Sem Rosto A noite caiu pesada sobre o Rio. No armazém escondido, o inimigo sem rosto não estava mais sozinho. A mesma voz do aliado misterioso ecoava, mas dessa vez, em tom mais desconfiado: — Você fala dele como se fosse pessoal demais… não é só vingança de território, não é? O inimigo sem rosto demorou alguns segundos para responder. O silêncio era quase uma arma. Ele acendeu um cigarro, tragou fundo, deixando a ponta brilhar na escuridão. O rosto continuava mergulhado na sombra, mas o gesto da mão marcada por cicatrizes denunciava a tensão. — Pessoal? — ele repetiu, rindo baixo, mas sem humor. — Não existe nada mais pessoal do que perder tudo para um homem que nem sabia que você existia. O aliado se aproximou, inquieto. — Eu ainda não entendo. Você tinha poder. Seu nome corria na

