OLIVER:
Desci da moto e deixo o motor estalar enquanto esfria. Contorno o bar pelos fundos. A luz fraca escapa pelas brechas da parede. m***a, ela ainda está lá dentro.
Essa garota é um problema ambulante. Atrevida, ousada e, com certeza, vai f***r com a minha cabeça, se não der um jeito nisso.
Porque quem vai limpar a sujeita quando tudo der m***a sou eu, caramba.
Saco o celular e ligo pro Malcon.
Ela não podia estar ali.
Não é problema nosso.
— Oliver?
— O que ela tá fazendo no pub, malcon!?
— c*****o, você é pior que o Kauan. Ela não tinha pra onde ir, beleza? Eu não ia deixar a garota dormindo na rua.
o infeliz diz no meu ouvido.
— O que queria que eu fizesse? jogasse a garota na rua a essa hora? Ela não tinha pra onde ir.
Passo a mão no rosto.
Ele sabe que eu tô irritado.
— Você vai dar um jeito nisso entendeu? Não posso oferecer um adiantamento e ficar no prejuízo, mas ali ela não pode ficar, você entendeu?
— É só por hoje, cara.
completa, mais pra me convencer do que pra dar satisfação.
— Um dia! Amanhã passo pra verificar isso.
Desligo na cara dele antes que perca a cabeça.
A noite é um lixo.
Volto pro apartamento, pequeno, meu. Jogo a chave na mesinha e tiro a jaqueta, ligando o ar.
Me jogo na cama, soltando o ar pela boca, olhando o teto rústico com luz embutidas.
Porra, eu não era um desalmado, sem a m***a do coração. A situação daquela garota me tirava do eixo. E ela mexia comigo, o que só piorava a situação.
Me sirvo de um uísque barato, sentindo o líquido queimar a garganta, mas minha mente continua travada naquela visita ridícula àquela oficina.
Ah caramba, preciso tirar essa m***a da cabeça. Uma distração talvez.
Pego o celular.
Tem um contato que eu sei que nunca falha.
"— Tá disponível? Quero você aqui."
Não demora dois minutos e o retorno vem.
"— Na minha ou na sua?"
Um sorriso ladino, malicioso e cheio de perversão cresce em meus lábios.
"— Estou te esperando."
Não demora dez minutos e a campainha toca. Quando abro a porta, ali está ela, Lexa, como sempre... Um perigo de mulher.
nem desperdiço meu tempo com papo furado, ela sabe muito bem o que eu quero é o que veio fazer aqui.
Puxo ela pra dentro pela cintura e colo nossas bocas. É um beijo bruto, com gosto de urgência.
Ela ri contra os meus lábios, aquele sorriso de quem acha que me tem na palma da mão.
— Eu sabia que você ia chamar de novo, Oliver… assume logo que é louco por mim.
Enrolo os dedos no cabelo dela, puxando a nuca com força, sentindo o cheiro do perfume caro que ela usa pra me impressionar.
— Você também não perde uma chance de vir, não é?
provoco, sentindo o corpo dela se moldar ao meu.
— Eu venho e você sabe o porquê.
ela sussurra, arqueando as costas.
— Sou louca por você, seu bruto.
Não perco mais tempo com conversa.
Empurro ela em direção a cama, beijando cada centímetro de pele que o vestido curto deixa exposto.
As roupas vão ficando pelo caminho, jogadas de qualquer jeito no chão de porcelanato. No escuro do quarto, eu tento usar o corpo dela pra apagar a imagem daquela garota do bar.
E eu consigo, por breves momentos... Me afogo naquela mulher como um miserável.
...
O sol começa a entrar pelas frestas da persiana automática. Acordo com o sistema inteligente já moendo os grãos de café na cozinha. O aroma invade o quarto.
Pontual às 6h a casa desperta.
E meus sentidos também.
— Já deu sua hora, lexa. Preciso resolver umas coisas.
digo, sentando na cama e passando a mão pela barba.
Ela se espreguiça, manhosa, tentando ignorar o tom de expulsão.
— Fica aí. Eu posso preparar algo pra gente, tomamos um café juntos, sem pressa…
— Você sabe que isso não rola.
corto, curto e grosso. Levanto e começo a catar minha calça.
— Sem café, sem "juntos", não to afim de se apegar, você sabe.
Ela suspira, a irritação começando a aparecer sob a máscara de sedução.
— Onde eu te encontro de novo?
— Você sabe onde.
respondo, sem olhar pra trás.
Ela se levanta, veste a lingerie com movimentos bruscos e para na minha frente.
Segura meu queixo com força, os dedos cravando na minha barba, e me dá um beijo que é quase uma mordida.
— Você não vale nada, Oliver.
— E você gosta.
dou um sorriso ladino, vendo ela pegar o resto das roupas e bater a porta ao sair.
Finalmente sozinho.
Vou até a varanda, onde a piscina de borda infinita reflete o céu da cidade. Esse lugar é minha fortaleza.
Abro o notebook.
Hora de fazer a engrenagem girar. Entro em contato com os fornecedores de uísque e cerveja, confiro as cargas que chegam à tarde.
Depois, abro a folha de pagamento.
O Malcon queria que eu desse um adiantamento pra garota, mas nem fodendo.
Ela ganha a diária.
Se eu der dinheiro na mão de uma garota que tem cara de quem foge na primeira oportunidade, o prejuízo é meu.
E no fim das contas, quem banca esse lugar sou eu que vou ter que prestar contas com o Kauan.
Passo a mão na barba, sentindo o incômodo voltar. Mando o relatório pro Kauan.
"Relatório de fornecedores e pagamentos enviado. Tudo em ordem."
A resposta vem rápida.
"— Beleza, irmão. E a situação da garota? Malcon me deu um toque."
"—Tô resolvendo do meu jeito. Não esquenta."
Ele logo responde.
"— Confio em você cegamente, Oliver. Faz o que tiver que fazer. Se não acha que ela merece uma chance."
Fecho o notebook e olho pra cidade lá embaixo. Preciso resolver essa parada quanto antes, ou vou ficar pilhado pra caramba.
...