O começo da obsessão.

1005 Words
OLIVER: Desci da moto e deixo o motor estalar enquanto esfria. Contorno o bar pelos fundos. A luz fraca escapa pelas brechas da parede. m***a, ela ainda está lá dentro. Essa garota é um problema ambulante. Atrevida, ousada e, com certeza, vai f***r com a minha cabeça, se não der um jeito nisso. Porque quem vai limpar a sujeita quando tudo der m***a sou eu, caramba. Saco o celular e ligo pro Malcon. Ela não podia estar ali. Não é problema nosso. — Oliver? — O que ela tá fazendo no pub, malcon!? — c*****o, você é pior que o Kauan. Ela não tinha pra onde ir, beleza? Eu não ia deixar a garota dormindo na rua. o infeliz diz no meu ouvido. — O que queria que eu fizesse? jogasse a garota na rua a essa hora? Ela não tinha pra onde ir. Passo a mão no rosto. Ele sabe que eu tô irritado. — Você vai dar um jeito nisso entendeu? Não posso oferecer um adiantamento e ficar no prejuízo, mas ali ela não pode ficar, você entendeu? — É só por hoje, cara. completa, mais pra me convencer do que pra dar satisfação. — Um dia! Amanhã passo pra verificar isso. Desligo na cara dele antes que perca a cabeça. A noite é um lixo. Volto pro apartamento, pequeno, meu. Jogo a chave na mesinha e tiro a jaqueta, ligando o ar. Me jogo na cama, soltando o ar pela boca, olhando o teto rústico com luz embutidas. Porra, eu não era um desalmado, sem a m***a do coração. A situação daquela garota me tirava do eixo. E ela mexia comigo, o que só piorava a situação. Me sirvo de um uísque barato, sentindo o líquido queimar a garganta, mas minha mente continua travada naquela visita ridícula àquela oficina. Ah caramba, preciso tirar essa m***a da cabeça. Uma distração talvez. Pego o celular. Tem um contato que eu sei que nunca falha. "— Tá disponível? Quero você aqui." Não demora dois minutos e o retorno vem. "— Na minha ou na sua?" Um sorriso ladino, malicioso e cheio de perversão cresce em meus lábios. "— Estou te esperando." Não demora dez minutos e a campainha toca. Quando abro a porta, ali está ela, Lexa, como sempre... Um perigo de mulher. nem desperdiço meu tempo com papo furado, ela sabe muito bem o que eu quero é o que veio fazer aqui. Puxo ela pra dentro pela cintura e colo nossas bocas. É um beijo bruto, com gosto de urgência. Ela ri contra os meus lábios, aquele sorriso de quem acha que me tem na palma da mão. — Eu sabia que você ia chamar de novo, Oliver… assume logo que é louco por mim. Enrolo os dedos no cabelo dela, puxando a nuca com força, sentindo o cheiro do perfume caro que ela usa pra me impressionar. — Você também não perde uma chance de vir, não é? provoco, sentindo o corpo dela se moldar ao meu. — Eu venho e você sabe o porquê. ela sussurra, arqueando as costas. — Sou louca por você, seu bruto. Não perco mais tempo com conversa. Empurro ela em direção a cama, beijando cada centímetro de pele que o vestido curto deixa exposto. As roupas vão ficando pelo caminho, jogadas de qualquer jeito no chão de porcelanato. No escuro do quarto, eu tento usar o corpo dela pra apagar a imagem daquela garota do bar. E eu consigo, por breves momentos... Me afogo naquela mulher como um miserável. ... O sol começa a entrar pelas frestas da persiana automática. Acordo com o sistema inteligente já moendo os grãos de café na cozinha. O aroma invade o quarto. Pontual às 6h a casa desperta. E meus sentidos também. — Já deu sua hora, lexa. Preciso resolver umas coisas. digo, sentando na cama e passando a mão pela barba. Ela se espreguiça, manhosa, tentando ignorar o tom de expulsão. — Fica aí. Eu posso preparar algo pra gente, tomamos um café juntos, sem pressa… — Você sabe que isso não rola. corto, curto e grosso. Levanto e começo a catar minha calça. — Sem café, sem "juntos", não to afim de se apegar, você sabe. Ela suspira, a irritação começando a aparecer sob a máscara de sedução. — Onde eu te encontro de novo? — Você sabe onde. respondo, sem olhar pra trás. Ela se levanta, veste a lingerie com movimentos bruscos e para na minha frente. Segura meu queixo com força, os dedos cravando na minha barba, e me dá um beijo que é quase uma mordida. — Você não vale nada, Oliver. — E você gosta. dou um sorriso ladino, vendo ela pegar o resto das roupas e bater a porta ao sair. Finalmente sozinho. Vou até a varanda, onde a piscina de borda infinita reflete o céu da cidade. Esse lugar é minha fortaleza. Abro o notebook. Hora de fazer a engrenagem girar. Entro em contato com os fornecedores de uísque e cerveja, confiro as cargas que chegam à tarde. Depois, abro a folha de pagamento. O Malcon queria que eu desse um adiantamento pra garota, mas nem fodendo. Ela ganha a diária. Se eu der dinheiro na mão de uma garota que tem cara de quem foge na primeira oportunidade, o prejuízo é meu. E no fim das contas, quem banca esse lugar sou eu que vou ter que prestar contas com o Kauan. Passo a mão na barba, sentindo o incômodo voltar. Mando o relatório pro Kauan. "Relatório de fornecedores e pagamentos enviado. Tudo em ordem." A resposta vem rápida. "— Beleza, irmão. E a situação da garota? Malcon me deu um toque." "—Tô resolvendo do meu jeito. Não esquenta." Ele logo responde. "— Confio em você cegamente, Oliver. Faz o que tiver que fazer. Se não acha que ela merece uma chance." Fecho o notebook e olho pra cidade lá embaixo. Preciso resolver essa parada quanto antes, ou vou ficar pilhado pra caramba. ...
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