O sol já nascia forte sobre os campos quando o advogado Miguel estacionou o carro preto na oficina mecânica da cidade vizinha. O lugar era simples, cheirava a óleo queimado e ferro quente, e os sons metálicos se misturavam ao zunido das ferramentas. Ele tirou o paletó, arregaçou as mangas e caminhou até o mecânico responsável pela perícia da caminhonete de Henrique. — Bom dia, seu Jorge — cumprimentou o advogado, com a voz firme. — Conseguiu ver o que aconteceu com o sistema de freio? O homem, de mãos sujas de graxa e olhar experiente, assentiu devagar. — Consegui sim, doutor. E não foi defeito, não. Isso aqui foi coisa feita com intenção. — Ele puxou uma caixa de ferramentas, pegou um pedaço do cabo do freio e mostrou a Miguel. — Veja só o corte. É limpo, feito com lâmina afiada. Algué

