tiro.
— Já falei, c*****o! Não toca nela!
Ele rosna, ficando cara a cara com ele. A tensão é tão palpável que o ar parece que vai pegar fogo.
— É um maldito covarde que bate em mulher é isso? Bate em mim p***a, vamos ver se tu tem culhão!!
Malcon intervém, a voz firme mas calma.
— Já deu. Saiam do meu bar. Agora!
Minha mãe me olha uma última vez, uma mistura de pena e raiva.
— Você está cometendo um grande erro filha. Olha a confusão que você está fazendo, vai se arrepender e acabar voltando... e eu vou estar te esperando.
Senti todo meu corpo queimar.
Erro? Ela acha que só porque ela fugiu de casa e se afundou nos seus vícios, eu vou também? Não... Não vou mesmo.
Eles saem. O silêncio que fica é pior que os gritos. Eu não consigo respirar.
Entro na adega sem olhar pra ninguém, pego a primeira garrafa de uísque que vejo e encho um copo até a borda.
Viro de uma vez, sentindo o fogo descer queimando tudo por dentro.
Puro, sem gelo.
Olho pro Malcon, que me observa da porta. O outro cara está parado no balcão, de costas, as mãos apoiadas na madeira, os ombros tensos.
— Põe na minha conta.
digo, a voz rouca.
— Malcon... por favor. Não me demite. Isso não vai acontecer de novo. Eu preciso disso aqui.
Ele suspira, passando a mão pelo rosto.
— Você disse que esse infeliz era um ex namorado.
O cara me olha com os olhos escuros, intensos.
— Eu não preciso me explicar. Não mesmo!
Malcon n**a me olhando.
— Vai se recompor, garota. A gente abre em vinte minutos.
A Kely se aproxima, colocando a mão no meu ombro.
— Vem... eu te ajudo.
Eu entro com ela, mas sinto o olhar do cara queimando nas minhas costas.
Ele era um homem primitivo, bruto e egocêntrico, mas o jeito que ele me defendeu... aquele "não na minha frente" ainda ecoa na minha cabeça.
...