Paulo acordou antes do sol nascer. Não dormiu. Não conseguiu. A casa simples onde estava hospedado — o pequeno sítio da ex-esposa — ainda estava mergulhada no silêncio profundo da madrugada, mas dentro do peito dele, um turbilhão insistia em passar por cima do sono, da calma, da lógica. Hoje era o dia. Hoje ele iria embora. De vez. Ele se sentou na beirada da cama e respirou fundo, tentando ignorar o peso esmagador da decisão. Ao mesmo tempo que doía, era também libertador. A primeira escolha realmente dele, depois de anos vivendo como sombra da irmã. Rita. Só pensar no nome já dava um embrulho no estômago. Ela estava afundando no próprio ódio, se recusando a aceitar o fim. E pior — estava arrastando tudo ao redor para o buraco com ela. Mas Paulo finalmente tinha entendido que, se

