Na mansão dos Martins, o dia amanheceu estéril de paz. O jardim, sempre bem aparado, parecia guardar o mesmo silêncio tenso que havia no salão principal: dois corpos imersos em raiva fria. Rita caminhava de um canto a outro como uma fera em jaula; Paulo, sentado à mesa da biblioteca, alimentava um copo de uísque e uma certeza crescente de que precisavam recomeçar o jogo — agora com mais cuidado, mais maldade, mais roteiro. — Não basta mais mandar um trouxa cortar um fio — rosnou Rita, lançando o copo contra a mesa, sem tirar os olhos do irmão. — Não basta atirar de longe. Eles sobreviveram. Nasceram mais fortes. Se continuarmos na violência rasteira, só vamos perder homens e, ao mesmo tempo, nos expor. Paulo esfregou o polegar na sobrancelha, pensativo, como se já arquitetasse várias pos

