A madrugada caiu sobre a fazenda como um véu pesado. O vento balançava as folhas do eucaliptal, e o luar banhava tudo com aquele brilho pálido e frio. O silêncio só era quebrado pelo som dos grilos e o mugido distante do gado. Dentro da casa principal, todos dormiam em paz. Todos, menos Henrique. Ele estava inquieto desde o momento em que vira o farol distante cortando a escuridão na estrada de terra. Aquilo não era normal. Nenhum vizinho vinha à fazenda àquela hora. Ele pegou o casaco que estava pendurado na cadeira e, com mãos firmes, abriu o armário, retirando de lá sua arma — uma pistola antiga, herança do pai. O clique metálico ao verificar o carregador ecoou baixo no silêncio da casa. O coração dele batia compassado, mas sua expressão permanecia fria, concentrada. Com passos sile

