Minha mão subiu ao meu rosto com uma velocidade frenética, tateando meus próprios olhos. Eu sentia minhas pálpebras se movendo, sentia o esforço muscular de tentar focar em algo, mas não recebia nada em troca. Nem uma sombra. Nem um vulto borrado. Nada. Era como se tivessem arrancado o universo de mim com um alicate e deixado apenas o meu corpo vazio, quebrado e inútil para trás. — Vovó? — Chamei, a voz agora quebrada, reduzida a um fio de agonia que me machucava os ouvidos. — Me diz que é mentira. Me diz que eu vou acordar amanhã e ver o céu de novo. Eu trabalho com o céu, vovó... eu sou dona das alturas... eu não posso viver aqui embaixo, rastejando nesse escuro... eu vou enlouquecer se eu não ver o azul de novo... Senti o abraço trêmulo e frágil da minha avó. O cheiro do sabonete de a

