A chegada da polícia foi discreta, diferente do rumor que as rodas do tempo costumam espalhar pelo sertão: dois carros modestos, dois agentes de rosto cansado e um delegado com mais formalidade do que autoridade. Vieram no início da tarde, com aquela calma de quem sabe que ali a lei é mais um papel do que um poder real. Miguel os recebeu na varanda com um misto de cordialidade e frieza. Henrique acompanhou tudo de perto. Bela segurava o bebê no colo, os olhos vermelhos de sono e preocupação; Cidinha não saiu da cozinha, mas ouvia cada palavra pela janela. Elisa, grávida e ainda sensível pelos últimos acontecimentos, sentou-se num banco, as mãos cruzadas sobre a barriga, pronta para ser chamada a depor se necessário. O delegado abriu a pasta com lentidão, fez as perguntas de praxe e anoto

