Rita Martins passou o resto do dia andando de um lado para o outro dentro do pequeno sítio onde estava morando temporariamente com o irmão Paulo. A casa era pobre, simples demais para alguém que já viveu cercada de luxo, poder e funcionários que faziam tudo por ela. O chão era de madeira velha, rangente. As paredes tinham marcas de umidade. E o cheiro… aquele cheiro de mofo e terra molhada misturado com miséria… aquilo fazia Rita quase vomitar. Mas nada disso era pior do que o ódio que queimava dentro dela. Ódio de Bela. Ódio de Henrique. Ódio de Helena Alencar. Ódio de todo mundo que tinha destruído sua vida. E agora, ódio do próprio irmão… que a abandonara para “recomeçar”. Covarde, segundo ela. Um fraco. “Que ele vá embora mesmo”, pensou ela, o rosto se contorcendo de amargura

